ANO XXX - NUMERO 45 1978 BOTA ta 06 O cm cm .. INFORMAÇÕES GERAIS Rodriguésia é publicação periódica de 4 números por ano, publicados em março, junho, setembro e dezembrç, sem publicidade, editada pelo Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A divulgação de dados ou de reprodução desta publicação deve ser feita com referência à revista, volume, número e autoria. Preço de assinatura (4 números) para o país CrS 100,00 (CrS 25,00 por número); para o exterior CrS 150,00 ou 10 dólares (37,50 CrS 2,5 dólares por número), pagável em nome de Rodriguésia, Jardim Botânico, por cheque ou ordem de pagamento, para a rua Jardim Botâni- co 1008 Rio de Janeiro. Subscription price (4 numbers for year) for foreing countries - USS 10,00 (USS 2,50 for number), enclosing money order, should bc placed to Rodriguésia, Jardim Botânico, rua Jardim Botânico, 1008, Rio de Janeiro, Brasil. ( INVENTARIO -bn Ü0.l61.37é-9 SciELO/JBRJ LI 12 13 14 15 Instituto Brasileiro de Desenvolvimento Florestal JARDIM BOTÂNICO RODRIGUÉSIA ANO XXX -NÚMERO 45 RIO DE JANEIRO BRASIL 1978 SciELO/JBRJ Jardim Botânico R. Jardim Botânico, 1008 — Rio de Janeiro, Brasil DIRETOR Osvaldo Bastos de Menezes RODRIGUÉSIA; revista do Jardim Botânico, a 1 - Junho 1935 “ Rio de Janeiro V. i 1 ust . 22 cm 1. Botânica - Periódicos. I. Rio de Ja- neiro - Jardim Botânico. CDD 580.5 CDU 58 (05) 4 ISciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm COMISSÃO DE REDAÇÃO Leonam de Azeredo Penna Ida de Vattimo Carlos Toledo Rizzini SUMÁRIO VATTIMO, Ida De — Contribuição ao conhecimento da distribuição geográfica do gênero Pilostyles Guill. (Rafflesiaceae) 7 VATTIMO, ÍTALO — Notas fitogeográficas III - Localidades de ocorrência de Bryophyta musci no Brasil ' 13 FEvereiro, V. P. B., Févereiro, P. C. A. E Abreu, C. L B. De - Levantamen- to dos tipos do Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Leguninosae - Mimosoideae II 23 FALCÃO, W. F. Et A. E Falcão, J. I. Et A. — Contribuição ao estudo das Convol- vuláceas de Pernambuco 63 SANTOS, E. — Revisão das espécies do gênero Heliconia L. (Musaceae S.l) espontâneas na região fluminense . 93 . EMMERICH, MARGARETE — Contribuição ao conhecimento da tribo Cusparineae (Rutaceae). Nova conceituação de Raputia e gêneros derivados 223 Gonçalves Costa, C. EElenice Et Lima Costa - Levantamento dos “tipos” do Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. Connaraceae 309 ICHASO, C. L FALCÃO — Tipos de sementes encontradas nas Scrophulariaceae . 335 Ormon^W t. Maria Celia Bezerra Pinheiro, Alicia Rita Cortella 77 T u LLS e ^ ria Celia Rodrigues Correia - contribuição ao estudo biossistemático e ecológico da Ludwigia leptocarpa (Nutt.) Hara . . 345 TRAVASSOS, O. P. - Contribuição ao estudo das Pteridófitas. I. Chave para determi- nação das famílias * ' 355 Ba UTI ST A, EL P. E ABREU, C. L B. Et - Levantamento dos tipos do Herbário do Jardim Botamco do Rio de Janeiro. Combretaceae R. Br 381 DUARTE, A. P. — Contribuição ao conhecimento da germinação de algumas essências iiorestais a 5 SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DA DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA DO GÊNERO PILOSTYLES GUILL. (RAFFLESIACEAE) . IDA DE VATTIMO Pesquisador em Botânica Jardim Botânico Rio de Janeiro Estudando espécimens de Rafflesiaceae, a nós enviados pelo New York Botanical Garden, para identificação, coletados no Distrito Federal, Goiás, Mina? Gerais e Bahia, tivemos a oportunidade de registrar novas localidades de ocorrên- cia para Pilostyles ulei S. — L., P. goyazensis S. — L. e P. blanchetii (Gardn.) R. Br., as quais damos a público neste trabalho, com o objetivo de contribuir para um melhor conhecimento, não só da flora do cerrado, mas também da distribuição geográfica deste importante gênero de parasitas. Damos a seguir a relação das espécies por nós identificadas e de suas locali- dades de ocorrência, novas para a ciência. Pilostyles blanchetii (Gardn.) R. Br. 1845, 247; Hooker f. 1873, 115; Solms-Laubach, 1878, 1 25 ; id, 1901, 14. Sin.: Apodanthes blanchetii Gardn., 1844, t. 6558; Frostia blanchetii Karst. 1858,922. Bahia — Vale do Rio das Ondas, parasitando Bauhinia sp., fruto castanho — violeta, a maioria caida, em picada na mata e cerrado adjacente, cerca de 10 km oeste de Barreiras, 500 m de altitude, H.S. Irwin, R. M. Harley e G. L. Smith, mar- ço 1971 (NY — 31315, RB); Espigão Mestre, parasitando Bauhinia sp., planta púr- pura-avermelhado escuro, cerrado cerca de 5km oeste de Cocos, próximo a pedras calcáreas cerca de 530m de altitude, W.R. Anderson, M. Stieber e J.H. Kirkbride Jr., março 1972 (RB — 37104, RB); Vale do Rio das Ondas, parasitando Bauhinia sp., fruto castanho - violeta escuro, muito comum no local, cerrado e galeria de barro, encostas baixas do Espigão Mestre cerca de 4km oeste de Barreiras, cami- nho para Santa Rita de Cassia, cerca de 550m de altitude, H. S. Irwin, R. M. Harley e G. L. Smith, março 1971, (NY - 31588, RB); Vale do Rio das Ondas, Rodriguésia Rio de Janeiro Vol. XXX - N este n9 é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, ’ p o 147 para material típico; Serra de Itatiaia, 2300m alt., em pântanos, mar- ço e 94, col. E. Ule n9 323 (R), obs. : além do n9 acima citado para o coletor, ia outro a lápis, n9 1742, cuja grafia pertence a E. Ule, e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 147 para material típico. Sphagnum laceratum C. Mull et Warnst.: Minas Gerais, Serra do Caraça, 1650m alt.. março de 1892, col. E. Ule n9 1294 (R), obs.: sem etiqueta original, trazendo apenas um n9 cuja grafia pertence a E. Ule, n9 1294, que é citado por arnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 150 para material típico. (Todas as indica- ções que aqui constam foram retiradas do trabalho de Warnst.) Sphagnum lindbergii Schpr.: Rio de Janeiro, Serra de Itatiaia, 2100m alt., em pantanos, março de 1894, col. E. Ule n9 320 (R), obs.: além do n9do coletor acima citado, há outro a lápis, n9 1739, cuja grafia pertence a E. Ule; Serra de Ita- tiam 20 ° m alt., em pântanos, março de 1894, col. E. Ule n9 3 18 (R), obs.: além o n citado acima para o coletor, há outro a lápis, n9 1737, cuja grafia pertence a 31 7 í tatiaia ’ 1900m alt., nas encostas, março de 1894, col. E. Ule n9 ( X obs.: além do n9 acima citado para o coletor, há outro a lápis, n9 1736, cuja gra ia pertence a E. Ule; Serra de Itatiaia, 2000m alt., em pantanos, col. E. .Jli 1 ' . oEs - ; a 'ém do n9 do coletor acima citado, há outro a lápis, n? ’ P e rtence a E. Ule; Serra de Itatiaia, 2100m alt., em pântanos, arço e 4, col. E. Ule n9 319 (R), obs.: além do n9do coletor acima citado, ha outro a lapis, n9 1 738, cuja grafa pertence a E. Ule. 3.S - s ^ pEa ^ n “ m * Elc ^ nian h Warnst.: Paraguai, Vila Rica, em capinzais úmidos, •i p ’,. C0 . ' • ^ Lindman B-263 (R), obs.: etiqueta original do herbário Bra- ' Re S ne11 - Musei Bot. Stockholm. Exped. Imae. Regnellian. Musei B-263. , Sphagnum bngistolo C. Mull.: Rio de Janeiro, Serra dos Órgãos, em pân- , agos o e 93, col. E. Ule s. n. (R); Serra dos Órgãos, em lugares úmidos, 17 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 1 1-12-1891, col. E. Ule nP 1227 (R), obs.: material típico citado por Warnst. em Hdwigia XXXVI, 1897, p. 169. Sphagnum magellanicum Brid. = S. médium Limpr.: Santa Catarina, Or- leães, 95m alt. , 25-11-1946, col. R. Reitz nP 2275 (R), det. Bartram em 1947, obs.: etiqueta original do herbário Barbosa Rodrigues; Rio de Janeiro, Serra de Itatiaia, 2300m alt., nas encostas, março de 1894, col. E. Ule 327 (R), obs.: além do nP do coletor acima citado, há outro a lápis, nP 1746, cuja grafia pertence a E. Ule, e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 176;Serrade Itatiaia, 2200m alt., ern rochedos, março de 1894, col. E. Ule nP 328 (R), obs.: além do nP do coletor acima citado, há outro a lápis, nP 1 747, cuja grafia pertence a E. Ule e que é citado por Warnst. em Hedwigia, 1897, XXXVI p. 176; Serra de Itatiaia, 2000m alt., em pântanos, fevereiro de 1894, col. E. Ule nP340 (R), obs.: além do nP do coletor acima citado, há outro a lápis e a tinta, nP 1759, cuja grafia pertence a E. Ule; Agulhas Negras, Serra de Itatiaia, 2300m alt., em rochedos, março de 1894, col. E. Ule nP 329 (R), obs.: além do nP do coletor acima citado, há outro a lápis, nP 1748, cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 176. Sphagnum minutulum C. Mull. et Warnst.: Rio de Janeiro, Serra de It- tiaia, 2100m alt., em pântanos, fevereiro de 1894, col. E. Ule nP 330 (R), obs.: além do nP do coletor acima citado, há outro a lápis, nP 1 749, cuja grafia pertence a E. Ule e é citado como tipo por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897. p. 167. Sphagnum mirabile C. Mull et Warnst.: Minas Gerais. Caraça, março de 1892, col. E. Ule nP 1287 (R), obs.: não tem etiqueta original, mas traz o nP 1287 cuja grafia pertence a E. Ule. e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 161, obs.: todas as indicações que aqui constam foram extraídas do tra- balho de Warnst. Sphagnum ouropretense C. Mull. et Warnst.: Minas Gerais, Ouro Preto, em pântanos, janeiro de 1892, col. E. Ule nP 1288 (R). obs.: não tem etiqueta origi- nal, mas traz o nP 1288, cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 172 para material típico (todas as indicações que aqui constam foram extraídas do trabalho de Warnst). Sphagnum ovalifolium Warnst. var. angustatum Warnst.: Goiás, Serra Dou- rada, num ribeiro, janeiro de 1 893, col. E. Ule nP 625 (R), obs. : além do nP acima citado do coletor traz também a tinta o nP 1527 e a lápis o nP 57, cujas grafias pertencem a E. Ule. S. ovalifolium Wa.nst. var. homocladum Warnst.: Minas Ge- rais, Caraça, março de 1892, col. E. Ule nP 1297 (R). S. ovalifolium Warnst. var. robustior Warnst. et C. Mull.: Minas Gerais, Serra do Caraça, março de 1892, col. E. Ule nP 1295 (R), obs.: não traz etiqueta original, mas apenas o nP 1295, cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 168. S. ovalifolium Warnst. var. tinuissimum Warnst. et C. Mull.: Minas Gerais, Caraça, março de 1892, col. E. Ule nP 1303 (R), obs.: não traz etiqueta original, mas apenas o nP 1303 cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em 18 cm l SciELO/ JBRJ, 11 12 13 14 cm Hedwigia XXXVI, 1897, p. 168 (todas as indicações que aqui constam foram extraídas do trabalho de Warnst.) Sphagnum oxyphyllum Warnst.: Rio de Janeiro, Serra de Itatiaia, 2100m alt nas encostas, março de 1894, col. E. Ule nP473 (R), obs.:além do nPdo cole- tor acima citado traz a lápis o n9 1903, que é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 150. S oxyphyllum Warnst. var. nanum C. Mull. et Warnst.: Ser- ra de Itatiaia, 2300m alt., col. E. Ule nP 1744 (R), em março de 1894 e n9 325 em fevereiro de 1894, obs.: não traz etiqueta original, mas apenas o nP 1744 além do n9 citado acima de coletor, a lápis, cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 150 (todas as indicações que aqui constam foram extraídas do trabalho de Warnst. Sphagnum perforatum Warnst.: Rio de Janeiro, Serra de Itatiaia, 2000m alt., em pântanos, março de 1894, col. E. Ule nP338 (R), obs.: além do nPdo co- letor citado acima, há o nP 1757 a lápis, cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 169; Minas Gerais, Serra do Caraça, março de 1892, col. E. Ule nP 1296 (R), obs.: citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 169; Rio de Janeiro, Serra de Itatiaia, 2000m alt., março de 1894, col. E. Ule nP 1755 (R), obs .: não traz etiqueta original, mas apenas o nP 1755, cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 169 (todas as indicações que aqui constam foram extraídas do trabalho de Warnst. S. perforatum Warnst. var. rotundifolium Warnst.: Goiás, Serra do Piri- neus, em pântanos, agosto de 1892, col. E. Ule nP 626 (R), obs.: além do nPdo coletor acima citado, há os números. 1528 a tinta e 68 a lápis, cujas grafias perten- cem a E. Ule. Sphagnum platyphylloides Warnst.: Rio de Janeiro, Serra de Itatiaia, 2100 m alt., em pântanos, fevereiro de 1894, col. E. Ule nP 336 (R), obs.: além do nP do coletor acima citado, há o nP 1755 a lápis, cuja grafia pertence a E. Ule. Sphagnum pseudoacutifolium C. Mull et Warnst.: Rio de Janeiro, Serra de Itatiaia, 2000m alt., em pântanos, março de 1894, col. E. Ule nP 326 e nP 1745 (R), obs.: não traz etiqueta original, além dos números do coletor acima citados, há o nP 1745 a lápis, cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 149 para material típico (todas as indicações que aqui constam foram extraídas do trabalho de Warnst). Sphagnum purpuratum C. Mull.: Santa Catarina, Laguna, novembro de 1889, co. E. Ule s.n. (R), det. C. Muller, obs.: etiqueta original de E. Ule, Bryotheca Brasiliensis. Sphagnum ramulinum Warnst.: Minas Gerais, Serra de Ouro Preto, março de 1892, col. E. Ule nP 1304 (R), obs.: material típico. Sphagnum recurvum P. Beauv.: Rio de Janeiro, Serra dos Órgãos, em pân- tanos, agosto de 1899, col. E. Ule s.n. (R). S. recurvum P. Beauv. var. amblyphyllum 19 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. Russ.: Minas Gerais, Caraça, março de 1892, col. E. Ule nP 1293 (R), obs. : citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 156; Minas Gerais, Ouro Preto, janeiro de 1892, col. E. Ule nP 1292 (R), obs.: citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 156; Rio Grande do Sul, Porto Alegre, Canoas, em pântanos na área de vegetação umbrófila. 3-10-1892, col. C. A. M. Lindman B— 91 (R), obs.: etiqueta original do herbário Brasil. Regnell. Musei Bot. Stockholm. Exped. Imae. Regnellian. Musei B— 9 1 ; Rio de Janeiro, Serra de Itatiaia, 2100m alt., março de 1894, col. E. Ule nP 1738 (R), obs.: não traz etiqueta original mas apenas o nP 1738, cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897. p. 156 (todas as indicações que constam desta ficha foram extraídas do tra- balho de Warnst.) S. recurvum P. Beauv. var. pulchricoma (C. Mull.) : Rio de Janei- ro, Serra de Itatiaia, 1900-2200m alt. março de 1894, col. E. Ule nP 1737, obs.: não traz etiqueta original mas apenas o nP 1737, cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1 897, p. 1 56. Sphagnum rotundatum C. Mull et Warnst.: Rio de Janeiro, Serra de Ita- tiaia, 2100m alt. em pântanos, março de 1894, col. E. Ule nP341 (R). obs. : além do nP do coletor acima citado, há o nP 1760 a lápis, cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI. 1897, p. 162 para material típico. Sphagnum rotundifolium C. Mull. et Warnst.: Rio de Janeiro. Serra de Ita- tiaia, 2100m alt. em pântanos, março de 1894, col. E. Ule nP337 (R), obs.: além do nP do coletor acima citado, há o nP 1756 a lápis, citado por Warnst. em Hedwi- gia XXXVI 1897, p. 160 para material típico. Sphagnum subovalifolium C. Mull. et Warnst.: Rio de Janeiro, Serra de Ita- tiaia, 2300m alt., em rochedos úmidos, março de 1894, col. E. Ule nP 335 (R). obs.: além do nPdo coletor aicma citado, há o nP 1754 a lápis, cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 163 para material típico. S subovalifolium C. Mull. et Warnst. var. pumilum C. Mull. et Warnst.: Rio de Janeiro, Serra de Itatiaia, Agulhas Negras, 2400m alt., em rochedos, março de 1894, col. E. Ule nP 331 (R), obs.: além do nP do coletor acima citado, há o nP 1750 a lápis, cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 164 para material típico. Sphagnum subundulatum C. Mull. et Warnst.: Minas Gerais, Serra de Ouro Preto, janeiro de 1892, col. E. Ule nP 1298 (R), obs.: não traz etiqueta original, mas apenas o nP 1298 cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 153 para material típico (todas as indicações que aqui constam foram retiradas do trabalho de Warnst). Sphagnum turgescens Warnst.: Goiás, Serra dos Pirineus, agosto de 1892, col. E. Ule nP 628 (R), obs. : além do nP acima citado para o coletor, há os núme- ros 59 a lápis e 1530 a tinta, cuja grafia pertence a E. Ule. Sphagnum vesiculare C. Mull et Warnst.: Minas Gerais, Itacolomi, sobre pe- dras úmidas, fevereiro de 1892, col. E. Ule nP 1301 (R), obs.: não traz etiqueta 20 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm original, mas apenas o nP 1301 cuja grafia pertence a E. Ule e é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 174 para material típico. Sphagnum weddelianum Besch.: Minas Gerais, Serra de Ouro Preto, feve- reiro de 1892, col. E. Ule nP 1300 (R), obs.: citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 175; Rio de Janeiro, Serra de Itatiaia, 2300m alt., nas encostas, março de 1894, col. E. Ule nP 342 (R), obs.: além do nP do coletor acima citado, há o nP 1761 a lápis, que é citado por Warnst. em Hedwigia XXXVI, 1897, p. 175; Rio de Janeiro, perto de Mauá, em pântanos, 14-9-1895, col. E. Ule s.n. (R);Rio de Janeiro, Serra dos Órgãos, em pântanos, agosto de 1899, col. E. Ule s.n. (R); Rio de Janeiro, Pico da Tijuca, em rochedos, julho de 1899, col. E. Ule s.n. (R); Rio de Janeiro, Itatiaia, Retiro, em arbustos, 26-5-1902, col. P. Dusén nP 124 (R); Rio de Janeiro, Mauá, 1875, obs.: etiqueta original do Herb. Schwacke nP 908 (além dessa etiqueta há outra do herbário J. de Saldanha nP6610); Rio de Janeiro, Campo das Antas, Teresópolis, 2100m alt., cols. L. E. Mello, Frota Pessoa e Alci- des L. Gomes ( R ) ; Rio de Janeiro, Petrópolis, Morro do Morim, em lugares úmi- dos, 26-3-1879, col. Glaziou (R), obs.: herbário de J. de Saldanha nP 5266, São Paulo, Serra da Bocaina, setembro de 1879, obs.: etiqueta original do herbário Schwacke nP 1966 (além dessa etiqueta há outra do herbário J. de Saldanha nP 6608); Rio de Janeiro, Paineiras, ao lado do encanamento, 26-9-1880, cols. J. Sal- danha, Glaziou e Franklin (R), obs.: etiqueta do Gabinete de Botânica da Escola Politécnica nP 5496 e do herbário J. de Saldanha; Rio de Janeiro, perto de Cabo Frio, em brejos, outubro de 1 899, col. E. Ule s.n. (R). AGRADECIMENTO O Autor agradece ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico a Bolsa, que lhe permitiu realizar o presente trabalho. ABSTRACT Brazilian localities of occurence of some families of Bryophyta, based on data obtained in herbarium plant material of the Museu Nacional and Jardim Bo- tânico of Rio de Janeiro are related. The data of many duplicates of specimens collected by E. Ule, destroyed last war in Botanisches Museum of Berlin-Dahlen, preserved in the Herbarium of the Museu Nacional of Rio de Janeiro are given in this paper. 21 SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 cm .. BIBLIOGRAFIA BROTHERUS, H., 1895. Beitrage zur Kenntniss der Brasilianischen Moosflora, in Hedwigia XXXVI, 130 p.p. ULE, R., 1899. Die Verbreitung der Torfmoose umd Moose in Brasilien, in Engler Bot. Jahrb. XXXVI, 238 p.p. VATTIMO, ÍTALO DE, 1968. Notas Fitogeográficas - 1 : Lista das Espécies Sul- -Americanas de Spahgnaceae (Bryophyta-Musci), in Atas da Sociedade de Biologia do Rio de Janeiro, vol. 12. n°3. págs. 97-103. VATTIMO, ITALO DE, 1970. Notas Fitogeográficas - II : Localidades Sul-Ame- ricanas de Sphagnaceae (Bryophyta-Musci). in Atas da Sociedade de Biologia do Rio de Janeiro, vol. 13 números 5 e 6, págs. 161-165. WARNSTORF, C. 1894. Cryptogamae centrali-americanae in Guatemala, Costa Rica, Columbia et Ecuador a cl. F. Lehmann lectae. in Buli. Herb. Boissier II : 6. WARNSTORF, C., 1906 Neue Sphagna aus Brasilien. in Beihefte zu Bot. Centralbl. XX : 128-139. WARNSTORF, C., 1911 Sphagnales-Sphagnaceae, in Engler Pflanzenreich 51 : 454 p.p. 22 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm levantamento dos tipos do herbário do jardim botânico do RIO DE JANEIRO LEGUMINOSAE-MIMOSOIDEAE II VÂNIA PERAZZO BARBOSA FEVEREIRO* PAULO CESAR AYRES FEVEREIRO* CORDÉLIA LUIZA BENEVIDES DE ABREU* INTRODUÇÃO Em continuação aos trabalhos de levantamento dos tipos das Leguminosae Mimosoi- dea do Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro, apresentamos desta vez o gênero Parkia R. Br., seguindo o mesmo critério anteriormente adotado. Relação do material estudado: 1. Parkia alliodora Ducke - RB 50.719 2. Parkia decussata Ducke - RB 23.262, 23.263 3. Parkia gigantocarpa Ducke - RB 10.215 4. Parkia igneiflora Ducke - RB 23.261 5. Parkia igneiflora Ducke var. aurea Ducke - RB 35.088 6. Parkia igneiflora Ducke var. purpurea Ducke - RB 23.259, 23.260 7. Parkia ingens Ducke - RB 16.860, 16.861, 16.862, 10.220 8. Parkia inundabilis Ducke - RB 35.089 9. Parkia parviceps Ducke - RB 35.090 10. Parkia reticulata Ducke - RB 16.859 Jardim Botânico do Rio de Janeiro e Bolsista do CNPq. Rodriguésia Rio de Janeiro Vol. XXX - N° 45 1978 23 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm 1. Parkia alliodora Ducke (Foto 1) Ducke, Boi. Tecn. Inst. Agron. Norte Pará 2:9.1944 “Habitar in silvis primariis solo argiloso non inundabili. Haud infrequens circa Esperança ad ostium fluminis Javary (5-11-1942. Ducke 1015); prope São Paulo de Olivença visa.” EXEMPLAR RB 50.719 - HOLÓTIPO 1? SCHED.: N° 50.719 Pam. Leg. Min. Nome scient. Parkia alliodora Ducke n. sp. Procedência Amazonas - Esperança mat. t.f. Observações arv. entre as maiores — fl. toda branca - a casca tem cheiro de alho podre. Collegit A. Ducke 1015 Data 5-2-1942 2? SCHED.: Esperança Matta da t. f. 5-2-42 A. D. Árvore entre as maiores; flores todas brancas. A casca tem cheiro de alho podre. D 1015 2. Parkia decussata Ducke (Foto 2 e 3) Ducke, Notzbl. Bot. Gart. Berlin 1 1 : 472.1932. “Brasília: Habitat in silvis non inundatis, in civitate Amazonas prope Rio Negro supenorem su- per affluentem Curicuriary (23. Nov. 1929 florifera et cum fructibus vetustis - Herb. Jard. Bot. Rio n. 23262; dupl. in Herb. Berol, et aliis); ad Manaos (Jan. et Pebr. florens - Herb. Jard. Bot. Rio n. 23263; dupl. in Herb. Berol. etc.); prope Tabatinga et São Paulo de Olivença (in regione fluvii Solimões) visa - In civitate Pará ad limen occidentale prope Juruty Velho (27 Mai. 1927 fructibus maturis Herb. Jard. Bot. Rio n. 20185; dupl. in Herb. Berol.) - Specimina omnia legit. A. Ducke.” A) EXEMPLAR RB 23262 - SÍNT1PO 1? SCHED.: N° 23262 Data 23-1 1-1929 Nome scient. Parkia decussata Ducke n. sp. Procedência Iucaby, Alto Rio Negro, Amazonas. Collegit A. Ducke. 2? SCHED.: Rio Negro acima do afll. Curicuriary; Matta da t. f. perto do sito Iucaby. 23-11-1929 A. D. Arv. grande, fl. brancas, as da base avermelhadas. B) EXEMPLAR RB 23263 - SÍNTIPO 1? SCHED.: N sendo circinado somente em H. spatho-circinada A bractea mals m en r P fértil ou estéril numa mesma espécie, com o ápice apenas aguça o ou ° vários graus, chegando a se continuar por uma verda eira o ia, 0 ^ . a sua natureza de bainha. Quando as brácteas são cim^ 1 ° r ™“’ p ° rarrpiroS) lo de água na cavidade, razão pela qual alguns autores (S chamam de aquáticas as flores de espécies onde isto ocorre. FLORES - São protegidas por bractéolas cimbiformes ou planas, assimé- tricas em vários graus, com a nemira mediana em geral bem marcada^ glabras ou pilosas apenas na nervura mediana ou em toda a tace orsa como em . episcopa lis; geralmente são translúcidas mas podem ser opacas e coloridas em tons discre- tos de creme ou amarelado. O perianto, geralmente reto, pode ser curvo em poucas espécies, mas nunca gcniculado como em H. latispatha Benth. ou H. glauca oit. ex er o . Apesar das flores de Heliconia serem homoclam ideas, podemos distinguir perfeiramente os seus dois veticilos: os três tépalos externos que seriam os sepa- los, e os três tépalos internos, correspondentes aos petalos. Todos sao carnosos, unidos na base, densamente hirsutos em H. aemygdiana Burle Marx e, nas outras espécies, são glabros ou apenas um pouco pilosos nas margens ápices e nervuras medianas. São longitudinalmente estriados, com utnculosde rafideos e células de tanino. Os externos são, em geral, carenados, com as nervuras pouco acentuadas, livres apenas no ápice ou o dorsal üvre quase até a base; os tres internos nao são carenados. são livres apenas no ápice e apresentam as nervuras fortemente marca- das. 111 SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 Os estames são sempre cinco, com filetes em geral um tanto triquetros, de base alrgada e aderentes à base dos pétalos, retos ou geniculados na base, glabros; as anteras (Fig. 3) são lineares com as tecas de deiscência longitudinal e base geral- mente bem inequilátera como em H. lacletteana ou as vezes quase regular como em H. citrina; entretanto, esse caráter não é constante e podemos encontrar, na mes- ma flor, alguns estames com as tecas de base inequilátera e outros com as tecas de base regular como ocorre algumas vezes em H. aemygdiana. Presa à base do sépalo dorsal aparece uma estrutura de origem discutida que, para a maioria dos autores, é um estaminódio. Em 1972, MELLO FILHO lan- çou uma nova teoria, considerando essa estrutura como sendo o vestígio de uma flor; segundo ele. a flor de Heliconia está “representada por um conjunto de duas flores, uma funcional e outra reduzida e inclusa, envolta pelo perianto da flor normal”. A esse conjunto deu o nome de “dianthos”. Esse “estaminódio" (Fig. 4-5), apresenta uma razoável diversidade morfo- lógica; quanto â forma geral é linear, lanceolado ou oblongo, de ápice obtuso ou variadamente aguçado, com a margem inteira ou lobada na base, liso em ambas as faces ou marsupiado na face ventral, apresentando apêndices em H. aemygdiana. A presença ou ausência da “bolsa” na face ventral dos “estaminódios”, quase sempre acompanha a forma das brácteas. Assim, as espécies com as brácteas cimbiformes possuem os “estaminódios” não marsupiados e aquelas com brácteas lanceolado-conduplicadas os têm marsupiados. A única exceção é H. aemygdiana, que possui brácteas perfeitamente lanceolado-conduplicadas e estaminódio não marsupiado; entretanto, é a única espécie estudada que apresenta apêndices no “estaminódio". O estilete é triquetro, em geral com os ângulos bem marcados ou às vezes quase alados, podendo ser reto ou curvado na base ou no ápice, com o estigma (Fig. 6) um tanto capitado e, em geral, um pouco bilabiado, apresentando seis a oito fendas. O ovário é sempre infero, trilocular, tricarpelar e uniovulado por lócu- lo, com o ápice truncado e marcado por uma cicatriz deixada pela queda do pe- rianto. Entre os lóculos aparece uma sutura intercalar, vista nitidamente em corte transversal, que permanece durante o desenvolvimento do ovário até o fruto e por onde, provavelmente, se dá a separação das sementes. Nenhuma das espécies estu- dadas apresenta o ovário completamente piloso;ele é totalmente glabro ou possuê pêlos apenas nos ângulos. A flor de Heliconia é caracterizada por ter uma orientação invertida em re- lação às flores dos outros gêneros de Musaceae s. I., apresentando o sépalo ímpar em posição dorsal, enquanto que, nos outros gêneros, ele se apresenta em posição ventral. Também o "estaminódio”, acompanha essa torsâo: em Heliconia ele é oposto ao sépalo ímpar e está situado no verticilo externo, enquanto que, nos ou- tros gêneros, o "estaminódio" ou o “locus" do estame abortado é oposto ao interva- lo entre os sépalos restantes e está situado no verticilo interno, como pode ser observado nos seguintes diagramas: 112 SciELO/JBRJ ^ *8- 3: Base irregular das anteras: A — H. aemygdiana; B — H. lacletteana; C — H. sam- paioana; D - H. velloziana; E - H. citrina; P - H. episcopalis. 113 CO Essa orientação invertida estaria relacionada com a polinização (Rendle) e a posição r ° tsal do «paio ímpar facilitaria o trabalho dos beija-flores, principais polinizadores do gêne- 115 Fig. 4: Estaminódios marsupiados (face ventral): A - H. angusta (b - bolsa); B - H. la- cleiteana; C - H. citrina; P - H. fluminens.s; E - H. laneana var. laneana. 117 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm É u m O t-ig. 5: istaminódios não marsupiados (face ventral): A H farmosa; : - H. aemygdiana (a - apêndices); D - H. spathocircinada, E - B - H. velloziana; H. episcopalis. 119 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 Eig. 6: Estigmas: A - H. faiinosa; B - H. laneana var. laneana; C - H. lacletteana; D - H. episcopalis; E - H. aemygdiana; E - H. laneana var. flava; G - H. fluminensis. 121 cm FRUTO - (Fig. 10 - 13) - É uma drupa trispérmica (às vezes com menor número de sementes, por aborto), trígona, com os três ângulos em geral arredon- dados, porém irregulares e mesmo aliformes em H. aemygdiana; a cicatriz deixada pelo perianto, e que se acentua no fruto, tem uma forma mais ou menos triangu- lar, apresentando-se ressaltada ou plana em relação à superfície do ápice do fruto. Acompanhando o desenvolvimento do ovário (fig. 7 — 9), é possível distin- guir perfèitamente a diferenciação da parede do fruto em epicarpo, mesocarpo e endocarpo. No ovário, a camada mais externa, que vai formar o epicarpo de cor azul ou arroxeada, está constituída por uma delgada camada de células cutiniza- das; a região mediana, que se transformará no mesocarpo esbranquiçado, é relati- vamente espessa, formada por parênquima, onde ocorrem idioblastos com feixes de rafídeos e feixes vasculares sem uma disposição padronizada; a camada mais interna, que vai formar o endocarpo, é constituída por uma mistura de fibras e cé- lulas de parênquima que se tornam esclerosadas à medida que o ovário vai-se de- senvolvendo em fruto. Esse endocarpo pétreo acompanha as sementes, constituin- do três pirênios (fig. 14), caracterizados pela micrópila fechada por um opérculo por onde sai a radícula na época da germinação. Geralmente são de superfície ma- melonada, muito irregular em H. episcopalis, H. sampaioana e H. velloziana e me- nos irregular nas outras espécies sendo quase regular em H. aemygdiana. O embrião é reto, basal e envolvido por abundante endosperma farináceo. O fruto de Heliconia tem sido descrito como cápsula, esquizocarpo ou, mais frequentemente, como baga. Entretanto, a presença de um mesocarpo carnoso e de um endocarpo pétreo que acompanha as sementes, caracteriza uma drupa. Na realidade não há uma deiscência natural do fruto; apenas as sementes, envolvi- das pelo endocarpo, se separam em três pirênios quando retiramos o mesocarpo ou. naturalmente, quando os tecidos mais externos se desintegram. 123 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 Pig. 7: Corte transversal do ovário: (H. laneana var. laneana) A —detalhe da parede mostran- do a diferenciação dos tecidos; B — detalhe do lóculo com óvulo. 125 cm 1 SciELO/JBRJ 50 jí l ig. 8: Corte longitudinal do ovário: (H. laneana var. laneana) A _B - detalhes da parede do lóculo, óvulo e camadas do ovário; C — detalhe da camada interna. 127 SciELO/JBRJ 0,25cm D 0,25cm Fig. 9: (H. laneana var. laneana): Corte transversal: A - ovário jovem; b - fruto jovem; C — fruto com uma das sementes abortada. Corte longitudinal : D — truto com uma semente. 129 cm 1234 SciELO/ JBRJ 0,25cm 0,25cm cm 1 ; SciELO/ JBRJ 0,5cm 0,5cm ig. 10: Fruto e cicatriz (C) deixada pela queda do perianto: A - H. aemygdiana; B - H. an- gusta. 0,5cm 0,5cm cm 1 .SciELO/ JBRJ 0,5cm 0,5cm Fig. 1 1 : Fruto e cicatriz (C) deixada pela queda do perianto: A minensis. H. episcopalis; B - H. flu- 0,5cm cm l ISciELO/JBRJ 0,5cm 0,5cm 0,5cm 0,5 cm Hg. 12: Fruto e cicatriz (O deixada pela queda do perianto: B - H. spatho-circinada. A - H. laneana var. laneana; cm 1 ,SciELO/ JBRJ 0,5cm 0,5cm ig. 13: Fruto c cicatriz (C) deixada pela queda doperianto: A - H. sampaioana; B - H. veUozUna 0,5cm t 0,5cm I-ig. 14: Pirènios mostrando o opérculo (o): A - H. angusta; B - H. fluminensis; C - H. la- neaija var. laneana; D - H. aemygdiana; E - H. episcopalis; E - H. sampaioana; G - H. velloziana. cm SciELO/JBRJ 139 cm 4.1.2 — PALINOLOGIA Descrição Geral : Gãos de pólen radialmente simétricos, heteropolares, de tamanho médio a grande (diâmetro maior de 57,45/a à 129,60/i), esféricos, prolato-esferoidais ou oblato-esferoidais; exina intectada, irregular espessa (1,50/i à 6,90/i), diferenciá- vel em sexina e nexina; ectosexina espiculada, endosexina baculada. Segundo a literatura, em Heliconia há apenas raros vestígios de uma aber- tura distai simples; entretanto, em H. lacletteana e H. laneana var. laneana, encon- tramos uma abertura que parece ser intermediária entre os tipos monosulcado e diulcado, constituída por um pseudosulco, formado por uma invaginação da exi- na, trazendo um poro em cada extremidade. Nas outras espécies estudadas não conseguimos observar aberturas, porém, em H. farinosa encontramos grãos germinando, sem haver aberturas aparentes, ape- nas observamos a formação de invaginações da exina, semelhantes a poros onde irrompe o tubo polínico. H. aemygdiana Burle Marx (Fig. ISA) Forma: prolato-esferoidal Tamanho: grande 69,75 /i ± 3,65 /i E: 68.55 /i ± 3.03 /z Exina: irregular, variando de 3,37 /a à 4,72 /i Sexina: espessa, baculada Nexina: delgada H. angusta Vell. (Fig. 15B) Forma: esférico Tamanho: grande Exina: irregular, variando de 4.50 /i à 5,85 /a Sexina: espessa, baculada Nexina: delgada H. citrina L. Em. & Em. Santos (Fig. 15C) P: 71,70 /a ± 2,04 /a E: 71,55 /a ± 1,43 /a Forma: prolato-esferoidal Tamanho: grande 72,90 /a ± 2,70 /r E: 71,17/a ± 6,32 /a Exina: quase regular, variando de 4,20 /a à 4,87 /a Sexina: espessa, baculada Nexina: delgada 141 ; SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm Hg. 15: Grlo de pólen: A - H. aemygdiana; B - H. angusta; C - H. citrina. 143 ■SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. H. episcopalis Vell. (Fig. 16A) Forma: esférico Tamanho: grande P: 85,20 n ± 3,72 /a E: 85,20 /a ± 3,70 /a Exina: quase regular, variando de 6,45 /a à 6,90 /a Sexina: muito espessa, baculada Nexina: delgada H. farinosa Raddi (Fig. 16B) Forma: oblato-esferoidal Tamanho: grande P: 77,77 /a ± 5,1 5 ja E: 77,85 m ± 4,21 /a Exina: regular, 3,90 n Sexina: espessa, baculada Nexina: delgada H. fluminensis L. Em. & Em. Santos (Fig. 16C) Forma: prolato-esferoidal Tamanho: grande P: 57,45 /a ± 3,23 /a E: 56,85 /a ± 3,48 /a Exina: regular, 2,47 ja Sexina: espessa, visivelmente baculada Nexina: delgada 145 SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 SciELO/JBRJ cm 1 30 íí 30 fi 30 /i Fig. 16: GrSo de pólen: A - H. episcopalis; B - H. farino sa (tp-tubo plínico) C - H. flumi- nensis. 30 fJ ' 307 cm .. H. lacletteana L. Em. & Em. Santos (Fig. 17A) Forma: esférico Tamanho: grande p ; 66,00 /j ± 3,42 n E: 66,55 /u ± 3,70 n Exina: irregular, variando de 3,07 /i à 4,05 /u Sexina: espessa, visivelmente baculada Nexina: delgada H. laneana var. flava (Barr.) Em. Santos (Fig. 17B) Forma: oblato-esferoidal Tamanho: grande P: 54,00 /u ± 2,32 ju E: 54,10/u + 2,22 n Exina: regular, 1 ,50 Sexina: muito delgada, baculada Nexina: equivalente à sexina H. laneana Barr. var. laneana (Fig. 17C) Forma: esférico Tamanho: grande P: 63,00 /u ± 3,00 /u E: 62,70 n ± 3,27 » Exina: irregular, variando de 4,20 n à 4,65 /u Sexina: espessa, visivelmente baculada Nexina: delgada 149 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. C Hg 17: Grão de pólen: A - H. lacletteana; B - H. laneana var. flava; C - H. laneana var. laneana. 30 fi 151 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. H. rivularis L. Em & Em. Santos (Fig. 18A) Forma: oblato-esferoidal Tamanho: grande P: 64,25 /r ± 6,43 /u E: 66,80 H ± 7,29 U Exina: regular, 2,70 /J Sexina: espessa, baculada Nexina: delgada H. sampaioana L. Em. (Fig. 1 8B) Forma: oblato-esferoidal Tamanho: muito grande 1 28.55 p ± 1 1 ,59 ^ E: 129,60 /J ± 11,68 M Exina: regular, 4.80 /J Sexina: espessa, baculada Nexina: delgada H. spatho-c irei nada Arist. (Fig. 18C) Forma: oblato-esferoidal Tamanho: grande **• 84,1 5 ± 4,97 n E: 85,05 /i ± 4,95 Exina: pouco irregular, variando de 3,15 H à 3,22 /i Sexina: espessa, visivelmente baculada Nexina: delgada 153 SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 30 fi 30 ft 30 n 30 fj I ig. 18: Grão de pólen: A - 30 M H. rivuUris; B - II. sampaioana; C - H. spatho-circinada. 30 ix H. velloziana L. Em. (Fig. 19) Forma: esférico Tamanho: grande P: 65,40 jí ± 2,43 p E: 65,20 /a ± 2,09 u Exina: pouco irregular, variando de 3,67 /j à 3,90 n Sexina: espessa, visivelmente baculada Nexina: delgada 30 m Fig. 19: GrSo de pólen: H. velloziana 157 ISciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. Diâmetro Polar (/d ) Diâmetro Equatorial (fx) D. P. M. F. Var. Int. Conf. 95% D. E. M. F. Var. Ins. Conf. 95% i T3 H. aemygdiana 69,75 3,65 68,16 - 71,34 68,55 3,03 67,24 - 69,86 ° 32 es o H. citrina 72,90 2,70 71,72 - 74,08 72,15 6,32 69,39 - 74,91 £ tS V H. fiuminensis 57,45 3,23 56,04 - 58,86 56,85 3,48 55,35 - 58,35 H. angusta 71,70 2,04 70,80 - 72,59 71,35 1.43 70,92 - 72,17 II. episcopalis 85,20 3,70 83,60 - 86,80 85,20 3,70 83,60 - 86,80 _o 'V 11. lacletteana 66,00 3,42 64,52 -67,48 65,55 3,39 63,95 - 67,15 w II. laneana var. laneana 63,00 3,00 61,69 - 64,31 62,70 3,27 61,27 - 64,13 11. velloziana 65,40 2.43 64,35 - 66,45 65,20 2,09 64,30 - 66,10. II. farinosa 77,77 5,15 75,52 - 80,02 77,85 4,21 76,01 - 79,69 c* o H. laneana var. flava 54,00 2,32 53,01 - 54,99 54,10 2,22 53,14 - 55,06 £ V II. rivularis 64,25 6,43 61,45 - 67,05 66,80 7,29 63,61 - 69,99 O — 3 11. sampaioana 128.55 1 1,59 123.48 - 133,62 1 29,60 11,68 124,49 - 134,71 o 11. spatho-circinada 84,15 4,97 81,98 - 86,32 85,05 4,95 82,90 - 87,20 Tab. 1 - Valores numéricos dos grãos de pólen: D.P.M. - diâmetro polar médio; F. Var. - faixa de variação; Int. Conf. - intervalo de confiança; D.E.M. - diâmetro equatorial médio. SciELO/ JBRJ 15 16 17 18 19 20 21 22 cm .. 4.2 - DISTRIBUIÇÃO GEOGRÁFICA 0 gênero Heliconia compreende mais de 250 espécies, que apresentam uma distribuição binuclear: o núcleo mais importante, distribuído pela região neotropi- cal, do norte do México ao sul do Brasil, reúne a quase totalidade das espécies. O outro, localizado a leste do Oceano Pacífico, reúne umas poucas espécies, insu- lares endêmicas (Nova Guiné, Fidji, Samoa. Ilhas Salomão e Nova Caledónia). Das espécies aqui estudadas, apenas H. episcopalis, H. spatho-circinada e H. aemygdiana têm uma distribuição geográfica ampla, ocorrendo desde o Perú, Colombia, Venezuela e Guianas até o sudeste do Brasil. Das outras espécies restan- tes, seis são rigorosamente endêmicas: H. angusta, H. citrina, H. farinosa, H. flumi- nensis, H. lacletteana e H. sampaioana. A espécie mais meridional do grupo neotrópico - H. velloziana - tem sido colecionada do Rio de Janeiro até o Rio Grande do Sul. sempre no pendente da Serra do Mar, voltado para o Atlântico. A ocorrência mais austral de Heliconia corresponde a um colecionamento feito por Antonio Tavares Quintas, no Morro da Polícia, em Porto Alegre. Na região fluminense, o limite altitudinal máximo de ocorrência das espé- cies é 1 .OOOm, atingido apenas por três espécies: H. angusta, H. laneana var. lanea- na e H. sampaioana. A faixa de maior ocorrência das espécies fluminenses está en- tre os 300 e 600m, onde são encontradas quase todas as espécies, sendo exceção apenas H. episcopalis que não ultrapassa os 100m de altitude. 4.3 - TRATAMENTO TAXINÓMICO 4.3.1 - SUBDIVISÃO DO GÊNERO Kuntze, em 1891, foi o primeiro autor a dividir o gênero Heliconia quando fundou o subgênero Taeniostrobus (tipo: Bihai imbricata Ktze.), englobando as es- pécies de grande porte e com brácteas marcadamente cimbiformes. Em 1893, PAKER fundou outro subgênero - Stenochlamys (tipo: Bihai psittacorum (L. f.) Ktze.), incluindo as espécies de pequeno porte e com brácteas lanceolado-conduplicadas. Ignorando a classificação de KUNTZE, BAKER fundou ainda outro subgênero - Platychlamys (tipo: H. bihai (L.) L.) incluindo as espé- cies com brácteas profundamente cimbiformes e que, em 1900, foi colocado por SC HUM AM, em sinonímia de Teaniostrobus Ktze. 160 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm Altitude em Metros i O o i o o o ri 1 O o 200 - 300 O o Tf 1 o o CO o o IO 1 o o Tf 500 - 600 o o 1 o o o o o 00 1 O o c~^ 800 - 900 o o o 1 o o ON H. aemygdiana X X X X H. angusta X X X X X X M. citrina X X H. episcopalis X H. farinosa X X X H. fluminensis X H. lacletteana X H. laneana vai. laneana X X X X X H. laneana var. flava X X H. rivularis X X H. sampaioana X X X H. spatho-circinada X X X X X X H. velloziana X X X X X X Tab. 2 - distribuição altitudinal das espécies de Heliconia, na região fluminense. 161 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. Aplicando as leis de nomenclatura, teremos o gênero Heliconia assim divi- dido: Subg. 1 - Heliconia (sinônimos: Taeniostrobus Ktze. e Platychlamys Baker) — tipo: H. bihai (L.) L. Subg. II - Stenochlamys Baker - tipo: H. psittacorum L. f. GRIGGS, em 1915, manteve os subgéneros de KUNTZEe BAKER subdi- vidindo-os em séries: Subg. Taeniostrobus: Série: Episcopalis - inflorescências com brácteas fortemente im- bricadas e caducas. Série: Imbricatae - inflorescências com brácteas fortemente im- bricadas, porém persistentes. Série: Pendulae - plantas com inflorescências pêndulas. Série: Champneianae - inflorescência com flores exsertas. Subg. Stenochlamys: Série: Cannoideae — plantas com hábito canóideo. Série: Distantes - plantas de tamanho médio, com hábito musói- deo. As classificações de KUNTZE e BAKER, em subgéneros, têm sido manti- das até o presente, porém não constituem uma divisão muito satisfatória porque, grande número de espécies se mantém intermediárias, principalmente quando se trata da relação porte e brácteas. H. aemygdiana, por exemplo, é de grande porte mas possui as brácteas perfeitamente lanceolado-conduplicadas. A classificação em séries, feita por GRIGGS, apesar de não ter sido citada em trabalhos posteriores, facilitaria um pouco a separação de parte das espécies, mas ainda não é a ideal, principalmcnte porque mistura caracteres e, como parte dos subgéneros de KUNTZE e BAKER, naturalmente falha na primeira tentativa de colocação de determinadas espécies. Estudando apenas as espécies encontradas na região fluminense, não nos é possível esclarecer esse problema; é necessário que se estude mais profundamente o gênero, para que se tente fazer uma divisão viável frente à diversificação morfo- lógica das espécies. 4.3.2. - DESCRIÇÃO DO GÊNERO HELICONIA L - Linneu, Mant. 2: 147. 1771, nom. conserv.; Jussieu, Gen. Pl.:61. 1789; Endlicher, Gen. Pl. 1: 228. 1837; Bentham in Benth. et Hook. Gen. Pl. 3: 655. 1883; Horan., Prodr. Monogr. Scitam,: 38. 1862; Petersen in Engler und Prantl, Pflanzenf. 2 (6): 9. 1889 et in Mart., Fl. Bras. 3 (3): 8. 1890; Baker. Ann. Bot. 7: 189. 1893; Schumann in Engler, Pfianzenr. (IV) 45: 33. 1900; Standley. Contr. Nat. Herb. 27: 1 16. 1928; Winkler in Engler und Prantl, Pflanzenf. 2 Auf. • Em alusão ao Monte Hélicon, na Grécia, onde se eleva um santuário dedicado âs Musas. 162 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm 15? : 536. 1930; Lemée, Dict. Descriptif 3: 501. 1931; Woodson. Ann. Miss. Bot. Gard. 32 (1): 48. 1945; Rodriguez. Boi. Soc. Cienc. Nat. 15 (81): 1 17. 1954; Lane. Mitt. Staatsmml. 13:124. 1955; Aristeguieta, Gen. Helic. Venez.: 3. 1961. Bihai Mill. ex Adans., Fam. Pl. 2:67. 1763. Heliconiopsis Miq., Fl. Ind. Batav. 3: 590. 1858. Bihaia O. Ktze., Rev. Gen. Pl. 2: 684. 1891. Plantas herbáceas, rizomatosas e sem caules aéreos. Folhas dísticas ou espiriladas, com bainhas convolutas formando um pseudocaule que pode alcan- çar até cerca de 12m de altura; pecíolos longos ou curtos, com ou sem manchas próximo à base da lâmina; lâminas lanceoladas ou linear-lanceoladas até largamen- te elíticas, de ápice agudo ou acuminado, base inequilátera ou nâo, margem inteira ou variadamente laciniada, glabras, pilosas ou pruinosas, com a nervura mediana fortemente canaliculada na face ventral e saliente na face dorsal. Inflorescências pedunculadas ou sésseis, terminais ou muito raramente late- rais, eretas ou pêndulas, constituídas por cimeiras escorpióides ou helicóides, com- postas de fascículos pauci ou multifloros, protegidos por brácteas variadamente coloridas; raque escorpióide ou helicoidal, mais raramente quase reta, glabra ou di- versamente pilosa, totalmente coberta pela base das brácteas ou com os entrenós aparentes em diversos graus; brácteas côncavas ou às vezes quase planas, imbrica- das ou náo, patentes ou reflexas, de ápice agudo ou acuminado, reto ou circinado, em geral perenes ou muito raramente caducas. Flores pediceladas ou suhsésseis, hermafroditas, zigomorfas, esverdeadas, brancas ou amareladas até vermelhas, to- tal ou parcialmente inclusas nas brácteas; bractéolas translúcidas ou opacas, bran- cas, amarelas, rosadas ou cor de palha, planas ou cimbiformes, longitudinalmente nervadas, glabras ou variadamente pilosas; perianto reto, curvo ou geniculado, glabro ou variadamente piloso, os sépalos em geral carenados, unidos quase até ao ápice ou o dorsal livre em vários graus, ereto ou reflexo, os pétalos náo carenados, quase totalmente unidos, geralmente retos ou às vezes reflexos; ovário 3— locular ou 2-1 - locular por aborto. Fruto drupa que se contrai ao secar e se divide em três pirênios (às vezes menos por aborto), com o endocarpo impregnado de sílica, deixando a regiío da micrópila delimitada por um opérculo. Espécie típica: Heliconia bihai (L.) L. 4.3.3. - CHAVE PARA AS ESPÉCIES FLUMINENSES Brácteas imbricadas, caducas 1 . H. episcopalis Brácteas não imbricadas, persistentes Brácteas cimbiformes Raque e brácteas helicóides Ápice das brácteas circinado; 1-2 flores exsertas 2. H. spatho-circinada Ápice das brácteas não circinado; 4-7 flores exsertas 3. H. rivularis Raque escorpióide, brácteas dísticas Inflorescéncia adulta com brácteas hirsutas 4. H. sampaioana 163 SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. Inflorescência adulta com brácteas glabras Planta robusta (até 5m); inflorescência 25-70 cm de comprimento; 7-14 brácteas; fo- folhas em geral não pruinosas 5. H. velloziana Planta delgada (até l,50m); inflorescência 17-30cm de comprimento; 4-7 brácteas;fo- lhas sempre densamente pruinosas 6. H. farinosa Brácteas conduplicado-lanceoladas Perianto densamente hirsuto 7. H. aemygdiana Perianto não hirsuto I- olhas pruinosas 8. H. citrina I- olhas não pruinosas Brácteas densamente hirsutas, de margem refleta 9. H. fluminensis Brácteas não hirsutas, de margem não reflexa Polhas oblongas (largura 1/4 do comprimento) Brácteas vermelhas 10- H. lancana var. laneana Brácteas amarelas 10a. H. laneana var. flava bolhas linear-oblongas (largura 1/6 do comprimento) Ovário e pedicelo vermelhos ll.H. angusta Ovário amarelo com o terço superior verde escuro, pedicelo amarelo 1 2. H. lacletteana 4.3.4. - DESCRIÇÃO DAS ESPÉCIES 1. Heliconia episcopalis Vell. Fig. 3F, 5E, 6D, 1 1 A, 14A, 16A, 20 Vellozo, Fl. Flum.: 107. 1825; ícones 3: tab. 22.1831 (1827); in Arq. Mus. Nac. R. J. 5: 101.1881 ; Petersen in Mart., Fl. Bras. 3 (3): 1 1. tab. 2.1890; Baker. Ann Bot. 7; 190.1893; Schumann in Engler, Pflanzenr. IV (45): 35.1900, Rodri- guez. Boi. Soc. Venezol. Cienc. Nat. 15(81): 120. 1954; Aristeguieta, Gen. Helic. Venez.: n. 10.1961; Mello Filho, Rev. Brasil. Biol. 35 (2): 332.1975- Veloso PI Fl.: tab. 13.1976. Heliconia Ferdinando-Coburgii Szys. in Wawra, Iter Princ. Sax. — Cob 2 - 88, tab. 5.1888. Heliconia biflora Eichl., Masc.; Petersen in Engler u. Prantl. Pflanzenf. 2 (6): 3, fig. 1 A, B. 1889, nomen. Heliconia thyrsoidea Mart., Obs. msc. 2087. Planta delgada atingindo cerca de 2,5m de altura. Folhas espiraladas, cerca de 4 por pseudocaule, com os pecíolos glabros ou parcialmente pilosos, 80~85cm de comprimento, as lâminas oblongo-lanceoladas, de ápice acuminado e base cu- 164 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm neada, 70-1 16cm de comprimento e 22-30cm de largura, verdes em ambas as faces, com a nervura mediana glabra. Inflorescência curto ou longo-pedunculada, 10-18cm de comprimento, pedúnculo às vezes geniculado no ápice, 1— lOcm de comprimento, glabro; raque quase reta, geralmente glabra, raro puberula, marcada pelas cicatrizes deixadas pela queda das brácteas, com entrenós não aparentes; brácteas 8 à 27, extremamente caducas, fortemente imbricadas dando um aspecto espiciforme à inflorescência, cimbiformes, com estrias longitudinais muito marca- das, ápice acuminado e base um tanto auriculada, vermelho-alaranjadas na base e alaranjadas ou amareladas para o ápice, glabras, a mais inferior estéril, às vezes fo- liácea, 6,5-13 cm de comprimento e 1, 2-1,5 cm de largura na base, as demais diminuindo de tamanho em direção ao ápice da inflorescência. Flores subsésseis, 2 à 3 em cada fascículo; bractéolas branco-amarelas, cimbiformes, fortemente ca- renadas e longitudinalmente nervadas, hirsutas na face externa, principalmente na carena e glabras na face interna, hialinas na margem, 3-4 cm de comprimento e 0,6- 1 cm de largura na base; pedicelos triquetros, glabros ou pilosos nos ângulos, 0.3-0.4 cm de comprimento; perianto branco-amarelado, reto, 4- 4,5 cm de comprimento, os sépalos hirsutos na face externa, unidos quase até ao ápice ou o dorsal quase totalmente livre, os pétalos glabros, com utrículos de rafídeos e célu- las com tanino; anteras parcialmente exsertas na maturação; “estaminódio" linear ou estreitamente lanceolado, acuminado, cerca de 1,2— l,3cm de comprimento e 0.05-0,1 cm de largura na base, apenas a nervura mediana evidente, não marsupia- do; ovário ebúrneo amarelado, trígono com os ângulos arredondados, glabro, com utrículos de rafídeos, cerca de 0,6cm de comprimento. • Tipo: Vell., Fl. Flum. Icon. 3: tab. 22 Material examinado: Est. Rio de Janeiro: 1843, leg. Weddel n9 715 (P). Ca- semiro de Abreu, 1953. leg. F. Segadas Vianna, L. Dau, W. T. Ormond, G. C. Machline e J. Loredo Jr. n9 Restinga — 1 1843 (R). Horto Botânico do Museu Na- cional (cultiv.) 23/12/1966, leg. Luiz Emygdio n9 2141 (R). Lagoa Rodrigo de Freitas. 24/04/1 876, leg. Glaziou s/n9 (8496 ?) (P). Recreio dos Bandeirantes, 09/01/1949, leg. Palacios-Balegno-Cuezzo n9 401 1 (R); pr. Lagoa de Jacarepaguá, 1953, leg. E. Fromm n951 (R). H. episcopalis é uma espécie muito característica pela caducidade de suas brácteas, forma e crescimento indefinido da inflorescência, caracteres que logo a separam das demais e que, por si só, justificariam um subgênero ou série dentro do género. Foi descrita por VELLOZO sobre material coletado em Campo Grande (matas marítimas) e tanto pode ser encontrada em restingas como em locais úmi- dos; nos ambientes mais secos ela mantém seu porte normal porém, quando en- contra um habitat mais úmido, tende a adquirir grandes proporções, principalmen- te quanto ao tamanho da inflorescência que pode atingir 40cm ou mais de compri- mento. 165 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm í-ig. 20: H. cpiscopalis: hábito e distribuiçáo fluminenses. 167 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm 2. Heliconia spatho-circinada Aristeg. Fig. 2A, 5D, 12B, 18C.21 Aristeguieta, Gen. Helic. Venez.: n. 14.1961; Sheffy, Taxon, Ecol. Study Gen. Heliconia: 31.1965; Barr. Bradea 1 (44): 451.1974. Heliconia linneana Lane ex Barr. Rev. Brasil Biol. 30(4): 571.1970. Heliconia linneana var. flava Barr. Rev. Brasil. Biol. 32 (2): 205.1972. Heliconia paraensis Hub. in sched. Heliconia rollinsii Lane in sched. Planta até cerca de 3m de altura. Folhas dísticas, 2 à 4 por pseudocaule, com os pecíolos glabros ou muito esparsamente pilosos, 35-70 cm de comprimen- to, as bainhas muito esparsamente pilosas, as lâminas oblongo-lanceoladas, de ápi- ce acuminado e base truncada, 73-1 lOcm de comprimento e 20-30cm de largu- ra, verdes em ambas as faces, com a nervura mediana esparsamente pilosa na face dorsal. Inflorescéncia pedunculada, 21— 32cm de comprimento, pedúnculo 4,5— 27cm, glabro ou muito esparsamente piloso; raque amarela ou avermelhada, heli- cóide, muito esparsamente pilosa, com entrenós aparentes de l,5-3,5cm de com- primento; brácteas 6 à 10, helicóides, persistentes, cimbiformes. com estrias bem marcadas na face externa, glabras ou raro muito esparsamente pilosas em ambas as faces, ápice circinado e base arredondada ou um tanto auriculada, externamente vermelho-alaranjadas, vermelho-amareladas, esverdeadas na base e vermelho-amare- ladas ou vermelho-alaranjadas para a margem e ápice ou todas vermelhas ou ama- relas, internamente amareladas, a mais inferior fértil ou estéril, foliácea, 1 1-1 7cm de comprimento e 2,5— 3,5cm de largura na base, as demais diminuindo de tama- nho em direção ao ápice da inflorescéncia. Flores pediceladas, 6 à 8 nos fascículos inferiores, sendo 1 ou 2 exsertas, os fascículos superiores paucifloros; bractéolas amareladas, geralmente cimbiformes, glabras ou muito esparsamente hirsurtas, principalmente na nervura mediana, às vezes apresentando células com tanino, 3,5 - 5cm de comprimento e l,5-2cm de largura na base; pedicelos triquetros, gla- bros, 0,5-lcm de comprimento, acrescentes na frutificação; perianto parcial- mente exserto, amarelo ou amarelo-esverdeado, 4,5-5cm de comprimento, os sépalos e pétalos unidos quase até ao ápice, glabros, com utrículos de rafídeos; anteras parcialmente exsertas na maturação; “estaminódio” lanceolado, de ápice caudado, cerca de 1.3cm de comprimento e 0,3cm de largura na base, com a ner- vura mediana bem evidenciada, não marsupiado; ovário com os ângulos arredonda- dos, glabro, amarelo. Tipo: Bosques perto de La Pica, este de Maturín, Edo. Managas, Venezue- la, 7/1959, Aristeguieta n°3897 (VEN, Holotypus). Material examinado: Est. do Rio de Janeiro: 1825-27, leg. P. V. Lund s/n° - ex Herb. Warming n. (Gab. Esc. Pol. 6715. 6716) (R) - H. angusta; s/n9 (Gab. Esc. Pol. 6503) (R) - H. farinosa; s/n9 (18/10/1883) (R), (21/10/1883). (Gab. Esc. Pol. 8402) (R) - H. sampaioana. SAMPAIO, A. J. n9 321 1 A (R) - H. spatho-circinada. SANTOS, E. n9 2050 (R) - H. laneana var. flava; n9 3722 (R) - H. laneana var. laneana; n9 3724 (R) - H. angusta; n9 3728 (R) - H. velloziana ; n9 3729 (R) - H. farinosa; n9 3730 (R) - H. spatho-circinada. SEGADAS VIANNA, F. n9 534 (R) - H. angusta; n9 Restinga 1 - 1483 (R) - H. episcopalis. SICK.H. s/n9 (15/05/64) (HB) - H. angusta. SILVA, Z. n9 88 (R) - H. angusta. SOUZA, A. s/n9 (25/08/74) (R) - H. laneana var. flava. STRANG.H.E. s/n9 (29/08/65) (GUA) - H. farinosa; n9 192 (GUA), n9 193 (GUA) - H. angusta. SUCRE, D. n9 768 (RB) - 11. velloziana; n9 4453 (RB), n9 7839 (RB) - H. laneana var. laneana; n9 8345 (RB) - H. laneana var. flava. TRINTA, E. F. n9 3321 (R) - H. spatho-circinada. TRINTA, Z. A. n9 881 (HB, R) - H. velloziana. ULE, E. n94127 (R) - H. sampaioana. VIDAL, J. s/n° (09/53) (R), n9 II - S/N (06/52) (R). n9 II - 3998 (952) (R), n9 II - 5151 (952) (R) - H. angusta. XAVIER MOREIRA. A. s/n9 (03/01/57) (R) - H. farinosa; s/n9 (01/58) (R) - II. spatho-circinada. WAWRA, H. n9 213 (W) - H. angusta. we;ddel. H. n9715 (R) - H. episcopalis; n9 874 (?) (P) - H. laneana var. laneana. 218 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 9. BIBLIOGRAFIA ARISTEGUIETA, L. 1961. El genero Heliconia en Venezuela. Inst. Bot. Direc. Rec. Nat. Renov. Min. Agrie. Cria. Caracas: fig. 1-21. BAKER, J. O. 1 893. a synopsisof the genera and species of Musaceae. Ann. Bot. 7:189-201. BARDE P. M 1964 - H. aemygdiana in The tropical gardens of Burle Marx. Colibri Edit. Amsterdam - R. de Janeiro: 28, fig. 27-29. BARREIROS, H. S. 1970 Notas sobre Heliconia linneana Lane in Herb. Rev. Brasil. Biol. 30 (4): 571-572, fig. 1-5. BARREIROS. H. S. 1971. 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Bradea 2 (16): 95-104, fig. 1-4. MELLO FILHO L. E. & E. SANTOS. 1977. Novas considerações sobre o género Heliconia L. na Flora Fluminensis: comentários â margem de J. M da Con- cciçáo Velloso - Plantas Fluminenses. Bradea 2 (23): 159-164. 3 figs. NAKAI, T. 1941. Notulae ad plantas Asiae Oricntalis XVI. Jour. Jap. Bot. 17 (4): 189-203. PAXTON, J. 1837. Heliconia Braziliensis. Mag. Bot. 3 (33): 193-194. PETERSEN, O. G. 1889. Musaceae in Engler u. Prantl. Dic Naturlichen Pflanzenfamilien 2 (6): 1-10, fig. 1-7. PETERSEN, O. G. 1890. Musaceae in Martius, Flora Brasiliensis 3 (3): 2-16, tab. 1-4. RADDI, G. 1890. Heliconia farinosa. Mem. Soc. Ital. Sc. Modcna. 18 fase. 2. Mem. Fls.: 393. REGEL, E. 1856. Heliconia bicolor Benth. Gartenflora 5: 289-290, tab. 172. RENDLE, A. B. 1956. Scitamineae in The Classification of Flowering Plants 1, cd. 2. Cam- bridge Univ. Press: 325-343, fig. 154-161. RODRIGUEZ, G. 1954. Revision dei genero Heliconia cn Venezuela. Boi. Soc. Cienc. 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Bihaia pulverulenta (Lindley) O. Ktze Heliconia aemygdiana Burle Marx angusta Vell angustifolia Hook. f biahy Vell bicolor Bcntb biflora Eichl bihai sensu Petersen brasiliensis Hooker brasiliensis sensu Paxton brasiliensis Hooker sensu Petersen citrina L. Em. & Em. Santos dealbata Lodd. sensu Baker episcopalis Vell farinosa Raddi farinosa var. efarinosa Barr farinosa var. efarinosa f. constricta Barr farinosa var. farinosa f. angusta Barr farinosa var. farinosa f. versatilis Barr farinosa f. hirsuta Lane Ferdinando-Coburgii Szys fluminensis L. Em. & Em. Santos lacletteana L. Em. & Em. Santos Heliconia laneana var. flava (Barr.) Em Santos laneana Barr. var. laneana laneana f. elatior Barr laneana f. flava Barr laneana Barr. f. laneana linneana Lane ex Barr linheana var. flava Barr paraensis Hub pulverulenta Lindley rivularis L. Em. & Em. Santos rollinsii Lane sampaioana L. Em simulans Lane spatho-circinada Àrist speciosa Hort. sensu Horan thyrsoidea Mart velloziana L. Em zygolopha Lane ’ 202 202 184 184 184 188, 189 208, 209 208 179 208 166 183 184 195 195 191, 193 184 164, 167 145,184, 185 182 182 184 175 175 164 192, 201 204,211, 213 201, 207 195, 199 195 201 195 169 169 169 184 170, 177 169 175, 179 195 169, 174 195 164 181, 183 188 221 SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 cm CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DA TRIBO CUSPARINEAE (RUTACEAE) nova conceituação de raputia e gêneros derivados. MARGARETE EMMERICH Museu Nacional SUMÁRIO I II III IV V VI Vil VIII IX . . . . 224 . . . . 225 .... 225 .... 233 1. Chave para a identificação dos gêneros .... 233 .... 295 .... 295 .... 299 LISTA ALFABÉTICA DOS ‘TAXA "'ESTUDADOS .... 305 RELAÇÃO DAS COLEÇÕES ESTUDADAS .... 305 223 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 I - INTRODUÇÃO A presente pesquisa teve sua origem numa consulta feita pelo saudoso bo- tânico ADOLFO DUCKE ao Professor LUIZ EMYGDIO DE MELLO FILHO so- bre uma comparação entre exemplares de Raputia magnifica Engler e Raputia paraensis DUCKE para decidir sobre uma possível sinonimização sobre esta útima. DUCKE pendia para essa interpretação, MELLO FILHO para a conceituação de ambas as espécies como “taxa" distintos. Logo após o nosso ingresso nos quadros técnicos do Departamento de Bo- tânica do Museu Nacional, foi-nos delegado o estudo em profundidade dessa ques- tão. Nesse trabalho fomos levados a estabelecer confrontos com as demais espé- cies descritas para o gênero Raputia e daí envolver-nos em toda a problemática da própria conceituaçâo desse gênero, de seus limites taxinômicos e da existência de uma tendência centrífuga entre grupos de suas espécies componentes. Nos anos que se seguiram ocupamo-nos em reunir bibliografia, analisar exemplares de herbário, rever a inconografta, apreciar as descrições “princeps" e reconhecer e localizar os espécimes-tipo. Como resultado dessas atividades alcan- çamos a condição de dispor de suficientes informações para podermos empreender uma revisão crítica do gênero Raputia conforme os conceitos englerianos e pré-en- glerianos. Em consequência dessa revisão crítica, o antigo género Raputia foi cindido em 4 “taxa" de nível genérico, duas novas espécies e uma variedade sáo descritas, uma nova combinação é proposta e um binômino, pré-existente, é revalidado. A iconografia de Raputia e dos gêneros derivados foi ampliada e a distri- buição geográfica de todo o grupo se enriquece com novas localidades, bem como são apresentados os mapas de distribuição tanto para as espécies que permanecem em Raputia como para as que foram deslocadas ou descritas para os géneros deri- vados. Agradecemos ao Professor LUIZ EMYGDIO DE MELLO FILHO o apoio e a orientação que nos prestou no desenvolvimento da presente pesquisa e à Sra. ISOLDA WISSHAUPT e a RAUL BARX GARCIA DE PAULA a execução dos desenhos que ilustram o trabalho. Aos curadores dos seguintes herbários, o nosso agradecimento pelo emprés- timo dos tipos e outras exsicatas para o nosso estudo: Conservatoire et Jardin Botanique, Genevc (G); Instituto de Pesquisas Agronômicas, Recife (1PA); Institu- to Agronômico do Norte, Belém (1AN); Botanische Staatssammlung, Munique, (M); Museu Paraense Emílio Goeldi, Belém (MG); Muséum National d’Histoire Naturelle, Paris (P); Departamento de Botânica, Museu Nacional, Rio de Janeiro (R); Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB); Herbarium Bradeanum, Rio de Ja- neiro (HB); Instituto de Botânica, São Paulo (S); United States National Museum, Smithsonian Institution, Washington (US); Instituto Botânico, Caracas, Venezuela (VEN). 224 SciELO/ JBRJ 3 11 12 13 14 cm II - HISTÓRICO 0 gênero Raputia foi estabelecido por Aublet, em 1775 ao descrever a es- pécie R. aromatica, baseando-se em material procedente das florestas do Rio Ora- pu (Guiana Francesa). Até a presente data esta espécie é conhecida apenas através da estampa e da descrição de Aublet. DE CANDOLLE (1822), baseado em material procedente de Porto Rico, um ramo com folhas apenas, descreve uma segunda espécie para o gênero Raputia, R. heterophylla. O material fora coletado por Bertero, que o identificou como Bignonia. Atualmente esta coleção é definitivamente reconhecida como Bignonia- ceae, levada por Britton (1915) ao gênero Tabebuia (T. heterophylla (DC.) Britton como espécie, e, posteriormente, por Stehlé (1945), considerada na cate- goria de sub-espécie de T. pallida (T. pallida subsp. heterophylla (DC.) Stehlé). BENTHAM & HOOKER (1862-1867) não reconhecem Raputia como gênero válido, incluindo-o em Pholidandra Neck. como sinônimo de Galipea Aubl., invocando para isso o desenho “mal feito” de AUBLET para R. aromatica e tendo em conta a espécie mal determinada de De Candolle. ENGLER (1874) procedendo ao estudo monográfico das Rutáceas para a Flora Brasiliensis, de MARTIUS, aumenta em quatro o número das espécies de Raputia. Descreve como novas duas espécies: R. magnifica e R. trifoliata e faz duas novas combinações, a saber: R. alba (Nees et Mart.) Engler, anteriormente descrita por Nees et Martius, no gênero Aruba (1823), e R. ossana (DC).) Engler, descrita por DE CANDOLLE (1822) como Galipea, gênero no qual deverá permanecer até um possível estudo do tipo. Segue-se, cronologicamente, o trabalho de PITTIER (1921) que descreve a primeira espécie para a Venezuela: R. heptaphylla. No ano seguinte Ducke (1922) descreve as espécies R. paraensis e R. sigmatanthus, ambas para o Brasil. Para a coleção de R. sigmatanthus, Huber tinha porposto, “in schedula”, o binô- mio Sigmatanthus trifoliatus. TAMAYO & CROIZAT (1949) baseados apenas em material frutífero, descrevem uma segunda espécie para a Venezuela. A natureza dos frutos, entretan- to. bem como coleções posteriores, providas de flores e frutos, nos permitem propor uma nova combinação para esta espécie, Cusparia larensis (Tamayo & Croizat) Emmerich. O estudo das coleções existentes nos diversos herbários possibilitou-nos descrever dois novos taxa, bem como dar uma nova conceituação ao gênero Raputia, dele retirando espécies, ora para estabelecer gêneros novos, ora para in- cluí-los em gêneros já conhecidos. III - MORFOLOGIA As plantas do “complexo Raputia” são lenhosas, variando de subarbusto a grandes árvores. As folhas são compostas, uni-a heptafolioladas e, com excessão de 225 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 '8- A. Botões de 1- Neouputia alba (Nees et Mart.) Emmerich, 2- N. paraensis (Ducke) J ^ le 5 ich - 3- N. trifoüata (Engler) Emmerich. 4- N. magnifica (Engler) Emmerich, 5- N. Em • * ^ mmer > c h, 6- N. cowanii Emmerich, 7- Sigmatanthus trifoliatus Huber ex m *nch, 8- Raputia heptaphylla Aubl., 9- Raputiarana «ubsigmoidea (Ducke) Emmech. cm duas espécies, sempre alternas, apresentando pecíolos longos canaliculados. Os fo- liolos são geralmente peciolulados. O número dos folíolos é um carater de valor taxinômico. Em Neoraputia alba (Nees et Mart.) Emmerich, as folhas são unifolia- das, apresentando frequentemente, junto à inseção do pecíolulo duas estruturas, a que chamamos de estipelas residuais, mas que talvez sejam folíolos em fase de re- dução. As inflorescéncias são vistosas, em geral ultrapassando as folhas, obedecem a dois tipos básicos: recemo simples como cm Sigmatanthus, e cimeira, com nume- rosas variações, nos outros géneros, onde, ao lado de dicasio, sem flor central, tam- bém ocorrem cimeiras múltiplas, ocasionalmente com flores no pedúnculo. O carater morfológico mais importante para a reorganização do “complexo Raputia" é a flor. Um grupo de espécies se caracteriza por apresentar flores retas, com os pétalos apenas aderentes (Fig. A 1 -6); outro grupo apresenta flores curvas (Fig. A 7-9). O cálice, no “complexo Raputia” é um carater de valor taxinômico tanto 3o nível de gênero como de espécie. 0 exame da Fig. A, nos mostra, o cálice subcampanulado cm Sigmatanthus. o cálice denticulado, denteado e bilabiado, nos outros gêneros. Os pétalos ora são livres, como em Neoraputia, unidos apenas entre si, no terço mediano, pela aderencia própria e a dos estames e estaminódios, ora coales- centes ou concrescidos na base, como em Sigmatanthus, Raputia e Raputiarana. Mas, é no androceu que encontramos as estruturas mais significativas para o reagrupamento das espécies. Um estudo das estampas e da figura Bl— 6, nos mostra uma constante num grupo de 6 espécies: estames livres, estames férteis com pequenos apendículos nas anteras, estaminódios subulados. Outro grupo apresenta os estames e estaminódios concrescidos, uma variação no número dos estaminódios e uma difença na estrutura do apendículo das anteras (Fig.B 7—9). Todas as flores deste grupo são curvas e os estames férteis estão localizados no la- do abaxial da flor. Este carater diferencia estas espécies, juntamente com o gênero Myllanthus Cowan (1960) do genero Lubaria Pittier, filogeneticamente próximo a este grupo, dentro da tribu Cusparineae. O número de estaminódios, a natureza do apendículo da antera c o tipo da inflorescéncia, permitem estabelecer três gêne- ros dentro deste grupo de espécies. 0 gineceu é semelhante em todas as espécies, apresentando apenas varia- ÇOes na pilosidade e nas medidas, variações estas usadas como carater de deferen- ciação ao nível de espécie. O fruto é o carater que comprova a afinidade entre todas as espécies do “complexo Raputia”. Podemos definí-lo como capsula formada por cinco carpi- dios. Os carpídios inicialmente unidos, vão ao amadurecer se separando ficando presos, apenas em pequena extensão, na base. 0 endocarpio é coriaceo. As senten- tes . em número de dois por carpídio são geralmente nigrescentes, subglobosas. 229 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm Eig. B. Androceu de 1- Neoraputia alba (Nees et Mart.) Emmerich, 2- N. paraensis (Ducke) Emmerich, 3- N. trifolUta (Engler) Emmerich, 4- N. magnifica (Engler) Emmerich, 5- N. «ldanhae Emmerich, 6- N. cowanii Emmerich, 7- Sigmatanthus trifoliatus Huber ex Emmerich, 8- Raputia heptaphylla Aub!., 9- Raputiarana subsigmoidea (Ducke) Emmerich. 231 SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 cm IV TRATAMENTO SISTEMÁTICO No estudo de todas as espécies descritas, como pertencentes ao gênero Ra- putia. deparamos, desde o início, com a grande heterogeneidade dos caracteres des- sas espécies. Procuramos estabelecer uma conceituação taxonomicamente homogê- nea e válida para o gênero em questão. Infelizmente nesse trabalho não nos foi possível fazer um exame da espécie genérica, uma vêz que esta é conhecida apenas através da tabula e descrição de AUBLET. Entre todas as espécies, encontramos uma, a R. heptaphylla Pittier. na Venezuela, que melhor se adapta à conceituação de Raputia de AUBLET. Tomamos, pois, esta como elemento de comparação. Desde logo, uma espécie, a R. larensis, da Venezuela, demonstrou, pela mor- fologia dos frutos e da flor, pertencer ao gênero Cusparia. Em decorrência estabe- lecemos uma nova combinação. C. larensis (Tamayo & Croizat) Emmerich, com- pletando a descrição mercê o exame de material mais completo, com flores e fru- tos, (1977). Do mesmo modo, R. ossana (DC.) Engler que apresenta os caracteres de Galipea, e que, sendo conhecida somente através da tabula e descrição de DE CANDOLLE (1822) foi excluída do gênero Raputia. Um grupo de seis espécies apresentou grande homogneidade em seus ca- racteres, quais sejam: botões retos, 3 estaminódios subulados e 2 estames férteis com anteras curtamente apendiculadas, pétalos livres apenas aderentes nos bordos pela pilosidade própria e a dos estames e estaminódios alternipétalos no terço mé- dio de seu comprimento. Estas seis espécies vêm a constituir um novo género, Neoraputia. Uma outra espécie mereceu nova posição sistemática. Caracteriza-se por flores dispostas em racemos simples, de flores curvas e anteras longamente apen- diculadas, fato este não visto pelo autor, DUCKE, que, ao descrevê-la fala em estame glabro e três estaminódios”. Esta espécie apresenta além dos dois estames férteis longamente apendiculados, 5 estaminódios filiformes e o cálice subcampa- nulado. O conjunto desses caracteres nos permitiu estabelecer o novo gênero Sigmatanthus, como já proposto por HUBER, “in schedulla . Um outro gênero, Raputiarana, é fundado sobre uma espécie que muito se parece, a um exame menos acurado, com Raputia, divergindo entretanto, e completamente, na estrutura floral. Aqui a flor é formada por quatro petalos irregularmente concrescidos mais um apenas aderente, de forma diferente. As an- teras apresentam um apcndículo longo, e as flores estão dispostas em cimeira mul- tipara. IV 1. CHAVE PARA A IDENTIFICAÇÃO DOS GÊNEROS: Flores retas, pétalos apenas aderentes, estames e estaminó- dios alternipétalos Neoraputia Flores curvas, estames e estaminódios i concrescidos 5 estaminódios -• Sigmatanthus 3 estaminódios Anteras curtamente apendiculadas 3. Raputia Anteras longamente apendiculadas 4. Raputiarana 233 ISciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 I. Neoraputia Emmerich Aruba Nees et Mart in Nov. Act. Nat. Cur. XI: 174, t. 28, 1823 Raputia Aubl. pr. p. Engler in Mart. Fl. Br. 12, 2: 102-104, tab. 20, 21, 1874, Engler in Engler & Prantl. Pflanzenfamilien 29 ed. 19? : 287, 1931; Rapoce Schott in sched. Arbor, folia 1-7 foliolata. Inflorescentiae cimosae, in dichasiis 2-3 cin- cinnoideo ramificantibus. Flores pentamerae, hermaphroditi, zygomorphae. Calyx dentatus, denticulatus vel nitidus bilabiatus. Petalae cohaerens, tubo conjunctae. Stamina fertilia 2, antherium basibus breviter appendiculatis, staminodia 3, subu- lata, alternipetala. Discus cupularis, truncatus vel breviter dentatus. Stigma quin- quclobata, Stylus longus. ovarium quinquepartitum, carpellis solum stylo con- junctis. Carpellum biovulatum. Frudus 5 cocei, coccis bispermis, raro monosper- mis, cndocarpio coriaceo. Árvores, geralmente com folhas compostas, uni a setefolioladas. Inflores- cencia em cimeira, dicásio com 2 a 3 ramos cincinóides; flores pentameras, herma- froditas, zigomorfas, cálice cupuliforme, denticulado, denteado ou nitidamente bilabiado. Pétalos apenas aderentes, formando um tubo num terço de seu compri- mento. Estames férteis 2, com as anteras curtamente apendiculadas, estaminodios 3, subulados, alternipetalos. Disco cupuliforme, truncado ou levemente denteado. Estigma geralmente 5 lobado, estilete longo, ovário 5 carpelar, carpelos livres uni- dos pelo estilete. 2 óvulos por carpelo. Fruto com 5 carpídios, endocarpo coriá- ceo, 2 sementes por carpídio, raro. 1. Reune um conjunto de 6 espécies das quais 4 segregadas de Raputia. Folha unifoliada Folha tri-foliolada Folha 4-7 foliolada Cálice denticulado, flores vermelho tijolo Cálice denteado, flores alvas .... Cálice bilabiado Ovário piloso, flores alvas ou amarelas Ovário glabro, flores rosa-sal- -máo N. alba (Nees et Mart.) Emmerich N. trifoliata (Engler) Emmerich N. paraensis (Ducke) Emmerich N. saldanhae Emmerich N. magnifica (Engler) Emmerich N. cowanii Emmerich Neoraputia alba (Nees et Mart.) Emmerich (Est. I e II) Aruba alba Nees et Mar. in Nov. Act. Nat. Cur. XI: 174, t. 28, 1823. Raputia alba (Nees et Mart.) Engler in Mart. Fl. Bras. 12.2: 102, 1874. Árvore de até 1 5m de altura, ramos roliços ou angulosos, pardos, lenticela- dos, longitudinalmcntc estriados. Folhas alternas, estipuladas, unifolioladas. Esti- pulas triangulares, 3mm longas, seríccas, caducas. Pccíolo roliço, de face adaxial plana, castanho, lenticelado, com 2,5cm a 6cm de comprimento por 2mm de lar- gura, espessado no ápice e na base, com I a 2 estipelas lanceoladas, de 3 a 4mm de comprimento, tomentosas, no ápice do pccíolo. Peciólulo de até lcmde cornpri- 234 SciELO/ JBRJ Est. I Neoraputia alba (Nees et Mart.) Emmerich habitus a-inflorescência, b-frutos. 235 i Est. II Neonputia ilbi (Nees et Mait.) Emmerich a-b botão, , c e g-h estame, i-j estaminodio, 1— estilete, m n pe a , P mente, r— semente, s- fruto, t- folha. ovários, f- flor, q- pericarpio e se- 237 cm mento, canaliculado na face sueprior. Limbo cartáceo ou coriáceo, glabro, verde escuro e brilhante na face superior e mais claro na inferior. Nas folhas novas, pe- cíolo e face inferior do limbo densamente pubérulos. Limbo elítico lanceolado ou obovado, de 12cm a 26cm de comprimento por 4cm a lOcm de largura, de mar- gem inteira, revoluta, ápice longamente acuminado, às vezes cuspidado e de base aguda, atenuada e às vezes decurrente. Nervura mediana saliente na face inferior, nervuras secundárias em número de 9 a 16, proeminentes na face inferior, as ner- vuras terciárias formando um retículo nítido em ambas as faces. Inflorescências longas, ultrapassando as folhas, di ou tricótomas na parte superior, com ramifica- ções arqueadas. Raquis anguloso, lenticelado. com 2 brácteas na base, de 13 a27 c m de comprimento até a bifurcação, raquis na parte florífera arqueado, de 5 a 1 1 c m de comprimento. Flores pediceladas, com 1 bracteola caduca na base. lanceo- lada de até 6mm de comprimento, densamente ferruginea-tomentosa. Pedicelo 6mm longo. Cálice cupuliforme curtamente denteado, raro laciniado. 5mm longo. e xternamente ferrugíneo-viloso, internamente na base albo-seríceo e com ápice e lacínios tomentosos. Corola alba, com petalos espessos, espatulados, aderentes na base, pela pilosidade, ápice obtuso, externamente seríceo com pelos adpressos, na faixa central, lateralmente tomentosa, base glabra. Internamente tomentosa, na fauce com uma faixa lanosa, base glabra. 2 estames e trés estaminodios, não con- crescidos. Anteras rimosas com pequeno apêndice, filete na faixa mediana exter- namente tomentoso e internamente lanosim estaminódios. subulados. externamen- te tomentosos na faixa mediana com os terços superior e inferiores glabros, internamente com a faixa mediana lanosa, o restante glabro. Disco urceolado. com 3mm de altura, ovário com l,2mm de altura, com a parte superior densamente vilosa. Estilete glabro l,2cm longo. Estigma capitado, 5 lobulado. Fruto com cálice persistente patente, 5 carpidios, unidos apenas na base, com 2 a 2.5cm de comprimento por 1,2 a 2,5cm de largura, castanho, transversalmente sulcado, siloso. Endocarpo amarelo ou alaranjado com 1,6 a 1,9 cm de comprimento por 1.8 a 2,4 cm de largura. 2 sementes, subglobosas, com 5 a 6mm de diâmetro pardas com maculas escuras. Tipo : Neuwied s/n — “circa viam Felisbertiam”. Distribuição: Esta espécie é encontrada desde Santa Catarina, passando pelo Rio de Janeiro, onde é frequente nas matas, até os estados do Espirito Santo no litoral, e, para o interior até Minas Gerais. Material estudado: Santa Catarina: lie Ste. Catherine, Gaudichaud (P); Estado da Guanabara, Rio de ■Janeiro: Botafogo, Novo Mundo, J. G. Kuhlmann 28.7.1921 (RB);Covada Onça ao Corcovado, Glaziou 6137 (R.P.MG); -Glaziou in Herb. Saldanha 638 (R); Cor- covado, Glaziou 679, (RB.P); Riedel cat. n. 1035 (P), Riedel 472 (P.M.); Lagoi- 'dta, Ducke 30.10.1925 (RB); Sumaré, vertente para o Silvestre, A. P. Duarte DIB); Sumaré descida dá Lagoinha, A.P. Duarte 5509 (HB, RB); Entre Jacarepa- gná e a Tijuca, Glaziou 10459 (P), Praia do Pinto, A. Frazío X 1916 (RB); Estado do Rio de Janeiro: Avelar, mata do Dr. Antonio de Avellar, Machado Nunes (SP); Paraíba do Sul, Herb. J. Saldanha 638 (R); Espírito Santo: Barra do Juparanan-mi- rim. Rio Doce, J. G. Kuhlmann 253 (RB) Minas Gerais: Teixeira Soares, Fazenda 239 SciELO/ JBRJ D 11 12 13 14 Santa Alda, Sampaio 644 (R); Governador Valadares, Mendes Magalhães 818 (BUMG); Município de Tombos, Fazenda S. Pedro, Mello Barreto 1974 (BHMG); Mello Barreto 1985 (R); Mello Barreto 4.010 (BHMG); Rio Novo, F.J.P.L. Araújo, nov. 1888 (R). Nome vulgar: Arapoca, Arapoca branca. Candeia do mato, Guarantão, Sucanga. Observações ecológicas: Arvore de até 15m de altura encontradas nas matas do Rio de Janeiro, Em Minas Gerais é frequentíssima nas restantes manchas florestais das bacias do Rio Doce e Mucuri, encontrada em grupos ou pequenas colonias, segundo observações feitas por GERALDO MENDES MAGALHÃES, em 1959. Uso: Madeira de lei para construção de casas; utilisado pela população regional como lenha e otima madeira para palitos. (Informações do Prof. GERALDO MENDES MAGALHÃES). Observações Esta espécie é bastante variável quanto à estrutura da inflorescência. De dicásio (sem floi central) a cimeira múltipla e ocasionalmente com flores no pedunculo. O cálice varia de quasi truncado, com pequeníssimos dentes, até chegar a formar pequenos lacínios triangulares de 2,5mm de altura. As folhas também apresentam grande variação na forma e tamanho inclusive no angulb formado pela nervura me- diana com as secundarias. O folíolo ora é séssil ora tem um peciólulo de até lcm de comprimento com 1 ,2 ou sem as estipelas residuais. Neoraputia trifoliata (Engler) Emmerich (Est. III) Raputia trifoliata Engler in Mart. FI. Bras. 12.2: 103-104, tab. 21, 1874. Ramos roliços, lenticelados. Folhas opostas, compostas, trifolioladas. Pe- ciolo lenticelado, longitudinalmente estriado, roliço com o lado adaxial aplanado e canaliculado, de 2 a 4,5 cm de comprimento, levemente espessado na base. Peció- lulo 4 a 8mm de comprimento, espessado na base e na face adaxial, canaliculado. Folíolos subcoriaceos, glabros, elitico-lanceolados, o mediano maior, de 5 a 8cm de comprimento por 2 a 3cm de largura, com ápice agudo e base atenuada. A face superior verde escuro, a inferior verde mais claro. Sobre ambas as faces pequenas glandulas negras. Margem inteira, levemente revoluta. Nervura mediana proemi- nente na face inferior. Nervuras secundárias, em número de 7 a 9, evidentes em ambas as faces. Nervuras terciárias formando retículo proeminente em ambas as faces. Inflorescência terminal, ultrapassando as folhas. Cimeira composta, pedún- culo com 6 cm de comprimento até a bifurcação. Os raquis floríferos até 8,5cm de comprimento, arqueados. O raquis florifero é levemente ferrugíneo-tomentoso. Flores pediceladas, pedicelos curtos, espessados, ferrugineo-tomentosos. Cálice cu- puliforme, levemente 5 - denteado. Bractéola caduca, triangular com l,5mm de altura, ferrugineo-tomentosa. Pétalos extemamente denso albo-sericeos, pelo adpressos. 240 v; p iJ . | IÈ \ B â teil i íi / \il i'J r i j sem 111 Neora P u,ia trifoliata (Engler) Emmerich a- habitus, h-c estaminódio, d- snte, c- embrião, f- semente, gel- ovário, h-j botão. cm 0 exemplar disponível apresenta apenas um pequeno botão, que, por se tratar pro- vavelmente do isotipo não quisemos abrir, aceitando a descrição e a tábula de Engler, na Flora Brasiliensis de Martius, como válidas. Tipo: Riedel 796 Distribuição: Esta espécie é apenas conhecida da coleção tipo, procedente de Esperança, Estado do Rio de Janeiro. Material examinado : Brasília, Riedel (P). Observações ecológicas: Habitat in silvis umbrosis". Neoraputia paraensis (Ducke) Emmerich (Est. IV e V) Raputia paraensis Ducke Arch. Jard. Bot. Rio 3: 184—185, 1922. Árvore de 3 a 5m de altura, de ramos roliços, estriados longitudinalmen- ,e . lenticelados. Folhas alternas, erectas, compostas de 5 folíolos. Pecíolos estria- dos, lenticelados, com 4.5 a 15cm de comprimento por 1,5 a 3mm de largura, de base e ápice espessado e face adaxial plana. Peciólulo até 3cm de comprimento por L5rnm de largura, lado superior canaliculado. Foliolos desiguais, os medianos maiores. Folíolos cartáceos, glabros, de face superior verde escura e face inferior verde palida, nitidamente glandulosas. Limbos obovados, elíticos, de 1 1 a 23cm de comprimento por 4,5 a 6cm de largura, de base aguda, atenuada e às vezes decur- rente, ápice acumindado. Margem inteira, revoluta. Nervura mediana proeminente rt3 face inferior, depressa no lado superior. Nervuras secundárias em número de 8 a 13, proeminentes na face inferior, as terciárias formando retículo em ambas as fa- ces. Inflorescências longas, com pedunculo de 6,5 a 26cm de comprimento, raquis floríferos 4 a 6cm longos, cincinados, denso albo-tomentosos. Brácteas oblongas, Momentosas, caducas. Flores pediceladas, pedicelo até 6mm de comprimento por 1 mm de largura, denso albo-tomentoso. Bractéola triangular, ferrugínea serícea, com lmm de comprimento. Cálice cupuliforme, 7mm de comprimento com 5 dentes pequenos, triangulares, agudos. Externamente denso tomehtoso-ferrugino- 50 » mternamente seríceo, alvo ou amarelo claro. Corola vermelho tijolo, 2,5 cm longa. Pétalos espessados! oblongos, de ápice obtuso, extemamente denso seríceos com as margens tomentosas, internamente branco-tomentosos, no terço mediano c °m uma faixa lanosa, base glabra. Pétalos livres, aderentes pela pilosidade dos es- tames e estaminódios. 2 estames férteis, anteras com pequenos apendículos, esta- minódios 3, subulados. Disco cupuliforme levemente denteado, 2mm alto, mais alto do que o ovário. Ovário glabro, l,2mm alto. Fruto com 2,5cm de comprimen- to por 3,5cm de largura, formado por 5 carpidios, raras vezes alguns carpídios me- nos desenvolvidos. Carpídios de dorso carinado, transversalmente sulcados, tomen- ,Q sos. Endocarpo coriaceo, 1 ,7cm longo por 2,3cm largo, alaranjado. Sementes 2, subglobosas, de 6mm de diâmetro, pardas, com máculas escuras. 243 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 Est. iv Neoraputia paraensis (Ducke) Emmcrich habitus a— inflorescéncia, b frutos. ^st. V Neoraputia paraensis (Ducke) Emmerich a— b botão, c flor, d estilete, e f «taminodio, g-h petalo, i^j estame, 1-n ovário, o- grão de polem, q-r fruto, s-grão e Polem, t- pericarpio e semente, r- semente. 247 cm Síntipo: Huber 20.1 1.1906 (MG. P), R. Siqueira 13.7.1907 (MG. G) e R. Siqueira 30.10.1907 (MG. G.) Distribuição: A espécie é conhecida das coleções tipo da Região de Peixe Boi, no Pará e do Ter- ritório do Acre, de Vilia Epitacio Pessoa, com pequena variação nas folhas, segun- do Ducke (1933). Material estudado: Brasil, Pará: Peixe Boi, J. Huber 20.11.1906 (MG. P); Peixe Boi, R. Siqueira 30.10.1907 (MG. G); Peixe Boi, R. Siqueira 13.7.1907 (MG. G); Território do Acre, Vilia Epitacio Pessoa, J. G. Kuhlmann 854 (RB) Observações ecológicas: Árvore de mata de terra firme Nome vulgar: Capança, Caporé. Uso: Tóxico amolecendo os nervos. Neoraputia saldanhae Emmerich (Est. VI) Arbor? Ramis ercctis, teretis, brunneis, striatis, puberulis. Folia 7— foliola- ,a > rarius minus, laminis inaequalibus, intermedia majore, lateralibus gradatim minoribus, petiolis validis teretibus canaliculat isque striatis, puberulis, 10— 15cm •ongis, circiter 2mm crassis, basi et apice incrassatis; petiolulis semiteretibus supra carinatis, 7-18mm longis, lmm latis, basi incrassatis. Folia membranacea, glabra su pra laete viridia, subtus pallidiora, laminis integris, lanceolatis vel obovatis, 8,5 cm - I9 cm longis, 2,5cm - 6cm latis, basi attenuatis et in petiolulo leviter decur- rentibus, cum apice acuminatis non rarius cuspidatis. Costa supra impressa subtus v alde prominente, nervis lateralibus 18. supra impressis, subtus prominentibus, ' e nis reticulatis in sicco utrinque prominulis. Infiorescentia terminalis folia non superans, pedunculis 2— bracteatis, 14cm — 15,5cm longis, puberulis, striatis, ramulis arcuatis laxa circinnatis, fioribus pedicellatis, erectis, pedicellis 0,5cm °ngis, crassis dense villosis, bracteolis caducis, lanceolatis, densericeis, 5mm 0n gis, lmm latis. Calyx cupuliformis 5 dentatus, in alabastro 7mm longus et 6mm atus, extus ferrugineo-villosus, intus basi dense sericeus, supra glabrum. Corolla IJ i alabastro l.icm longa; petalis albis crassis basi conglutinatis, extus adpresse ajbido sericeis-pilosis, intus albido-tomentosis. Stamina fertilia 2, filamentis intus glabris ad médium lanosis, extus puberulis, antheris breviter biappendiculatis, nmosis; Filamenta 2,5cm longa 0,8mm lata; 3 sterilia subulata, intus basi glabris, s upra lanosis, extus puberulis. Discus l,6mm altus. Ovarium glabrum, l,5mm ^ turn , stylo glabro 2,4mm longo, stigmata capitata indistinte lobata. Fructus ■gnotus. 249 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm Árvore? Ramos eretos cilíndricos, castanhos, densamente lenticelados, lon- gitudinalmente estriados, pubérulos. Folha composta de 7 foliolos, raro menos. Folí- °los de tamanhos diferentes, o central maior, os outros decrescentes. Pecíolos ci- líndricos com os lados adaxiais planos e canaliculados, castanhos, lenticelados, pubérulos, estriados, com 10 a 15cm de comprimento por 2mm de largura. Base e ápice espessados. Peciólulos hemicilindricos, na face superior canaliculados com 7 a 18mm de comprimento por lmm de largura, de base espessada. Foliolos mem- branáceos, de face superior verde escura e brilhosa e face inferior verde mais claro, glabros, denso glandulosos. Limbo inteiro, de 8,5 a 19cm de comprimento por 2,5 a 6cm de largura, lanceolado ou obovado, de base atenuada ou levemente de- currente e ápice acuminado, não raro cuspidado. Nervura mediana e secundárias, ern número de 18, depressas na face superior e proeminente na tace interior. As nervuras terciárias proeminentes em ambas as faces. Inflorescência terminal, não ultrapassando as folhas. Cimeira. Pedunculo até a bifurcação com 14 a 15,5cm d e comprimento, lenticelado. pubérulo, longitudinalmente estriado, na base com 2 bracteas, ramos floriferos arqueados, flores pediceladas. Pedicelo com 0,5cm de comprimento, espessado, ereto, densamento viloso, bractéolas caducas, lunceola- das, denso seríceas, com 5mm de comprimento por lmm de largura, cálice com 5 dentes, no botão com 7mm de comprimento por 6mm de largura, externamente ferugineo-viloso. internamente na base denso seríceo, diminuindo para o ápice. Corola, no botão com 1,1 cm de comprimento. Pétalos. alvos, espessos, aderentes na base. Externamente denso albo-seríceos, internamente albo-tomentosos imbri- cados. 2 estames e 3 estaminódios não concrescidos entre si. Filete com _.5mm de comprimento por 0 8mm de largura, internamente de base glabra e região mediana lanosa, externamente pubérulo. Anteras desiguais, com 4mm de compri- mento por l,7mm de largura, rimosas, com pequeno apendículo. Estammodios subulados, internamente de parte basal glabra e região mediana e superior lano- Ms . externamente pubérulo. Disco l,6mm alto, ovário glabro com 5 carpelos, 1.5 m m altos, estilete glabro 2,4mm longo, estigma capitado, indistintamente lobado. Fruto desconhecido. T'Po: Saldanha 8510 (Holotipo R). Distribuição: Esta espécie é apenas conhecida da coleção tipo procedente da Fazenda de Cruzei- ro, Serra da Mantiqueira no Estado de São Paulo. Material examinado: _ . , „ . x , Brs »ü, São Paulo, Serra da Mantiqueira, Fazenda de Cruzeiro, do Sr. Major No- vae s. Saldanha 8510 3-12 de Janeiro de 1884 (R). bicoraputia magnifica (Engler) Emmerich (Est. VII e VIII) Rapocc amarella Sçhott in sched. Raputia magnifica Engler in Mart. Fl. Bras. 12.2. 102—103, tab. 20, 1874. Árvore de 3 a 5m de altura. Ramos pardos, cilíndricos, lenticelados. Folha composta de 4 a 7 foliolos, desiguais, o central maior e os laterais sucessivamente menores. Pecíolo de 5 a 18 cm de comprimento, por 2 a 3mm de espessura, hemi- 253 SciELO/JBRJ 0 11 12 13 14 cm .. cilíndrico, canaliculado; piloso. Espessado na base e no ápice. Peciolulo piloso, de base espessada, supra canaliculado, com 8mm a 3,5cm de comprimento. Folíolos membranaceos a subcoriáceos, obovados ou elíticos, de ápice acuminado, às vezes cuspidado e de base aguda, atenuada; de 1 1 a 16,5cm de comprimento por 4,5 a 7cm de largura. Nervura mediana saliente na face inferior, depressa na superior, as secundárias, em número de 10 a 14, nítidas em ambas as faces. As terciárias for- mam um retículo nítido em ambas as faces. Inflorescencias terminais, ultrapassan- do as folhas. Pedúnculo castanho, lenticelado, de 20,5cm a 26cm de comprimen- to, na parte superior levemente piloso, ramos secundários arqueados, cincinados, de 5 a 7cm de comprimento, pilosos. Flores pediceladas, as inferiores com pedi- celo maior, até l,2cm de comprimento, e lmm de largura, longitudinalmente sul- cados, sericeo-tomentosos, bractéola caduca. Cálice cupuliforme, 5 dentado, bila- biado, com dentes triangulares agudos, 7mm de comprimento, extemamente se- ríceo-tomentoso, internamente, na base albo-lanoso diminuindo para os lacínios. Flores alvas, 2cm longas, pétalos livres^ formando um pequeno tubo pela aderên- cia, na faixa mediana, dos pétalos, estames e estaminódios. Pétalos espessos, espa- tulados, de ápice obtuso, na ântese recurvados, externamente seríceos com pelos adpressos, internamente tomentosos, no terço inferior quasi glabros. Estames 2 e 3 estaminódios, alternipétalos, filete 6mm longo, na parte mediana com 2mm de lar- gura, externamente tomentoso, na base glabro, internamente, na base glabro, na faixa mediana denso lanoso. Anteras 5mm longas, desiguais, rimosas, com dois apendículos na base. Estaminódios subulados, 7mm longos, externamente tomen- tosos, na base glabros, internamente no terço inferior glabros, faixa mediana lano- sa. Disco glabro, urceolado, levemente crenado, 3,5mm de comprimento, quase o dobro do ovário. Ovário com l,5mm de comprimento, na parte superior densa- mente piloso. 5 carpelos, estes na parte superior levemente fendidos. Estilete gla- bro, l,2cm de comprimento, estigma capitado, sublobado. Fruto com cálice per- sistente, patente. Carpídios oblongos, dorso obtuso carinado, nos lados transver- salmente sulcados, pardos, pubérulos com 2,5cm de comprimento por 3,5cm de largura. Endocarpo alaranjado, l,5cm de comprimento por 2,6cm de largura. Se- mentes pardas, com máculas escuras, subglobosas a oblongas com 7mm de diâme- tro. var. magnifica Tipo: Riedel “in silvis primaevis prope Mandioca prov. Rio de Janeiro.” var. robusta Foliola 12-23cm longa. 5-8cm lata, pedicelli incrassati 4-5mm longi, 2mm lati; Calix 1,3- l,5cm longis; petalo luteo. foliolos 12-23cm longos, 5-8cm de largura, pedicelos esparssados, 4-5mm de comprimento por 2mm de largura; Cálice l,3-l,5cm de comprimento. Flores amarelo claro. Tipo: T. N. Guedes 556 26.3.1958, Ceará, Serra de Aratanha. Distribuição: Esta espécie ocorre na Serra da Estrela, nas matas da Bahia e nas serras do Ceará. 254 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm Est. VII Ncoraputia magnifica (Englcr) Emmerich habitus 255 ISciELO/JBRJ cm 257 SciELO/JBRJ cm Nota-se uma nítida separação geográfica das variedades. A variedade magnifica se limita à Serra da Estrela, ao passo que a variedade robusta tem uma distribuição ampla da Bahia até o Ceará. Material examinado: var. magnifica: Brasil, Riedel (P); Brasil Riedel (P, ex Herb. Cosson); Rio de Janei- ro, Serra da Estrela, Glaziou 16138 (R.P.) var. robusta: Brasil Ceará, Fr. Allemão et M. Cysneiros 284 (R.); Freire Allemão (R); Ceará: Aratanlia, Baturité, Fr. Allemão e M. Cysneiros 284 (R); Serra de Ara- tanha, Guedes 556 (MG. US. IAN); Serra do Bezouro, Sitio Serrinha, Guedes 582 (MG. IAN); Bahia: Ilhéus, Repartimento, Velloso (R); Ilhéus, São Paulo Velloso (R); Agua Preta, Bondar 2166 (SP. US). Observações ecológicas: Arbusto ou arvoreta de mata primária e da comunidade secundária. Nome vulgar: var. magnifica: Arapoca var. robusta: Amarelinho. Cucão. Neoraputia cowanii Emmerich (Est. IX). Arbor 10m alta, ramulis teretibus, brunneis, lenticelosis, striatis. Folia al- terna composita quinquefoliolata, glabra; petiolis brunneis, lenticelatis, semitereti- bus, canaliculatis, striatis, 9-13,5cm longis, 2mm latis, apice et basi incrassatis, petiolis et petiolulis junioribus dense pilosi. Foliola inaequalia, intermedia altera superantia, laminis integris, chartaceis vel subcoriaceis, supra laete viridibus, subtus pallidioribus, lanceolato-elliticis 15-19cm longis, 4,5-7cm latis, apice lon- Si acuminato, raro cuspidato, basi cuneata, margine breviter revoluta. Costa utrin- fiue prominente. Nervi laterales 8-10, subtus prominentes. Venae reticulatae in sicco utrinque prominulis. Folia juniora nitida glandulis praedita. Inflorescentiae terminales, dichasia, pedunculis striatis, lenticelatis, breviter pilosis 30cm longis. firacteola caduca triangularia, villosa 3,5mm longa, lmm lata. Ramuli arcuati laxe cincinati, villosi, floribus pedicellatis prãediti. Pedicelli incrassati, 5mm longi, l>5m lati, villosi. Calyx glaucus, quinquedentatus, nitide bilabiatus, 6mm longis, 5.5mm latis, extus villosus, intus albido-sericeus, in alabastro 6,5mm longo, 5,3 0101 lato. Fios aurantiaca, petalis crassis, libris, aderentibus tercio intermédio, s pathulatis, apice acuto, sub anthesi revolutis, extus adpresse dense albido-sericeis, jntus tomentosis, basi glabra, sub anthesi 2,5cm longis, 0,5cm latis. Corola l,5cm j°nga. Discus 2,6mm crassus, laeviter sinuosus. Ovarium l,6mm longum, 2mm atum quinque partitum, carpellis solum stylo conjunctis. Stylum glabrum, 5,5mm l°ngum. Stigmata capitata, glabra, quinquclobata. Stamina fertilia 2, antheris basim breviter apcndiculatis, apendiculis 0,5mm longis. Antherae rimosae, 5,3mm °ngac, 2mm latae. Filarrtenta 7,6mm longa, lmm lata, dorso tomentosa, apice et asi glabris, antice in medio dense albido-lanosis. Estaminodia 3, cum estaminibus alternipetalis, subulatis, 9,5mm longis 0,8mm latis, indumento filamentorum simi- *ter. Pedunculus sub fructu 22cm longi, in ramulis frutifejás 6-8cm longus. Calyx 259 .SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 15 ^ st - IX Neoraputia cowanii F.mmerich a- habitus, b- botão, c- gineceu, d- estame, e ~ cstaminódio. 261 SciELO/ JBRJ persistens, explanatis, patens vel revolutis. Fructus 5 coccis, brunneis pilosis, 2,5 cm longis, 3cm latis, dorso carinatis a latere transverse sulcatis. Endocarpium lu- teolum, 2cm longum, 2,5cm latum. Semina 2, subglobosa circa 7mm lata, brunnea. Árvore de 10m de altura, de ramos cilíndricos, castanhos, lenticelados, es- triados, folhas alternas, quinquefolioladas, glabras. Pecíolos castanhos, lenticela- dos, com o lado adaxial plano e canaliculado, estriado com 9 a 13,5cm de com- primento por 2mm de largura, cilíndricos, de base espessada. Peciólulos de 3 a 10 mm de comprimento, de base espessada, na face superior canaliculados. Pecíolo e peciólulos novos densamente pilosos. Folíolos desiguais, o central maior. Folíolos cartáceos ou subcoriáceos, de face superior verde escura e a inferior verde mais cla- ra, lanceolada díticos, de 1 5 a 1 9cm de comprimento por 4,5 a 7cm de largura, de ápice longamente acuminado, raro cuspidado e base cuneada, margem inteira, leve- mente revoluta. Nervura mediana proeminete em ambas as faces. Nervuras secun- dárias, em número de 8—10 proeminentes na face inferior. Nervuras terciárias for- mando retículo proeminente em ambas as faces. Folhas novas com glândulas niti- damente translúcidas. Inflorescência terminal, dicásio. Pedúnculo estriado, lenti- celado, levemente piloso, de 30cm de comprimento. Ramos floríferos arqueados, vilosos. Bractéola caduca, triangular, vilosa, 3,5 cm de comprimento por lmmde largura. Flores pediceladas. Pedicelos espessos com 5mm de comprimento por 1 a l.Smrn de largura, vilosos. Cálice verde cinza, 5 dentado, nitidamente bilabiado, com 6mm de comprimento por 5.5mm de largo, extemamente viloso, intemamen- te alboseríceo. Flores rosa-salmão, pétalos livres, aderentes no terço mediano, es- pessos, cspatulados, de ápice agudo, na ântese revolutos, externamente denso-albo- seríceos, adpressos, internamente tomentosos, e na base glabros na ântese 2,5cm longos por 0,5cm de largura. No botão o cálice com 6,5mm de comprimento por. 5,3mm de largura. Corola l,5cm longa. Disco 2,6mm longo, crasso, levemente si- nuoso, ovário l,6mm de longo por 2mm de largo, 5 carpelos isolados. Estilete gla- bro, cerca de 5,5mm de comprimento, estigma capitado, 5 lobado, glabro. Esta- mes férteis 2. Filete 7,6mm de comprimento por lmm de largura, dorso tomento- so, de ápice e base glabros, na frente a faixa mediana densamente albo-lanoso. An- teras rimosas, 5,3mm longas por 2mm de largura, na base curtamente apendicula- das. Apendículo 0,5 mm longo. Estaminódios 3, como os estames alternipetalos, subulados 9, 5mm.de comprimento por 0,8mm de largura, o dorso tomentoso po- rém glabro no ápice e na base, na frente com uma faixa mediana albo-lanosa. Pedúnculo na frutificação com 22cm de comprimento até a bifurcação, raquis frutíferos 6 a 8cm longos. Cálice persistente, estendido ou refletido. Fruto forma- do por 5 carpídios, marrons, pilosos, 2,5cm de comprimento por 3cm de largura, carinados no dorso com os lados transversalmente sulcados. Endocarpo amarelo claro com 2cm de comprimento por 2,5cm de largura, quando aberto. 2 sementes, subglobosas com 7mm de diâmetro, pardas com máculas marrons. Síntipo: J. A. Steyermark 86421 (US) e J. A. Steyermark, December, 19, 1960 (US). Dedicamos esta espécie ao Dr. Richard Cowan do Smithsonian Institution, que gentilmente nos possibilitou o estudo desta coleção. 263 cm SciELO/JBRJ Neuraputia Emmerich 265 cm Distribuição: Esta espécie é conhecida apenas da coleção tipo, procedente da Venezuela, Edo. Bolivar. Nome vulgar: “Guachimacáu". Material estudado: Venezuela, Edo. Bolivar: “mostly levei forest along train east of pica 101, 5, 7 km east of El Cruzero, ESE of Villa Lola. Alt. lOOft.” J. A. Steyermark 86421 (US); Rio Toro (Rio Grande) “between Rio La Reforma and Puerto Rico , north of El Palmar, alt. 200 - 250 m. J. A. Steyermark, December 19, 1960 (US). 2. Sigmatanthus Huber ex Emmerich Raputia Aublet pr. p. Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro, 3:185— 186, 1922; Engler in Engler & Prantl Pflanzenfamilien 29 ed. 19? : 287. 1931. Sigmatanthus Huber, Lamée A., Dictionnaire descriptif et synonymique des genres de plantes phanerogames VI: 109. 1935. Arbor parva vel arbuscula, folia trifoliolata. Inflorescentiae racemosae, flo- res longe pedicellati, hermaphroditi, zygomorphae, curvatae. Calyx subcampanula- tus, sepala longa triangularia. Corolla sigmoidea, petalis glandulosis, cohaerentibus raro connatis. Stamina fertilia 2, antheris basim longius appendiculatis. appendicu- lo antheram aequante. Staminodia 5, longa, filiformia, cum filamentis in tubo connatis, cohaerentia in tubo corollae, at basim vel supra. Discus cupularis breviter quinquepartitum, carpellis liberis stylo conjugatis. Carpellum biovulatum. Fructus 5 cocci, coccis bispermis, endocarpio coriaceo. Árvore pequena ou arbusto, folhas trifolioladas. Inflorescência em recemo simples com flores longamente pediceladas. Flores curvas, hermafroditas, zigomor- fas. Cálice subcampanulado, lecínios longos triangulares. Corola sigmóidea. Pétalos com glândulas, aderentes, raro concrescidos. Estames férteis 2, com as anteras lon- gamente apendiculadas, apendículo do mesmo comprimento das anteras. 5 estami- nódios longos, filiformes, concrescidos com os filetes em um tubo, aderente ao tu- bo da corola na base ou no terço inferior. Disco cupular, levemente 5 denteado. Estigma capitado, estilete longo, ovário 5 carpelar, carpelos livres, unidos pelo esti- lete, 2 óvulos por carpelo. Fruto com 5 carpídios, endocarpo coriáceo, 2 sementes por carpídio. O nome caracteriza a forma típica das flores. É conhecida apenas uma espécie para este gênero. Sigmatanthus trifoliatus Herb ex Emmerich (Est. X e XI) Sigmatanthus trifoliatus Huber in sched. 267 SciELO/JBRJ cm £st. X Sigmatanthu; irifoliatus Huber ex tmmerich habitus. 269 2 3 4 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm Est. XI Sigmatanthus trifoliatus Huber ex Emmerich a-b botão, c-e ovário, f- estilete, 8- flor; h- petalo, i- filetes, j-k estaminódio, 1- pericarpio e semente, m- fruto, n ~ semente. SciELO/JBRJ 271 cm Raputia sigmatanthus Ducke, Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro 3: 185-186, 1922. Arbor parva vel frutex elatus, partibus novellis griseo-flavido-pubescenti- bus, ramulis demum glabratis rugosis et striatis nonnunquam lineis subalato-eleva- tis, saepe obscure lenticellosis. Folia trifoliolata petiolis patentibus vulga 5-9cm longis superne saepe canaliculatis. Petiolulus usque 2mm longis, superne canalicu- latis. Foliola obovata-lanceolata, membranacea, rarius sub-coriacea, utrinque pilo- sula, subtus pallidiora. Foliola intermedia altera $uperantia. Laminis 9-1 5cm lon- gis, 3-8cm latis, apice acuminato, basi attenuata. Foliola externa minora, subses- silia, basi acuta. Costa media subtus prominens, venulae 5-8, subtus prominenti- bus. Inflorescentia racemus simplex, in ramulo solitário, axillaris, erectus, elonga- tus; pedunculus 1 5 ad 30cm longus, striatus; rhachis florifera 4-6cm longa, fructi- fera saepe duplo longior; pedicelli sub anthesi usque ad 2,5cm longi, gracilis, apice parum incrassati, fructiferi dimidio longioreset fortiter incrassati. Bracteola subu- latae pubescentes, lcm longa, jam novissimae caducae. Calix subcampanulatus longe et aequaliter 5 dentatus, dentibus triangularibus acutis vel acuminatis, extus griseo pubescens, intus denso albido-sericeo hirtus, 6,5mm longus; Corola pallide lilacina. rosea vel alba, in alabastro subsigmoideo-flexuosa, sub anthesi ad basin laciniarum anguloso-reflexa, 3.5cm longa, usque ad 1/3 longitudinis in tubum adhaerens. Petalis spathulatis, glandulosae, apice obtusis rarus acutis, extus dense albido-sericeis, adpresse, intus tomentosis. Stamina 2 et staminodia 5 cum filamen- tis in tubo connatis. cohaerentia in tubo corollae at basim vel supra. Stamina ferti- lia 2, antheris basim longius apendiculatis, apendiculis 5mm longis, curvatis, levi- tcr pilosulo ad extremitas liber. Antherae rimosae 6mm longae. Filamentis basi glabris ad médium dense albido-sericeis lanosfs, in alabastro filamenta 5mm longa. Staminodia 5. longa. Filiformis, ad basim dense albido tomentosis, medio albido- sericeis apicem versus tomentosis. Discus ovarium brevissime superans, ferrugi- neus, glaber, crassus, apice brevissime quinquedentatus; ovarium parce et minime pilosulum, l,2mm longum, cinereopruinosum. Stylo usque ad 2,5cm longo, gla- Fro, apice pilosulo, stigmate capitato. Capsula matura 1,5— 2cm longa, cálice per- sistente non explanato, carpidiis 5 oblongis, compressis, dorso carinatis, fortiter transverse plicatis, pube persistente vestitis. Endocarpium coriaceum, aurantia- cum. Semina 2, brunnea, subglobosa, circa 5mm lata, subreticulata. Árvore pequena ou arbusto grande, com as partes jovens cinza-amarelas, pubescentes. Rambs glabros, rugosos e estriados, pouco lenticelados. Folhas trifo- lioladas. Pecíolos 5 a 9cm longos, na face superior canaliculados. Peciólulos até 2 m m longos, canaliculados na face superior. Folíolo obovato lanceolado, rnembra- néceo, raro subcoriáceo, pilosulo em ambas as faces. O folíolo central maior. Fo- •íolos na face superior mais escuros do que na inferior. Folíolo externo menor, subsessil, de base aguda. Limbus com 9 a 15cm de comprimento por 3 a 8cm de •argura, de ápice acuminado e base atenuada. Nervura mediana proeminente no la- do inferior, as nervuras secundárias, em número de 5 a 8, proeminentes no lado inferior. Inflorescência em racemo simples, axilar, longo, ereto. Pedúnculo com I ^ a 30cm de comprimento, estriado; raquis florífero com 4 a 6cm de comprimen- to- quando em fruto o dobro do comprimento; pedicelo, na ântese, até 2,5cm de comprimento, delgado, espessado no ápice, frutificado menos comprido e 273 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 mais espesso. Bractéola caduca, subulada, pubescente com lcm de comprimento. Cálice subcampanulado, com 5 dentes longos triangulares, agudos, de 6,5mm de comprimento, externamente denso tomentoso, internamente denso seríceo-lano- so. Corola alvacenta, rosa-pálida ou liláz-claro. Botões sibsigmóideos. Na ántese as flores até 3,5cm de comprimento, com pétalos anguloso-reflexos e até 1/3 de seu comprimento os pétalos aderentes. Pétalos espatulados, com glandulas, de ápi- ce obtuso, raro agudo, externamente denso seríceos, pelos adpressos, às vezes ape- nas com uma faixa central sericea, o restante viloso; internamente tomentoso. 5 estaminôdios e 2 estames férteis concrescidos entre si e aderente ao tubo da corola na base ou no terço inferior. Os estames férteis no lado abaxial. Filetes de base glabra, parte mediana denso albo seríceo-lanoso, no botão com 5mm de compri- mento. Anteras 6mm de comprimento com apendículo de Smm de comprimento, curvo e levemente piloso na extremidade livre. Estaminôdios longos, filiformes, de base densamente albo tomentosa, seguindo-se uma faixa albo sericea e as par- tes livres são tomentosas. Disco glabro, carnoso, com l,3mm de comprimento, pouco mais alto que o ovário, levemente 5-dentado. Ovário com l,2mm de com- primento, carpelos levemente pilosos. Estilete 2,5cm longo, piloso no ápice, es- tigma capitado. Fruto 2cm de comprimento, 5 carpídios oblongos, de dorso cari- nado, tansversalmente sulcados, pubescentes. Endocarpo coriáceo. alaranjado. 2 sementes castanhas, subglobosas com cca. de 5mm de diâmetro, de superfície su- breticulada. Tipo: Sintipo - Brasil, Pará: Vizeu, Mangai leg. Francisco Lima 25.1.191G (holoti- po MG, isotipos RB e G) - Brasil, Maranhão: Serra de Pirocaua (Holotipo MG 10362, isotipos RB eP). Distribuição: Esta espécie é conhecida do Pará, Maranhão, Piauí e interior do Ceará. Um exem- plar, Glaziou 679a, traz na etiqueta a procedência Floresta da Tijuca. Acreditamos tratar-se de um equívoco, uma vez que é a única coleta fora da área norte c nor- deste brasileira e de ser um “pro parte" de uma espécie frequente na Floresta da Tijuca, qual seja Neoraputia alba (Nees et Mart.) Emmerich (Glaziou 679). GLA- ZIOU (1905) a relaciona como Raputia trifoliata Engler e esta indicação é aceita por Albuquerque (1968) no seu estudo das Rutaceae do Estado da Guanabara. Material estudado: Brasil, Pará: Vizeu, Mangai, Francisco Lima 25.1.1910 (MG. RB, G); Maranhão: Serra de Pirocaua (MG. RB. P); Piau-: Parnaiba, Duckc 1.27.1907 (MG. RB. P); Ceará: Quixadá, Ducke 14.4.1909. (MG. G); Quixadá, “Pé de Serrotes", Ducke 6.7.1908 (MG); Quixadá, “pé da Serra Riscada," Huber X. 1897 (MG. G); Fortale- za, Mecejana, “base do serrote de Ancuri". Ducke 2538 (R. IPA. SP)'c Ducke 2548 (IPA. SP. US.-); Ceará, Freire Allemão et M. Cysneiros 283 (R). Observações ecológicas: Arbusto grande encontrado em capoeira, mata baixa de encosta e no mangue. Ocorrendo em altitudes até lOOm. 274 Na 3 Sigm»t»nthus Huber ex Emmerich 275 cm 3. Raputia Aublet Hist. Pl. Gui. Franç. 2: 670—672, tab. 272, 1775. Arbor, folia opposita vel alterna, 3—7 foliata. Inflorescentiae racemosae, axillarcs vel cimosae. Flores hermaphroditi, zygomorphae, curvatae. Calyx quin- quedentatus, petalis tubo inaequali conjunctus. Corolla bilabiata. Stamina fertilia 2, antherae basi breviter appendiculata. Staminodia 3, filamentis in tubo inaequa- liter connatis, tubo corollae cohacrentibus.'Discus cupularis, denticulatus. Stigma- ta 3 - 5 lobata, stylo glabro. Ovarium quinquepartitum, carpellis biovulatis. Fructus 5 cocei, coccis 1-2 spermis. Árvore ou arbusto de folhas opostas ou alternas, 3—7 folioladas. Inflores- cência em racemos axilares ou cimeiras. Flores pentameras, hermafroditas, zigo- morfas. Rores curvas. Cálice 5 dentado. Corola de pétalos concrescidos, bilabiada. Estames férteis 2, com anteras curtamente apendiculadas, estaminódios 3, concres- cidos entre si e aderente ao tubo da corola. Disco cupuliforme, denticulado. Es- tigma 3 a 5 lobulado, estilete glabro. Ovário 5 carpelar. Fruto com 5 carpídios, com 1 a 2 sementes. Gênero com 2 espécies Folhas trifolioladas R aromatica Aublet Folhas 5 a 7 folioladas R heptaphylla Pittier R aputia aromatica Aubl. Hist. Pl. Gui. Franç. '2: 671, tab. 272, 1775. Est. (XII) Arbusto de ramos opostos eretos. Folhas opostas, trifolioladas. Foliolos ovado-oblongos, acuminados, glabros, de margem inteira. Peciolo longo. Folío- los com glandulas translúcidas. Inflorescências axilares. Cálice 5 denteado, dentí- culos subrotundos, agudos. Corola de pétalos concrescidos, tubulosa, curva, ver- doenga, bilabiada. Lábio superior trífido, com o lobo intermediário maior, lábio inferior bífido. 2 estames, 3 estaminódios; Filetes curtos, vilosos, inseridos no tu- Eo; antera oblonga, bilocular, com apendículo na base. Disco envolvendo o ová- rio. Ovário subrotundo, pentágono. Estilete longo, estigma espessado, trilobado. Carpídios 5, coalescentes, subrotundos, angulosos, uniloculares, bivalves, com deiscência interna. Somente unica, ovóide, verde, aromática. Material não visto, apenas conhecido da descrição e da tábula de AUBLET. Distribuição: Habitat in sylvis Orapuensibus" foputia heptaphylla Pittier Contrb. Fl. Venezuela, 5, 1921. (Est. XIII) Arbusto ou árvore pequena, de ramos e retos, cilíndricos, lenticelados, com as partes jovens purpúreas, coberto por pelos pardos, esparsos. Folha com- P°sta, de 5 a 7 foliolos, desiguais, o central e às vezes os 3 centrais maiores que os laterais, os centrais medindo 12 a 28,5cm de comprimento por 3,5 a 8,5cm de largura. O mais lateral com 4,5 a I6,5cm de comprimento por 1,5 a 5cm de 277 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 E *t. XII RuputU aro mítica Aublet 1- inflorescência, 2- flor isolada, 3- Corola aberta mostrando os estames, 4- estame, 5- Cálice e gineceu, 6- infrutecência, 7- capsula aber- u . 8- cotilédones. (Tab. 272 de Aubl. Hist. Pl. Gui. Franc, 1775). cm largura. Pecíolo de 8;5cm a 22cm de comprimento e 3mm de largura, cilíndrico com o lado adaxial plano e canaliculado, logitudinalmente estriado, de base espes- sada. Peciólulos medindo de 1 a 2,5cm de comprimento, semicilíndricos com a face superior canaliculada. Folíolos cartáceos, glabros, de face superior verde brilhante e inferior verde mais claro, ovóides, elíticos ou ovóide-lanceolados, de base atenuada ou levemente decurrente, às vezes assimétrica. Ápice agudo, raro obtuso. Margem integra, levemente revoluta. Nervura mediana proeminente na face inferior e levemente carinada na face superior. Nervuras secundarias, em número de 12 a 15, proeminentes no lado inferior e impressas no lado superior. As nervuras terciárias formando um reticulado nítido nas duas faces. Inflores- cência terminal com 30 a 40cm de comprimento, cimoso-paniculada, com os racémulos cimosos pauciflores. Pedunculo ereto de 15 a 20cm de comprimento e 4 a 5mm de largura, na base com duas brácteas caducas, subopostas, oblongas, de 2 a 3cm de comprimento por 5mm de largura; pedicelos 5 a 12mm longos, ferrugíneo-vilosos; cálice cupuliforme levemente sinuoso lobado, persistentes. 4 mm longo por 4,5mm largo; externamente ferrugíneo-viloso, internamente le- vemente albo-seríceo. Flor curva, de pétalos alvos, desiguais, concrescidos irre- gularmente até mais ou menos 1/3 do seu comprimento, espatuladas, de ápice obtuso, externamente seríceos, internamente denso tomentosos, na floração refletidos, seus lacínios apresentando glândulas translúcidas. 2 estames e 3 esta- minódios, concrescidos num conjunto formado de 2 estames e 2 estaminódios, 1 estaminódio permanecendo isolado, presos sobre a corola pela pilosidade. An- teras de tamanho desigual, com pequeno apendículo, rimosas; filetes com o dor- so viloso, a face ventral na metade inferior glabra e na metade superior denso la- nosa. Estaminódios curtos, triangulares, agudos, com indumento idêntico ao dos estames. Disco glabro. carnoso, de margem denticulada. Ovário viloso, estilete glabro, estigma capitado, 5 lobulado. Frutos l,3cm de comprimento por _,8cm de largura com 5 carpídios, às vezes alguns menos desenvolvidos, presos apenas na base, obovóides e angulosos, castanho cinzentos, vilosos, no dorso carinados, faces laterais transversalmente sulcadas; Endocarpo coriáceo, alaranjado, lem longo por l,8cm de largo, 2 sementes nigrescentes, sub-globosas, com 5mm de diâmetro. Tipo: H. Pittier 9238, (Holotipo VENJ Isotipos: P. US. G; Paratipo: H. Pittier 8054 (VEN. US;) Distribuição: Esta espécie é conhecida da Venezuela, Colômbia e do Peru. Material estudado: yenezuela. Distrito Federal: ‘Virgin wetiorest on slopes along old road between “Portachuela" and “Peflita" (Petaquire) and Carayaca, between Colonia Tovar- J unquit 0 road and Hecienda El Limon, 6-8 mi. below junction of Junquito - Colonia Tovar road.” J.-A. Steyermark 91443, May 26, 1963 (VEN); Comienzo hacienda El Limón. Entre El Junquito y Puerto La Cruz, Aristeguieta 4643, ma yo 1961 (VEN, US); Selvas dei valle de Puerto La Cruz. H. Pittier 9238, feve- reiro 20, 1921, (VEN,' P, G, US); Hacienda Puerto La Cruz, H. Pittier 8054, 281 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 E «- XIII Riputú heptiphylU Pittier a- habitus, b-ccarpidio, d- botSo, e- corte do ^tio mostrando estaminódio e estame, f- gineceu, g- sementes, h- pericarpio, i-j an- tera. 283 11 12 13 14 cm Agosto 1918 (VEN, US); Colombia, José Celestino Mutis 1760 — 1808 n9 3771 (US); Peru, Departamento Loreto: Iquitos. E. P. Killip & A. C. Smith 27150, August 3-11. 1929 (US). Observações ecológicas: Arbusto delgado ou árvore de até 4m, freqüente em mata virgem húmida de encos- ta e nos lugares sombrios do bosque, ocorrendo em altitudes de 1000 a 1.500 me- tros. 4. Raputiarana Emmerich Raputia Aublet pr. p. Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro V: 143—144, 1930; Engler in Engler & Prantl. Pflanzenfamilien 29 ed. 19? : 287, 1931. Arbuscula, folia quinquefoliata. lnflorescentiae cymosae-cincinnoideae. Flores hermaphroditi, zygomorphae. Calix cupulatus, quinquedentatus. Corolla curvata. petalis glandulosae, in tubo inaequaliter connatis. Stamina fertilia 2, antherae basi longius appendiculata, appendiculus antheram superans. Staminodia 3. cum filamentis in tubo connata. cohaerentia vel conglutinata in tubo corollae. Discus cupularis. breviter dentatus vel sinuolatus. Stigmata capitata, Stylus longius, ovarium quinquepartitum. carpellis solum stylo conjunctis. Fructus 5 — cocci. Arbusto, com folhas compostas de 5 folíolos. lnflorescência em cimeira múltipla; dores pentâmeras. hermafroditas, zigomorfas, curvas. Cálice cupuliforme 5 denteado. Corola arqueada, pétalos desiguais com gândulas translúcidas. 4 peta- los mais ou menos concrescidos, e 1 mais estreito aderente. Estames férteis anteras longamente apendiculadas. Apendículos mais longos que a antera. Estami- nódios 3. reunidos com os filetes num tubo aderente ou parcialmente concrescido sobre o tubo da corola. Disco cupuliforme levemente denteado ou sinuoso. Estig- ma capitado, estilete longo, ovário 5 carpelar com carpelos livres, unidos pelo esti- lete; cada carpelo com 2 óvulos. Fruto com 5 carpídios. Com o sufixo tupi “rana” procuramos designar a semelhança aparente deste gêne- r ° com Raputia. Conhecida apenas uma espécie para o gênero. R aputiarana subsigmoidea (Ducke) Emmerich (Est. XIV e XV) Raputia subsigmoidea Ducke Arch. Jard. Bot. Rio de Janeiro V: 143-144, 1930. Frutex 3m alta, ramulis teretibus, striatis. junioribus flavidis. Folia alterna, glabra, 5- foliolata. Foliola intermedia altera superantia. Petiolo 17-30cm longo, 3 -5mm lato, superne applan 3 to et marginato, striato basi et apice incrassato. Pe- tiolulo 3mm - 2,5cm longo, basi incrassato. Foliola lanceolata, elitica vel oblon- 285 SciELO/ JBRJ Na 3 287 cm 12 3 4 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm go-lanceolata, basi cuneato vel attenuata apice sensim aucminata, usque ad 50cm longa et ad 15cm lata. Costa media utrinque prominens, nervis lateralibus 14-20, subtus prominentibus supra impressis, venis subtus reticulatis. Foliola integra le- vieter revoluta. Inflorescentia longa. Pedunculi usque ad dichotomiam primam 40 cm longi. glabri. striati, applanati, dichotome ramosi ramis elongatis valde diver- gentíbus. cicinnis fioriferis vulgo e pedunculi dichotomia tertia rarius quarta, pe- dunculatis flexuosis subsecundifloris parte juniore revoluta, ferrugineotomentosa. Flores anthesi 2-3mm pedicellati, callx cupuliformis, 5 dentatus, 3mm longus et S-6mm latus, extus ferrugineo-tomentosus. intus glaber; corolla alba. extus seri- ceo villosa, intus tomentosa fauce albo-villosa, in alabastro subsigmoideo-fiexuo- sa, anthesi ultra 3cm longa usque ad 1/3 longitudinis in tubum concreta, laciniis apicern versus dilatatis elongato-obovoideis obtusis, 4 latioribus anguloso-reflexis, quinta angustiore erecta. Stamina fertilia 2. anthera 6,5mm longa basi longius appendiculata. apppendiculo l,3cm longo, antheram superans. filamentis 1 cm longis subulatis ad basim albovillosis ad apicern glabris. Staminodia 3. subulata. 1.3cm longa, intus ad basim tomentosis, medio lanosis, apicern versus glabris. ex, us tomentosis. Discus glaber. leviter crenulatus. Ovarium glabrum vel breviter pilosum. Stylum glabrum, 1.5cm longum. Stigmata capitata. Arbusto 3m alto, ramos cilíndricos, longitudinalmente estriados, amarela- dos. Folha alterna, glabra, composta de 5 folíolos desiguais, o central maior. Pecío- ■°s triangulares, de base e ápice espessado. 17 a 30cm de comprimento por 3 a 5 Jtint de largura, longitudinalmente estriado. Peciólulos de 3mm a 2.5cm longos, de oase espessada. Folíolo lanceolado, elítico ou lanceolado oblongo, de base cunea- da ou atenuada e ápice agudo ou acuminado. de até 50cm de comprimento por 15 Cm de largura. Nervura mediana proeminete em ambas as faces, nervuras secundá- [| as em número de 14 a 20. proeminentes na face inferior, depressa na superior. erciárias formando um retículo na face inferior. Folíolo de margem inteira, le- ' ( e mente revoluta. Inflorescência longa. Pedúnculo até a bifurcaçSo com até 40cm e comprimento, glabro, estriado, aplanado. O pedúnculo se dichotomisando 3 a, é 4 vezes, ramos floríferos cincinados, ferrugíneo-tomentosos. Flores pedicela- das, pedicelos com 2-3mm. Cálice com 3mm de comprimento por 5-6mm de argura, cupuliforme, 5 dentado, externamente ferrugíneo-tomentoso, internamen- J e glabro. Corola alba, externamente sericeo-vilosa, internamente tomentosa, na •auce albo-vilosa. BotOes subsigmóides, fletidos. Na ántese os pétalos com 3cm de COrn Primento e até 1/3 do comprimento formando um tubo. 4 pétalos concresci- dos , o 5 livre. Pétlaos desiguais, os 4 mais largos espatulados de ápice obtuso, o quinto mais estreito. 2 estames férteis e 3 estaminódios, parcialmente concresci- d°s, entre si e sobre a corola. Os estames no lado abaxial da flor, filete albo-viloso " a Fase, no ápice glabro, subulado, curvo, lem longo Com antera rimosa, 6,5mm lon ga, apendículo l.lcm longo, glabro, curvo. Estaminódio subulado, l,3cm de c °mprimento, internamente na base tomentoso, no meio lanoso e para o ápice se 'ornando glabro. Externamente tomentoso. Disco quase com a mesma altura do 0v ário, 2mm, ápice levemente 5 denteado e pouco crenulado. Ovário glabro ou P°uco piloso. Estilete glabro, l,5cm longo, encurvado, estigma capitado. Tl P°: Du cke 5,1 1.1927 (Holotipo em RB, isotipo em P, G) 289 SciELO/JBRjl 0 11 12 13 14 R*putiarana subsigmoidca (Ducke) Emmcrich habitus. cm SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm Distribuição: Esta espécie é apenas conhecida de São Paulo de Olivença. Material estudado: Brasil, Amazonas, São Paulo de Olivença, Rio Solimões, Ducke (RB. P. G.); Ducke 1054 (MG. R). Observações ecológicas: Arbusto de cerca de 3m de altura, das margens pantanosas dos riachinhos da mata de terra firme. IV 2. ESPÉCIES EXCLUÍDAS: 1- Raputia larensis Tamayo & Croizat = Cusparia larensis (Tamayo & Croi- zat) Emmerich. (Est. XVI) O material por nos examinado apresenta inflorescência em panicula, as flo- res com 5 estames férteis, os carpídios separados desde o início, em parte aborta- dos e com uma só semente o que nos levou a transferir esta espécie para o gênero Cusparia. -• Raputia ossana (DC) Engler = Galipea ossana DC. (Est. XVIII) Não vimos material florífero desta espécie. Os frutos são muito diferentes dos do “complexo Raputia”. Antes de não estudar as flores, preferimos revalidar o nome dado por De Candolle a esta espécie, uma vez que encontramos uma contra- dição entre a descrição dada por ENGLER e a tábula feita por DE CANDOLLE. ENGLER, que confessa não ter visto material dessa espécie, equivocadamente, ao descrevê-la atribui-lhe apenas 3 estames estereis, o que não concorda nem com a descrição original, de DE CANDOLLE (1822), nem com a tábula que a ilustra. V LITERATURA CITADA ALBUQUERQUE, B. W. P. de Rutaceae do Estado da Guanabara. An. Acad. Brasil. Ciênc. 40 4:499-530,1968. AUBLET, E. Histotrc des Plantes de la Guiane Erançaisc II: 670—673, tab. 272. 1775. BENTHAM, G. et HOOKER, J. D. Genera Plantarum I: 285, 1862-1867. BRITTON, Vcgctation of Mona Island. in Ann. Missouri Bot. Garden 2, 1—2: 48, 1915. COWAN, R. s. Rutaceae in Botany of thc Guyana Highland IV. - Mem. 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Dictionnaire descriptif et synonvmique des genres des plantes phanérogames. VI: 109, 1935. i 'ttS ad ESENBECK, C. G. et MARTIUS, C. PH. E. de Eraxinellac, Plantarum Eamilia Natu- ralis. Definita et Scundum Genera disposita. Adiectis specierum Brasiliensium descriptioníbus, in Nov. Act. Nat. Acad. Cur. 11:172 PIT _ -176. tab. 1823. JLC^kR. H. Contr. El. Venezuela 5., 1921. ^TEHLÉ Caribbean Forester 6. Suppl. 330, 1945. EA.MAYO, E. & Croizat, L. Raputia larensis Tamavo & Croizat sp. nova Rutacearum. - Lilloa 17:223-226. 1949. VI RESUMO O presente trabalho é uma revisão de todas as espécies tidas como Raputia. O tipo das ínfloresccncias, o número de estames e de estaminódios, a presença c o comprimento dos apendículos da antera e a natureza dos frutos possibilitam um reagrupamcnto das espécies. A heterogeneidade dos carcteres morfológicos encontrados permite uma nova conceituaçào do género Raputia e a descrição de três novos gêneros, derivados, Neoraputia, Raputiarana e Sig- matanthus. Duas espécies novas c uma variedade são descritas Dados históricos, morfológicos c ec °lógicos são apresentados. Mapas indicam a distribuição geográfica das diferentes espécies. ABSTRACT This paper presents a taxonomic revision off all species of the genus Raputia. The na- turc of the mflorcscences and fruits, the number of stames and staminodia, the presence and tength of the appendages of anthers made a new reorganization possible. The heterogeneity of ° de Janeiro Botanical Garden herbarium (RB). Photographs ilustrate each species cited by th e authors. INTRODUÇÃO Dando continuidade ao levantamento dos “Tipos” do Herbário do Jardim Botânico d ° Rio de Janeiro, trabalho que vem sendo feito por Pesquisadores e Estagiários desta Institui- í^o. a Presentamos o que se refere às espécies da família Connaraceae. Pesquisador do Jardim Botânico e Bolsista db Conselho Nacional de Desenvolvimento Ci- entífico e Tecnológico (CNPq). ** Estagiária do Jardim Botânico e Bolsista do Conselho Nacional de Desenvolvimento Cien- tífico e Tecnológico (CNPq). ^õdri^rij— R, ° de Janeiro Vol. XXX-N945 1978 309 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm .. RELAÇÃO DAS ESPÉCIES ESTUDADAS Connarus erianthus Bentham ex Baker — RB: 15.822 Cormarus negrensis Huber - RB: 19.719 Rourea amazônica Huber - RB: 19.725 Rourea chryzomala Glaziou ex Schellenberg - RB: 88.356 Rourea cuspidata Bentham ex Baker var. cuspidata — RB: 19.717 Rourea duckei Huber - RB: 19.739, 146.205 Rourea glabra HBK. var. parviflora Baker - RB: 8.928 Rourea sprucei Schellenberg var. sprucei — RB: 358 1. Connarus erianthus Bentham ex Baker (Foto 1). Baker in Martius, Fl. Bras. 14 (2): 191, t. 46. 1871. “Habitat ad ripas fluv. Rio Negro prope Ega et Coari Prov. Alto Amazonas: Martius; ad Pa- rá. Sieber (Hoffmannsegg); in vicinia urbis Santarém, locis campestribus apertis: Spruce. - Najas.” Exemplar RB 15.822 ISOSfriTIPO 19 SCHED.: Ex Herb. Musei Britannici 29 SCHED.: Connarus L. erianthus Spruce O. N Connaraceae Santarém, Pará /Coll. R. Spruce anno 1850./ 39 SCHED.: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Herbário N9 15.822 Fam: Connaraceae Nome scient: Connarus erianthus Bth. Procedência: Santarém, Pará Collegit: Spruce Determ: por Schellenberg 2 Connarus negrensis Huber (Foto 2). Huber, Boi. Mus. Gocldi 5 (1): 374. 1909. “Habitat in silvisapud Barcellos and fl. Rio Negro, 1.V1I.05” Leg. A. Ducke (7208). Exemplar RB 19.719 1SÔTIPO 19 SCHED.: Barcellos Matta 1-111 Ducke. 29 SCHED.: Jardim Botânico do Rio de Janeiro 310 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 Herbário N9 19.719 Data: 1.7.1905 Nome scient: Connarus (negrensis Hub. =) Sprucei Baker Procedência: Barcelos, Rio Negro, Amazonas Collegit: A. Ducke Herb. Amaz. Mus. Pará 7208 Determ. por (J. Huber (typo) Schellenberg 3. Rourea amazônica Huber (Foto 3) Huber, Boi. Mus. Goeldi 5 (1): 373. 1909. “Hab. in silvis ripariiis, Paraná de Adauacá, apud oppidum Faro, 7.IX.07 Leg. A. Ducke (8659). Exemplar RB 19.725 1SÓTIPO 19 SCHED.: H. A. 8659 Rourea amazônica Hub. Paraná de Adauacá, várzea, 7.9.1907. A. D. 29 SCHED.: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Isotype of Rourea amazônica Huber = R. amazônica (Baker) Radlk. Data: Jun/7/71 39 SCHED.: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Herbário N9 19.725 Data: 7.9.1907 E'am: Connaraceae Nome scient: Rourea amazônica (Bak.) Radlk. Procedência: Paraná do Adauacá (Faro, Pará), várzea Collegit: A. Ducke, Herb. Amaz. Mus. Pará 8659 Determ: por (J. Huber) Schellenberg Obs: Forero (1976) elegeu a exsicata de n9 19.725 do Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro como um Isótipo e considerou a espécie de Huber como um sinônimo de Rou- íe * amazônica (Baker) Radlkofer. 4- Rourea chryzomala Glaziou ex Schellenberg (Foto 4) Schellenberg, Engler Pflanzenreich IV. 1 27 (Heft 103): 196. 1938. Sudbrasilianische Provinz: Goyaz, zwischen dem Rio Paranana und Chico Lobo in den Campos (Glaziou n9 20.871! - Typus in herb. Paris).” Exemplar RB 88.356 ISÓTIPO !9 SCHED.: Herb. Schwacke “ourea chryzomala Gilg. Goyaz Ex: Herb. Glaziou N9 20.871 311 SciELO/JBRJ cm .. 29 SCHED.: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Isopype of Rourea chryzomala Glaziou ex Schell. Determ. E. Forero Data: Jun/7/71 39 SCHED.: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Herbário n9 88.356 Fam: Connaracçae N. scient: Rourea chryzomala Gilg Procedência: Goyaz Observações: Herb. Schwacke Collegit: Glaziou 20871. Obs: Forero (1976) elegeu a exsicata de n9 88.356 do Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro como um Isótipo. 5. Rourea cuspidata Bentham ex Baker var. cuspidata (Foto 5). Baker in Martius, Fl. Bras. 14 (2): 181, t. 43. 1871. . "Habitat typus in prov. do Alti Amazonas, secus fluv. Rio Negro rnter Manaos et BarceUos: Spruce 1901., et inter BarceUos et S. Isabel: Spruce 1924 - Var. ad ripas fluv. Rio Negro prope S. Gabriel da Cachoeira: Spruce 2376. - Najas." Exemplar RB 19.717 ISOLECTÓT1PO 19 SCHED.: Rourea Aubl. cuspidata Spruce O. N. Connaraceae Secus Rio Negro Brasiliae sept., inter Barra et BarceUos. Nov. 1851 1: R. Spruce n9 1901. 29 SCHED.: Ex Herb. Musei Britannici 39 SCHED.: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Isolectotype of Rourea cuspidata Bentham ex Baker var. cuspidata Determ : E. Forero Data: Jun/7/71 49 SCHED.: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Herbário N9 19.717 Fam: Connaraceae Nom. scient: Rourea suspidata Benth. Procedência: Rio Negro, Amazonas CoUegit: Spruce 1901 Determ. por ScheUenberg Obs: Isolectótipo escolhido por ScheUenberg (1938) e confirmado por Forero (1976). Na mesma exsicata, encontramos um fragmento com frutos e, ao lado, a seguinte indicaçlo: “Prope Panuré ad Rio Uaupés. Brasil: bori: Spruce n9 2432”, o que leva a crer que se trate de um material coletado em outra ocasiáo. 312 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm 6. Rourea duckei Huber (Foto 6 e7) Huber, Boi. Mus. Goeldi 5 (1): 373. 1909. “Hab. ad fl. Mapuera 30.XI.07 (8962, exemplar florifemm) et 11.X11.07 (9097, exemplar frutiferum).” Legit: A. Ducke A) Exemplar RB 19.739 ISOSÍNTIPO 19 SCHED.: R. Mapuera C. da Egua, ilhas. 11.XII.1907 A. Ducke Arbusto; fr. avermelhados. 29 SCHED.: Lectotype Rourea duckei Huber in Boi. Mus. Goeldi 5: 373.1909 (Lectotype selected by E. Forero, 1971) E. Forero, 1971. 39 SCHED.: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Herbário N9 19.739 Data: 11.12.1907 Fam: Connaraceae Nome scient: Rourea duckei Hub. Procedência: Rio Mapuera, affl. Rio Trombetas, Pará Collegit: A. Ducke, Herb. Amaz. Mus. Pará 9097 Determ. por: J. Huber (Typo). B) Exemplar RB 146.205 ISOSÍNTIPO 19 SCHED.: R. Mapuera acima de Pataná 30.XI.1907 A. Ducke Arbusto da beira. Fl. Branca 29 SCHED.: Paratype of Rourea duckei Huber in Boi. Mus. Goeldi 5: 373.1909 E. Forero, 1971 39 SCHED.: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Herbário N9 146.205 Data: 30.11.1907 Fam: Connaraceae Nome scient: Rourea duckei Hub. Procedência: Rio Mapuera, affl. Rio Trombetas, Pará. Collegit: A. Ducke, Herb. Amaz. Mus. Pará, 8962 Determ. por J. Huber (typo) 313 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 Obs: Forero (1976) elegeu a exsicata n9 19.739 (A) do Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro como um Lectótipo e a exsicata n9 146.205 (B) do mesmo Herbário como um Parátipo. 7. Roureaglabra HBK var. parviflora Baker (Foto 8) Baker in Martius, Fl. Bras. 14 (2): 182.1871. "ad fl. Casiquiare, Vasiva et Pacimoni Brasiliae borealis et Venezuelae conterminae; Spruce 3273 ; et in México: Liebmann.” Exemplar RB 8.928 ISOSÍNTIPO 19 SCHED.: 5273 Rourea Ad flumina Casiquiari, Vasiva et pacimoni, coll. R. Spruce 1853-4. 29 SCHED.: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Isosyntipe Rourea glabra HBK var. parviflora Baker = R. cuspidata Benth. ex Baker var. cuspidata Determ. E. Forero Data: Jun/7/71 39 SCHED.: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Herbário N9 8.928 Fam: Connaraceae Gen: Rourea cuspidata Bth. ex Baker Spc: glabra H. B. K. Var: parviflora Baker Patria: Prov. Casiquiari Collegit: R. Spruce 3273 Det: Schellenberg Obs: Forero (1976) considerou esta variedade como um sinônimo de R. cuspidata var. cus- pidata. Na 39 Schedulae as observações sobre espécie (glabra H. B. K.) e variedade (parvi- flora Baker) estão riscadas, nâo sabemos por quem. 8. Rourea sprucei Schellenberg var. sprucei (Foto 9) Schellenberg in Engler, Pflanzenreich IV. 1 27 (Heft 103): 205.1938. “Provins des Amazonestromes: Alto do Amazonas, bei Panuré am Rio Uaupés (Spruce n9 2760! - Typus in herb. Berlin). Bolivia: Rurenabaque (Cardenas n9 1753!)." Leg. Spruce 2760. Exemplar RB 358 ISOLECTÓT1PO 19 SCHED.: Rourea, Aubl. O. N. Connaraceae Prope Panuré ad Rio Uaupés Brasiliae borealis R. Spruce n9 2.760 314 SciELO/JBRJ cm 29 SCHED.: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Isolectotype of Rourea sprucei Schellenberg Determ: E. Forero Data: Jun/7/71 39 SCHED.: Jardim Botânico do Rio de Janeiro Herbário N9 358 Fam. Connaraceae Nome scient : Rourea Sprucei Schellenb. Procedência: Rio Uaupés, Amazonas Collegit Spruce 2760 Determ. por Schellenberg. Obs: A exsicata em pauta foi eleita Isolectótipo por Forero (1976). AGRADECIMENTOS Ao Conselho Nacional de Desenvolvimento Cientifico e Tecnológico pelas bolsas con- cedidas às autoras. Ao Botáncico Dr. Jorge Fontella Pereira, pela valiosa orientação e aos Srs. Mário da Silva, Fotógrafo e Walter dos Santos Barbosa, Tecnologista, pela reprodução das fo- tografias. BIBLIOGRAFIA CONSULTADA BAKER, J. c. 1871. Connaraceae in Martius, Fl. Bras. 14 (2): 174-196, t. 43, 46. FORERO, E. 1976. A Revision of the American Speciesof Rourea Subgenus Rourea (Conna- raceae). Mcm. N. Y. Bot. Gard. 26 (1): 1-119, figs. 1-29. HUBER, J. 1909. Connaraceae in Materiais para a Flora amazônica. VII. Plantae Duckeanae austro-guyanenses. Enumeração das plantas siphonogamas colleccio- nadas de 1902 a 1907 na Guiana brasileira pelo Sr. Adolpho Ducke e determinadas pelo Dr. J. Huber. Boi. Mus. Goeldi 5 (1): 372-375. SCHELIENBERG, G. 1938. Connaraceae in Engier, Pflanzenreich IV. 127 (Heft 103): 1-326, figs. 1-48. 315 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. 1 . Connarus erianthus Bentham cx Baker 317 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 2. Connarus negrensis Hubcr 319 SciELO/JBRJ 3. Rourea amazônica Huber 321 SciELO/ JBRJ 3 11 12 13 14 4. Rourca chryzomala Glaziou cx Schcllcnberg 323 SciELO/ JBRJ, 11 12 13 14 5»xr. 1 : ~ TV Mitty nrjffiCl ii ri ti uinii <#►•** í-i. •(.► ». ij HTItM ^ &*»A / - •* « a»;i irwira se se v. um ■ 'ÁXZrit+oé -. Mxr. £• «Uy»« ti*. /- 5. Rourea cuspida ta Bcntham cx Baker var. cuspidata 325 cm 1 SciELO/ JBRJ cm l SciELO/ JBRJ ) 11 12 13 14 6. Rourea duckei Huber 327 cm l SciELO/JBRJ 7. Rourea duckei Huber oa Mfl&v émÍNiC0 . . *ra l»«» o*. Mmatí, <*'k% .«rsiaá òo.«tQ » mm : ' , Pm «*/ '*•**«* <&Í -Ji\ P r /£,„ Ijlil* IHilICi 85 811 lí ilIUli iúM í* Pt h ív'«-""5>' y/jrr ». • «r. 8. Rourea glabra HBK. var. paiviflora Baker 331 SciELO/ JBRJ cm .. '«Mi minei is ui tf iiiijii MSWM Í01 *MCO 00 «0 1» 5SÍ ísò^ 5 ■T =/'*««' SdHf/niey IM ÍTí.í/í» ff MTlí** 6*tA fV'- Jà-ri! .V 3U , . ■ . •fite-TOor -■■ /A /■ ■ Á ■„ /í XMÍ-i— 9. Rouiea sprucei Schellenbeig var. sprucei 333 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm “TIPOS DE SEMENTES ENCONTRADAS NAS SCROPHULARIACEAE” C. L. FALCÃO ICHASO* O presente trabalho refere-se a 17 tipos de sementes encontradas nas Scrophulariaceae e representa um tentativa para uma futura aplicação das caracte- rísticas destas sementes em uma “chave” que permia a determinação dos gêneros que ocorram no Brasil. O trabalho de THIERET (1954: 164—183) sobre as tribos e gêneros que ocorrem na América Central, foi o primeiro que apareceu dando maior destaque às sementes encontradas na família e que serviu de base à elaboração deste tema. THIERET criou 5 tipos de sementes que aqui serão aceitos parcialmente: - Tipo reticulado-Bacopa — Tipo reticulado— Lindemia — Tipo foveado-Torenia — Tipo longitudinal-sulcado-Stemodia - Tipo espiralado-sulcado-Schistophragma Nestes tipos foram feitas as seguintes modificações pela autora deste traba- lho: Supressão do epíteto genérico do tipo reticulado-Bacopa uma vez que di- versos gêneros se apresentam com sementes reticuladas. O mesmo se aplica ao tipo longitudinal-sulcado-Stemodia. O reticulado-Lindernia foi suprimido e as semen- tes deste gênero que se apresentavam com a testa reticulada, foram incluídas no ti- po reticulado propriamente dito. Outras, cujo reticulado era mais espaçado servi- ram de base à criação do tipo reticulado-foveado. Pesquisadora da Seção de Botânica Sistemática e Bolsista do CNPq. Rodriguésia Vol. XXX-N9 45 Rio de Janeiro 1978 335 SciELO/JBRJ Aos tipos de Thieret foram adicionados os seguintes: - Granulado -Stemodia - Sulcado-ondulado-Tetraulacium - Cristado-reticulado-Angelonia — Cristado-alado— Maurandia — Alado-ondulado-Linaria - Muricado-reticulado-alado-Antirrhinum - Corticoso-cristado— Cymbalaria - Pseudo-laevis-Veronica — Escavado— Verônica - Reticulado-inflado — Linear-Physocalyx — Reticulado-foveado Seguem-se as descrições de todos os tipos com ilustações dos mesmos feitas em microscópio estereoscópio com auxílio da câmara-clara nos aumentos corres- pondentes às escalas projetadas. 1- Tipo reticulado (= reticulado-Bacopa de Thieret) Caracteriza-se este tipo por apresentar a testa constituída de células de mais ou menos irregulares e regulares formando um reticulado pouco profundo. O endosperma apresenta-se também com um reticulado formado pela pressão das células da testa. São os seguintes os gêneros que o apresentam: -rdmm Na tribo Gratioleae : - Achetaria Cham. et Schlecht. - Bacopa Aubl. - Capraria Toun. ex L. - Conobea Aubl. - Gratiola L. - Lindemia All. - Mazus Lour. - Mecardonia Ruiz et Pav. - Otacanthus Lindl. - Schizosepala G. M. Barroso - Scoparia L. - Stemodia L. Na tribo Digitaleae: - Digitalis Bahunin ex L. Na tribo Buchnereae: - Anisantherina Pennell — Buchnera L. - Esterhazya Mikan 2 — Tipo foveado— Torenia Caracteriza-se por apresentar unicamente fóveas relativamente profundas 336 SciELO/JBRJ Imm com penetração das células epidérmicas e endoteliais no endosperma. Não há aqui como no reticulado-foveado de Lindemia ou de Verbascum uma tendência para a delinea- ção de um largo retículo. Dentre os gêneros brasileiros es- tudados é característico de Torenia L. que se encontra na tribo Gratioleae. 3 - Tipo longitudinal-sulcado = Longitudinal-sulcado-Stemodia de Thieret r imm 10 A denominação do tipo nada deixa a ser descrito restando apenas dizer-se que ca- racteriza também o gênero Calceolaria L. da tribo Calceolarieae motivo por que suprimiu- -se o epíteto genérico. Quanto ao gênero Stemodia L. pertence à tribo Gratioleae. 4 — Tipo sulcado-espiralado— Schistophragma Não foi encontrado nos gêneros estudados. Difere do anterior por serem os sulcos espiralados. 5 - Tipo granulado-Stemodia O gênero Stemodia L. é dentre todos os gêneros es- tudados aquele que engloba maior número de tipos pois ne- le encontram-se o reticulado, o longitudinal-sulcado e o tipo em questão que caracteriza as espécies S. erecta (Sw.) Minod, S. marítima L. e S. stricta Cham. et Schlecht. Todas elas são sementes diminutas com hilo aparente, e sua super- fície granulada poderia ser interpretada como uma contra- posição ao tipo foveado-Torenia. SciELO/JBRJ cm .. 6 - Tipo sulcado-ondulado— Tetraulacium lm m Jo Neste tipo, a epiderme da testa é re- sistente, a semente é negra, sub-tetragonal, apresentando além dos sulcos ondulações mais ou menos homogêneas e caracteriza imediatamente a espécie T. veronicoides Turcz. 7 - Tipo cristado-reticulado- Angelonia Pelo crescimento .da epiderme da testa, não acompanhado pelo núcleo seminífero, há a formação de cristas, hialinas, formadas pelas paredes anticli- nais das células epidérmicas impregnadas de uma substância parda que lhes dá resitência. imrõ .,0 É característico de Angelonia H. B. K., que foi subdividido por Schmidt (1862: 237—246) em grupos de' acordo com a deiscência de suas cápsulas. Infeliz- mente não se possuem coletadas todas as espécies citadas para o Brasil pois dentre as herboiizadas, verificou-se a viabilidade de serem distinguéveis apenas pelas ca- racterísticas das sementes. 338 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 8 - Tipo cristado-alado-Maurandia 9 — Tipo ondulado-alado— Linaria A semente de Linaria canadensis (L.) Dum. que é caracterizada por este tipo assemelha-se em seu formato, a de Antirrhinum majus L., por ser sub-tetragonal, embora tenha um eixo longitudinal bem menor que o desta última espécie. Os bordos são ondulado-alados. Pertence este gênero à tribo Antirrhineae. Apenas encontrado no gêne- ro Maurandia Ort. Há a for- mação de duas alas que cir- cundam o núcleo seminífe- ro, de consistência mais ou menos resistente não trans- lúcidas. O núcleo seminífero possui em toda a superfície restante cristas que nada mais são do que alas aborta- das. Maurandia Ort. perten- ce às Antirrhineae 10 — Tipo muricado-reticulado— Antirrhinum É um tipo misto, que como o seguin- te caracterizam duas espécies de Antirrhinum L. Há a formação de pe- quenas alas, que em conjunto, deli- neiam um reticulado. Na malha deste reticulado formam-se pequenas pro- tuberâncias que constituem a superfí- cie muricada. Este tipo, caracteriza a espécie A. majus L. 339 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. 1 1 - Tipo denso-muricado-Antirrhinum mm te à superfície muricada externa da semente. Caracteriza, orontium L. pertencente à tribo Antirrhineae. Toda a superfície an- terior desta semente, é coberta por pequenas protuberâncias, relati- vamente duras, en- quanto a superfície posterior é lisa. Há uma depressão sinuosa e assimétrica, lisa em quase toda a superfí- cie basal desta depres- são, exceção feita a di- minutos aglomerados de natureza semelhan- este tipo, a espécie A. •timo 1 2 - Tipo corticoso-cristado-Cymbalaria Semente muito caracterís- tica pois apresenta umas cristas de coloração alva, mas quando o ma- terial é herborizado, tornam-se castanho-claras. O núcleo seminí- fero é visível em poucos e dimi- nutos espaços assinalados no de- senho apresentado, por tonalida- de negra. Vistas sob a lente, essas cristas assemelham-se à cortiça, o que justifica a denomianção dada. Cymbalaria Hill, também pertence à tribo Antirrhineae. 13 - Tipo pseudo-laevis— Verônica As sementes de Verônica L. são as que mais se afas- tam dos- padrões encontrados nas Scrophulariaceae pois não formam o reticulado predominante de suas sementes. Ao contrário, dão a impressão de serem totalmente lisas, exceção feita à Verônica pérsica Poir. que possui sinuosidades em sua porção central e que por se diferenciar também das demais espécies do gênero, constituiu um tipo à parte. A inclusão do termo pseudo, deveu-se ao fato de algumas espécies terem a rafe visível, o que sugere um ornamento na 340 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 testa. São sementes de coloração castanho-claro, crassas e relativamente pouco numerosas por cápsula. 14 - Tipo escavado— Verónica Tipo que caracteriza imediatamente, a espécie V. pérsica Poir.. Sua face ventral é escavada e a rafe ocupa nesta região a porção mediana, sendo bem visível, mas perdendo-se em expressão à medida que atinge as extremidades. O gêne- ro Verónica L. pertence à tribo Veroniceae. 1 5 — Tipo reticulado-inflado Predominante nos gêneros da tribo Buchnereae, este tipo difere do reticulado propria- mente dito, por não ter o núcleo seminífero acompa- nhado o desenvolvimento da testa, ficando o mesmo mais ou menos centralizado e en- volvido pelas células epidér- micas o que induz a se inter- pretar este involtório como uma bolsa transparente e plena de ar. Em Çerardia communis Cham. et Schlecht o formato da semente, ova- lado, permite a sua imediata determinação. Já nos gêne- ros Melasma Berg. Alectra Thunb. Nothochilus Radlk. Escobedia Ruiz et Pav. e Castilleja Mutis ex L. o nú- cleo seminífero é perceptí- Ve l, também por transparência mas as expansões epidérmicas são mais desenvolvi- das no sentido longitudinal. 341 cm 1 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. Com exceção de Castilleja Mutis ex L. pertencente às Rhinantheae os demais gêneros citados àcima per- tencem à tribo Buchnereae. 16 — Tipo linear— Physocalyx De início este tipo havia sido incluído no reticu- lado-inflado, mas seu reticulado é quase imperceptí- vel pois suas células epidérmicas sendo muito estrei- tas dão a impressão de estrias ao mesmo tempo que T 4 m m impedem uma perfeita visualização do núcleo semi- nífero. Sendo sementes relativamente grandes (3— 4,5mm) denominou-se-lhes de linear— Physocalyx uma vez que determina este gênero, também perten- cente à tribo Buchnereae. 0 Ima 17 — Tipo reticulado-foveado Ao criar o tipo reticulado-Lindernia, THIERET apresentou um desenho onde a única diferença dete ti- po para o reticulado-Bacopa estava no formato das cé- lulas epidérmicas retangulares, que neste último tipo, apresentavam o lado maior paralelo ao eixo longitudi- nal da semente enquanto. que naquele, elas o possuíam perpendicular ao mesmo. Assim, por ser uma diferença quase imperceptível as espécies com sementes reticula- das foram incluídas no tipo reticulado. Lindemia crus- tácea (L.) Wettst., L. microcalyx Pennell et Stehl., L. diffusa (L.) Wettst. e L. barrosorum L. B. Smith., apresentam uma tendência para a formação de fóveas, 342 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 com uma distância apreciável entre as mesmas mas que ainda permitem a visuali- zação de um largo-retículo, daí ter-se cognominado a este tipo de reticulado-fovea- do. Lindemia All. pertence às Gratioleae e Verbascum Bauhin ex L., que também possui este tipo de semente, pertence à tribo Verbasceae. CONCLUSÃO Examinadas 99 espécies depositadas nos Herbários do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB), Museu Nacional (R), Rradeanum (HB) e Alberto Castellanos (GUA), verificou-se uma variação não só no formato, nas esculturações de suas tes- tas, como no tamanho e consequentemente, no n° de sementes por cápsula. Observou-se que Gratioleae é a tribo que possui maior número de tipos, incluindo o reticulado-foveado, o reticulado, o foveado, o longitudinal-sulcado, o sulcado-ondulado-Tetraulacium e o granulado, havendo uma predominância do tipo reticulado. Dentre as Gratioleae, Stemodia L. é o gênero que apresenta a maior varia- bilidade de tipos: granulado, reticulado e o longitudinal-sulcado. Em Verbasceae encontra-se o tipo reticulado-foveado (Verbascum Bahuin ex L.). Em Calceolarieae tem-se o longitudinal-sulcado e em Hemimerideae o cris- tado-reticulado-Angelonia. A tribo Antirrhineae representada no Brasil por 4 gêneros, serviu de base à criação de 5 tipos, uma vez que as 2 espécies de Antirrhinum L. variavam suflcien- temente, permitindo, cada uma, a criação de 1 tipo. Assim, têm-se os tipos: ondu- lado-alado-Linaria, corticoso-cristado-Cymbalaria, cristado-alado-Maurandia, o denso-muricado-Antirrhinum e o muricado-reticulado-alado-Antirrhinum. Veroniceae com Verônica L., serviu de base à criação de dois tipos: o esca- vado-Veronica e o pseudo-laevis-Veronica. As Buchnereae têm o tipo reticulado-inflado como o predominante, o reti- culado encontrado em Buchnera L. e em Anisantherina Pennell e o lenear-Physo- calyx. Conclue-se, pois que as sementes, nas Scrophulariaceae são um ótimo ca- ráter taxonômico e que o mesmo poderá ser utilizado como auxílio à determina- ção não só de gêneros como de algumas espécies, que neste trabalho serviram de base à criação de alguns tipos, como Linaria canadensis (L.) Dum., Antirrhinum majus L., Antirrhinum orontium L., Tetraulacium veronicoides Turcz. e Mauran- dia erubescens (Don.) A. Cray. RESUMO As variações encontradas nas sementes examinadas, permitiram que a autora criasse 12 tipos de sementes, além dos 5 anteriormente criados por THIERET, vizando uma futura aplicação dessas características em uma “chave” que permita a determinação dos gêneros encontrados no Brasil. 343 SciELO/JBRJ ABSTRACT On the basis of shape and structuie, twelve types of seeds have been established, besides the five ones previously named by Thieret. The author believes that a criterion of differentiation only using the seed-characteis for the creation of a “key” would be possible to establish. BIBLIOGRAFIA BARROSO, G. M. 1952 — Scrophulariaceae Indígenas e Exóticas no Brasil. - Rodriguésia 15 (27): 9-64. BENTHAM, G. 1846 - Scrophularineae in De Candolle, Prodromus Systematis Universales Regni Vegetabilis 10: 186-384. CORNER, E. J. H. 1976 - The Seeds of Dicotyledons 1. DAWSON, G. 1941 - Las especies dei género Verônica en la Republica Argentina, - Darwi- niana 5: 194-214, 4 fig. 1950 — Escrofulariáceas bonarenses - Revisión de las especies que Habitan en la Província de Buenos Aires. - Rev. Mus. de la Plata 8: 1-62,9 lám. ICHASO, C. L. F. e G. M. BARROSO 1970 — Escrofulariáceas in Reitz, Flora Ilustrada Cata- nense, 114 pág. 28 fig. e 30 mapas. MINOD, M. 1918 - Contributions a 1’Etude du genre Stemodia et du groupe des Stemodiées en Amerique. — Buli. Soc. Bot. Genève 10:155-252. PENNELL, F. W. 1921 - Verônica in North and South America. - Rhodora 23: 122, 29-41. 1935 - The Scrophulariaceae of Eastern Temperatc North America. - Acad. Nat. Sei. Phila. Monog. 1 . 1 946 - Reconsideration of the Bacopa-Herpestis Problem of the Scrophulariaceae. - Proc. Acad. Nat. Sei. Phila. 98: 83-98. THIERET, J. E. 1954 — The tribes and genera of Central American Scrophulariaceae. — Ceiba 5:164-183. WETTSTEIN V. R. 1891 - Scrophulariaceae in A. Engler u. L. Prantl Pflanzenfamilien 4 (3b): 39-107. 344 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO BIOSSISTEMÀTICO E ECOLÓGICO DE LUDWIGIA LEPTOCARPA (Nutt.) HARA. (1). W1LMA TEIXEIRA ORMOND* Maria Célia Bezerra Pinheiro** Alicia Rita Cortella de Castells*** Maria Célia Rodrigues Correia**** Museu Nacional - Rio de Janeiro (com 4 figuras no Texto) Ludwigia leptocarpa (Nutt.) Hara segundo MUNZ (1947) compreende duas variedades e uma forma. Mais recentemente, Raven (1963) cita a referida espécie para o velho mundo, sem entretanto consideradas variedades e formas estabeleci- das por MUNZ (1947) por falta de elementos para esclarecer o problema da pilosi- dade por esse assinalada. Os caracteres utilizados por MUNZ (1947), em sua chave, para determinação das variedades e forma foram, a pilosidade dos pedicelos, dos hipantos e caules jonvens e o tamanho dos pedicelos. (1) — Trabalho realizado com o apoio financeiro do Conselho de Ensino para Graduados da Universidade Federal do Rio de Janeiro (CEPG), Conselho Nacional de Desenvolvimen- to Científico e Tecnológico (CNPq) e recursos da própria Instituição. Professora Titular do Departamento de Botânica do Museu Nacional— UFRJ. ** Auxiliar de Ensino do Departamento de Botânica do Museu Nacional— UFRJ. *** Professora Colaboradora do Departamento de Botânica do Museu Nacional-UFRJ. **** Bolsista de Aperfeiçoamento pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq). Rodriguésia Rio de Janeiro Vol. XXX - N° 45 1978 345 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. Encontramos ao nível do mar (nas restingas) populações glabrescehtes. Igualmente foram encontradas populações de L. leptocarpa (Nutt.) Hara em altitu- des de 800m a l.OOOm exibindo estas uma pilosidade bem mais acentuada. Tentando obter elementos para delimitar os taxa ou melhor compreender o problema da gradação .da pilosidade submetemos as duas populações a experi- mentos de transplantes para canteiros homogêneos em locais diferentes daqueles dos ambientes naturais, bem como a contagem do número de cromossomas das duas populações. Na tentativa de esclarecer a nossa problemática abordamos também as en- tidades sob vários aspectos, onde incluímos estudos de polinização, morfologia dos frutos e biologia geral do taxon. MATERIAL E METODOLOGIA O material utilizado na experimentação deste trabalho foi cultivado no Horto Botânico do Museu Nacional, existindo de cada exemplar, em teste, uma exsicata no Herbário do Museu Nacional. Vinte e três (23) exemplares foram transplantados da Fazenda do Bonfim- Petrópolis (Serra dos Órgãos) e vinte c cinco (25) da Restinga de Jacarepaguá, ambos do Estado do Rio de Janeiro, para o Horto Botânico do Museu Nacional. Vinte (20) plantas foram obtidas a partir da germinação de sementes resultantes da autofecundação dos espécimes em cultivo. Os experimentos se realizaram em canteiros experimentais e em estufa telada. Para. o estudo da influência dos fatores abióticos sobre as morfologias encontradas, o material transplantado do campo e representante das duas popula- ções (de altitude e de nível do mar) foi plantado em canteiros homogêneos, lado a lado portanto nas mesmas condições ambientais. Os espécimes transplantados eram adultos. Os experimentos foram realizados durante 4 anos consecutivos. Para realização dos cruzamentos artificiais entre as duas populações, pro- cedemos a emasculação um a dois dias antes da antese. Os botões foram protegi- dos por saquinhos plásticos providos de poros respiratórios. A polinização foi feita por fricção direta da antera sobre o estigma. Os botões que seriam utilizados para polinização também foram protígidos alguns dias antes, da mesma forma, para evitar a sua contaminação. Cento e vinte (120) cruzamentos foram realizados entre as duas populações. Alternadamente espécimes das populações da Serra dos Órgãos e da Restinga de Jacarepaguá serviram como organismo materno, obtendo- se indiferentemente frutos. A extensão da autogamia e autocompatibilidade foi estimada por meio do ensacamento de cerca de 400 botões fio ais fechados de modo a evitar a contami- nação por pólen estranho. A existência de polinização natural cruzada foi testada em 30 botões florais, os quais foram emasculados, antes da deiscência das anteras e deixados expostos ao meio ambiente, isto é, sem proteção alguma e, somente após 24 horas foram então ensados e observados diariamente até a obtenção dos frutos. Várias flores e diferentes plantas foram deixadas como controle, isto é, sem interferência alguma de modo que ocorra simultaneamente, tanto a autogamia como a polinização cruzada, como supomos aconteça na natureza. 346 SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 cm Trinta (30) frutos obtidos por autogamia e trinta (30) por polinização na- tural foram mensurados para confirmar a diferença do tamanho dos mesmos, de- correntes do sistema de polinização. Os frutos obtidos das flores deixadas como controle, foram escolhidos ao acaso. Foram mensurados trinta (30) pedicelos e aparentes pedicelos tanto dos frutos provenientes de autogamia como dos de polinização natural. Para a contagem de cromossomas foram coletados botões florais na Restin- ga de Jacarepaguá e Serra dos Órgãos e fixados em álcool etílico absoluto e ácido acético glacial (3: 1). Após 24 horas foram transferidos para álcool etílico a 70%. O número de cromossomas foi determinado nas células mães de grãos de pólen. As anteras foram maceradas no carmim acético, segundo a técnica habitual. Os desenhos dos cromossomas foram feitos em camara clara Wild, empre- gando-se ocular 10 XK, Objetiva 90 X, abertura numérica 125, prisma 1,25 X. Exemplares utilizados na contagem do número de cromossomas estão de- positados no Herbário do Departamento de Botânica do Museu Nacional sob os números, Ormond n9 560 e Ormond n9 572. Material de diversos Herbários do Brasil foi examinado, conforme relação abaixo: MATERIAL EXAMINADO ACRE R. 109.975 - Território do Acre, Rio Branco, Barro Vermelho, Col. Luiz Emygdio de n9 1868,03/09/1960. ALAGOAS R. Alagoas, Município de Riacho Dôce, Pratagi, Col. J. Vidal n9 IV-977 (954); 4/1954. AMAPÁ MG. 28.588 - Território Amapá, Rio Araguari vicinity Camp 12, 19 1 l’N-529 8’W; Col. J. M. Pires, Wn. Rodrigues, G. C. Irvine; 30/09/1961. AMAZONAS MG'5081 - Amazonas, Rio Juruna, Santa Clara; Col. Ule 5104; 10-1900. R. 91659 - Amazonas, Cachoeira do Rio Madeira; Col. H. H. Rusby n9 1797; 10/1886. BAHIA R. 116.750 - Brasil, Bahia, Salvador, Antonia Rangel s/n; 1960. CEARÁ R. 30.287 - Ceará, Município de Maranguape; Col. Prancis Drouet 2654; 31/10/ 1935. R. B. 44.954 - Ceará Serra de Baturité, Col. José Eugênio (S.J.) 867; 30/11/1937. GOIÁS R. 10158 - Goiás, Meia Ponte; Col. Glaziou 21440,01/09/1894. 347 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 PERNAMBUCO R - Pernambuco, Recife, Bonji. Terrenos do IPA;Col. Ana Maria de Barra Lima; 1 1/ 1967. PIAUÍ' RB. 5895 - Piauí, Pouso do Guariba;Col. Luctzelburg 1 361 ; 06/08/191 2. RIO DE JANEIRO RB. 7270 - R. J. Praia da Gávea, Col. Armando Frazão; 7.1916. R 24.185 - R. J. Sertão Cacimbas, Rio Itabapoana; Col. A. Sampaio 9.1909. RB 60160 - R.J. Arnanam; Col. Othon Machado 220, 11/08/1945. R. 6761 - R. J.;Col. Dr. Souza Brito, 135; nov. 1916. R. 41.720 - R. J. Cajpos, Granja Bom Sucesso, Col. A. Sampaio 2882; 3/1918. R. 41.719 - R. J. Campos, Granja Bom Su- cesso, Col. A. Sampaio 2821, 2/1918. R. 41.718 - R. J. Teresópolis; Col. A. J. de Sampaio n° 2104; 03/04/1917. R. 38.585 - R. J. Teresópolis; Faz. Boa Fé; Col. Henrique Pimenta Velloso 322. 17/03/1943. RB. 67.730 - R.J. Morro Redondo, Col. Schwacke 1148, 10/11/1873. RB. 51.589 - R.J.Pe- trópolis, Caetitu, Col. O. E. Goes e Dionísio 119; 2/1943. R. 41.798 - R. J. Serra dos órgãos; Col. Manuca Palma; 07/03/1 883. R. 41.733 - R. J. Cam- pos. Fazenda da Cacomanga; Col. A. Jozia Sampaio 8859/; 9/1939. PEL 4449 - R. J. Est. para Jacarepaguá, Col. E. Pereira 4408, Sucre e Duarte 15/10/1958. R. 54.241 R. J. - Recreio dos Bandeirantes, Jacarepaguá, Col. Palacios Balengo Cuezzo 4438; 09/01/1949. RB. 67.731 - R. J. Jardim Bo- tânico. Col. Dionísio, 29/05/1937. Ormond, n9 183, 190, 209, Quinta da Boa Vista, 1967; Ormond n° 211, 216, 299 Jacarepaguá. Recreio dos Ban- deirantes, 1968: Ormond n9 476, 515, Recreio dos Bandeirantes 1973. Ormond n9 546, 579 Petrópolis, S. dos Órgãos 1973, Ormond n9 509, Pati de Alferes 1973. Ormond n°. 536, 537, 538, 539, 540, 544, Jacarepaguá. 1974; Ormond n9 531, 532, 533, 541. Serra dos Órgãos, Teresópolis, 1974; Ormond n9 529, 530, 534, Teresópolis, Serra dos Órgãos, 1975. RIO GRANDE DO SUL ICN. R. G. S„ Porto Alegre, Aterro Praia de Belas. Col. A. G. Ferreira 469; 15/04/ 1968. RORAIMA MG 30.612 - Roraima, Boa Vista, Col. M. Silva 14, 20/02/ 1964. SANTA CATARINA RB. 51.274 - Sta. Catarina, Arar, Sombrio, Col. A. R. Reitz 520 15/04/1944. SÃO PAULO R. 41.724 - S. P. Horto Florestal de R. Claro; Col. A. Sampaio 4002; 9/1925. IAC 7171 - S. P. Pindamonhangaba, Col. S. G.; 23/08/1943. IAC 9351 - S. P. Pindamonhangaba, Campo Exper., Col. D. Dedecca, 02/06/1948 SPF 647 - S. P. Butantã, Col. A. B. Joly; 20/12/1948. MARANHÃO RB. 102.605 — Maranhão, Col. Ozimo de Carvalho 9; 1958. MATO GROSSO R. 30.628 - Mato Grosso, Cuiabá, Col. Gust. O. A.: Malme; 06/07/1903. R. 28.005 - Mato Grosso, Cuiabá, Col. O. A. Malme, 03/05/1894. R. 27.368 - Mato Grosso, Cuiabá, Col. F. C. Hoehne; 2/1911. R. 27.367 - Mato Grosso, Cuia- bá, Col. F. C. Hoehne; 2/1911. R. 107.113 - Mato Grosso, Pantanal do Rio Negro, Fazenda Barra Mansa Col. Castcllanos 8i Strang 22.457. 10/09/1959. R. 41.774 - Mato Grosso, Tucano no Rio Paraguay acima de Corumbá, Col. F. C. Hoehne: 12/1913. 348 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm MINAS GERAIS VIC 1671 - Brasil, Minas Gerais, Viçosa, ESAV, Col. Kuhlmann 12/12/1934. V1C 2486 - Brasil, Minas Gerais, Viçosa, Col. Kuhlmann, 1935. HB 25.066 - Brasil, Minas Gerais, Três Marias no Rio São Francisco Col. G. F. J. Pabst 7095, 12/10/1962. R. 116.700 - Brasil, Minas Gerais, Passa Quatro, Sena da Mantiqueira Col. J, Vidal s/n9 ; I V/l 949. PARÁ R. 19031 - Pará, Óbidos, Col. Sampaio n9 4.922.1 1/09/1928 MG 11.043 - Pará, Óbidos, Col. A. Ducke; 22/09/1910. MG 3.259 - Pará, Marajó, Col. Ch. de Miranda, 1/1903. MG 9.986 - Pará, Monte Alegre, Col. A. Ducke, 16/12/. 1908 MG 10.896 - Pará, Rio Cuminá, Lago Salgado, Col. A. Ducke. 29/08/ 1910. PARAÍBA RB 52.417 — Paraíba, Areia, Esc. de Agron. do Nordeste, Col. J. de Moraes Vascon- celos 354; 30/10/1944. R. Paraíba. Areia Propriedade da Sta. Vitória Cruz, Col. Vania Perazzo Barbosa, n9 26; 7/1972. R. Paraíba, Areia, Propriedade da Sta. Vitória Cruz, Col. Vania Perazzo Barbosa, 7/1972. PARANÁ HB 4.448 - Brasil, Paraná, Mun. Cerro Azul, Cerro Azul, Col. G. Hatschbach. 04/ 02/1961. HB 17.286 - Brasil, Paraná, Cerro Azul, Col. Hatschbach 7720; 04/02/1961. DISCUSSÃO E CONCLUSÕES EXPERIMENTOS DE TRANSPLANTES - Diversos exemplares transplan- tados da altitude de 1000 metros (Serra dos Órgãos) para a área experimental do Museu Nacional (Horto Botânico) e que situa-se ao nível do mar, permaneceram com o mesmo lenótipo, isto é, a pilosidade dos caules jovens, pedicelos e hipantos manteve-se acentuada, igualmente como ocorre no ambiente natural. Os espécimes foram mantidos em experimentação, por um período de 4 anos. Além dos testes feitos nos exemplares diretamente transplantados da Serra dos órgãos e da Restin- ga de Jacarepaguá, outros foram feitos em exemplares provenientes de sementes por nós obtidas por autofecundação dos exemplares transplantados mantendo os mesmos as suas características. O transplante das duas populações para canteiros experimentais homogêneos, lado a lado, e distinto dos ambientes em que se encon- travam, não produziu modificação nos fenótipos das mesmas. Por outro lado, a análise de material de herbário proveniente das diferentes regiões do Brasil, desde o extremo norte até o sul, revelou a existência de exemplares com uma grande va- riação quanto ao grau de pilosidade em áreas geograficamente próximas e sem di- ferenças altitudenais. Como os experimentos de transplante não nos permitiram chegar a uma conclusão, realizamos cruzamentos entre as duas populações os quais redundaram em produção de frutos com sementes viáveis. O estudo das progénies obtidas em Fl, entretanto, não nos permitiu esclarecer sobre o problema do caráter pilosidade. 349 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. Em Fl. os indivíduos nunca exibiram o mesmo fenótipo, dos pais quanto à pilosi- dade, isto é, nunca eram tio pilosos ou glabrescentes quanto eles. O que se obser- vou é que a progénie apresentava um grande número de indivíduos, distintos entre si quanto ao grau de pilosidade, tendendo, entretanto, mais para pubescentes. Em virtude da não obtenção de dados mais precisos para solucionar esse problema, procedemos a contagem do número de cromossomas das duas populações, análise morfológica do fruto e estudo do sistema de polinização. NÚMERO DE CROMOSSOMAS — Segundo correspondência a nós enviada por RAVEN em 25/06/1965, L. leptocarpa possui n=16. Este mesmo número foi por nós encontrado nas duas populações em estudo (Fig. n9 1). POLINIZAÇÃO E MORFOLOGIA DO FRUTO - As flores de Ludwigia leptocarpa (Nutt.) Hara são hermafroditas. A antese das mesmas ocorre de manhã por volta de 7 às 8 horas. A deiscência das anteras é extrorsa conforme assinala também RAVEN (1963) e o que nos induziu inicialmente a pensar que se tratava de planta cruzada. Para melhor compreender o seu sistema de reprodução diversos exemplares foram mantidos em cultivo, tanto em canteiros totalmente expostos, como em estufa telada, onde naturalmente, neste caso, ficavam protegidos dos agentes polinizadores. Periodicamente, eram feitas observações o que nos permitiu verificar que os exemplares em cultivo nos canteiros eram visitados por insetos. Notamos que tanto os exemplares dos canteiros como os da estufa, produziram frutos com sementes viáveis. Essa observação nos surpreendeu, um vez que, estan- do na estufa, a obtenção de frutos só podia dar-se através de autogamia, contrari- ando o que RAVEN (1963) assinala: “As anteras são extrorsas e assim não liberam o pólen diretamente sobre o seu estigma”. Uma análise mais acurada evidenciou uma diferença morfológica significa- tiva entre os frutos obtidos dos exemplares expostos e daqueles da estufa. Essa diferença está relacionada com o tamanho do fruto e do pedicelo, exibindo os frutos da estufa um tamanho bem menor e um aparente pedicelo longo enquanto que aqueles provenientes dos canteiros eram bem maiores e com pedicelos peque- nos. Os frutos da estufa se apresentam menos desenvolvidos do que os dos cantei- ros. MUNZ (1947), estabelece como um dos caracteres diferenciadores das varie- dades de L. leptocarpa (Nutt.) Hara, o tamanho dos pedicelos indo eles de 1 a 15 mm de comprimento. Assinala ainda que na parte superior do pedicelo encontram- se bractéolas concrescidas com as estipulas. Neste trabalho não consideramos o limite de pedicelo a região onde encon- tram-se inseridas as bractéolas concrescidas com as estipulas (MUNZ, 1947). O exame mais minucioso, quando procedemos a mensuração dos pedicelos, mostra- ram uma certa variabilidade quanto à localização das bractéolas o que nos obriga à aplicação de outras técnicas para melhor delimitação deste caráter e que por esta razão o taxon está sendo motivo de outros trabalhos. Os resultados das men- surações mostraram que os pedicelos dos exemplares, em cultivo, alcançaram no máximo 8mm de comprimento e os aparentes pedicelos um máximo de 23mm. Este fato induziu a um estudo intensivo, observações e aplicação de diversos tes- tes para melhor conhecimento do sistema de reprodução e compreensão do desen- volvimento das morfologias diferente dos frutos. Pelos testes aplicados concluímos 350 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm que o taxon era autogâmico e autocompatível, restando-nos assim verificar se também ocorria polinização cruzada. Os experimentos realizados mostraram ser o taxon também de polinização cruzada (Fig. 2c). Os resultados obtidos de ambos os testes confirmaram e comprovaram que L. leptocarpa (Nutt.) Hara é autogâmica e autocompatível bem como cruzada. Os frutos obtidos dos botões que foram ensacados dentro e fora da estufa, diferiam daqueles dos canteiros que não foram ensacados, nSb só o comprimento do fruto, que naqueles é bem menor, como também no do pedicelo, que por sua vez, se apresenta bem maior (Fig. 2a-d). Paralelamente submetemos o taxon a outro experimento que consistiu em emascular as flores e deixá-las expostas sem proteção do saquinho e portanto sujei- tas a visitação, ao acaso, por insetos e consequentemente polinização cruzada-na- tural (Fig. 2b). Simultaneamente selecionamos botões para servirem de controle, isto é, para verificar o tamanho dos frutos obtidos naturalmente (Fig. 2d). Pelo exame dos frutos coletados, ao acaso, verificamos que predomina a fertilização cruzada. KAUL (1972) encontrou o inverso para Argemone mexicana Linn. Os frutos obtidos por autogamia apresentam, em média, 170 sementes. Os oriundos por fecundação cruzada, quer artificialmente, quer deixados emasculados e expostos, apresentam uma média de 390 sementes como ocorre naqueles selecio- nados para controle. Não obstante, encontramos, ao acaso, na natureza frutos com pedicelos considerados longos e iguais aos obtidos por autogamia. Supomos nestes casos tra- tar-se de flores não visitadas pelos insetos ou ainda a ausência de polinizador no dia de sua antese ou a outros fatores. Com estes dados podemos entender as diferenças no desenvolvimento dos frutos, isto é, frutos com pedicelos curtos e frutos com aparente pedicelos longos (Fig. 3 a-b). Nas flores em que ocorre somente a autogamia só os óvulos da parte superior do ovário são fecundados, formando portanto, sementes, ficando a parte basal do fruto atrofiada por falta de fecundação dos óvulos (Fig. 3a). Naqueles em que ocorre simultaneamente a autofertilização e cruzamento, todos os óvulos são fecundados ficando o fruto em todo seu comprimento desenvolvido (Fig. 3b). A base atrofiada dos frutos nos induziu inicialmente a pensar tratar-se de um pe- dicelo longo, conforme é admitido por MLTNZ (1947). Desta forma se desconhecessemos que o suposto pedicelo, longo, nada Htais era do que o próprio pedicelo mais a parte basal do fruto, cujos óvulos não foram fecundados, continuaríamos a considerar que as dimensões do pedicelo va- riavam de 3mm a 20mm de comprimento. Quanto à comprovação das diferenças apresentadas pelos diversos, frutos, em função do modo de sua obtenção, isto é, autogamia ou polinização cruzada foram feitos polígonos de freqüência para cada amostra obtida (Fig. 4). Os dados estatísticos estão apresentados na tabela 1. A análise dos resultados obtidos nos levou a concluir que 60% dos frutos, r esultantes de polinização natural, apresentavam-se totalmente desenvolvidos e com todas as suas sementes formadas, enquanto que o dos frutos, resultantes de a utogamia, 10% apenas atingiu o seu desenvolvimento total. Os dados estatísticos confirmaram o que nós observamos, estando assim de acordo com o que a bibliografia assinala. SOLBRIG (1970) referindo-se aos 351 SciELO/JBRJ cm estudos clássicos de Darwin comenta que o mesmo demonstrou que em muitas espécies, geralmente cruzadas, quando passam a ser autofertilizadas, apresentam uma redução do número de sementes, chegando até mesmo em alguns casos, a não formá-las. Observa ainda que as plântulas provenientes de sementes obtidas por autopolinização não crescem tanto quanto as obtidas por cruzamento, pos- suindo também menos vigor. STEBBINS (1950) comenta que algumas espécies necessitam ser cruzadas, e se autofertilizadas não produzem progénies, ou quando o fazem, estas são fracas e se degeneram, enquanto outras espécies afins são regu- larmente autofertilizadas e parecem não ser afetadas pela contínua autofecunda- ção. STEBBINS (1957) assinala que a problemática que envolve cruzamento e autofertilização de plantas, necessita ainda de muitos estudos para determinar as vantagens e desvantagens de um ou de outro sistema de reprodução sexuada. SOLBRIG (1977) observa que a autogamia leva a um aumento de autofertilização e que normalmente na maioria das plantas que se cruzam, a autofertilização é tida como caráter de diminuição do vigor das sementes e da diminuição de sua produ- ção. Segundo PROCTOR (1975) muitas espécies podem apresentar uma parcial auto-incompatibilidade, isto é, o seu próprio pólen cresce mais vagarosamente no seu estilete do que aqueles que provén de outra planta. Ormond (1973) verificou caso semelhante quando cruzou Ludwigia octovalvis subsp. sessiliflora (Mich. Raven O X Ludwigia octovalvis (Jacq) Raven subsp. octovalvis Cf obtendo uma progénie com parcial incompatibilidade, isto é, não era autogâmica como os pais, mas quando polinizada artificialmente, com pólen de outra flor da mesma plan- ta, produzia frutos com sementes. As razões que causam a obtenção dessas diferentes progénies ainda não estão bem esclarecidas. Torna-se, entretanto, necessário prosseguir esses estudos a fim de aplicar os mesmos às plantas econômicas para obtenção de uma maior produtividade através do estudo do sistema reprodutivo. MUNZ (1947) como já assinalamos, usa o caráter de comprimento de pe- dicelo, além do de pilosidade, para estabelecer as variedades de L. leptocarpa (Nutt.) Hara o que não é significante nas 2 populações por nós estudadas. A completa fertilização dos óvulos de L leptocarpa (Nutt.) Hara quando cruzada e a não fertilização dos óvulos situados na parte basal do ovário quando é somente autogâmica, está sendo motivo de outro trabalho para esclarecermos o porque da não fertilização de todos os óvulos do referido taxon quando não há cruzamento, bem com na pilosidade. AGRADECIMENTOS Os autores expressam seus melhores agradecimentos às diversas Instituições pelo empréstimo do material de herbário conforme relação do material examinado. Ao Professor ROGER P. ARLÉ do Departamento de Entomologia do Museu Nacional pela feitura das fotografias. 352 SciELO/ JBRJ 10 11 12 13 cm RESUMO Neste trabalho os autores apresentam algumas considerações sobre os caracteres deli- mitadores das variedades e forma de Ludwigia leptocarpa (Nutt.) Hara. Esta espécie ocorre no Brasil desde o Norte até o Sul em habitats diversos. As polulações por nós selecionadas para aplicação dos testes experimentais, foram da Restinga de Jacarepaguá (nível do mar) e Serra dos Órgãos (cerca de lOOOm de altitude). As duas populações foram transplantadas para os canteiros experimentais do Horto Botânico do Museu Nacional sob as mesmas condições ambientais. Osfenótipos se mantiveram conforme as características apresentadas quando nos seus ambientes naturais. O número de cromossomas das duas populações é n=16. Quanto à polinização verificamos que L. leptocarpa (Nutt.) Hara é autogâmica, auto- compatível e cruzada. Os frutos obtidos por autogamia possuem hipanto com menor tama- nho. Os obtidos por cruzamento são mais desenvolvidos. O pedicelo varia de 3 a 8mm de comprimento. Maior ou menor desenvolvimento do fruto deve-se à falta de fertilização dos óvulos situados na parte inferior do ovário que lhes dá um aspecto de pedicelo. Para comprovar as diferenças do desenvolvimento dos frutos recorremos a estatística. ABSTRACT The characteristics of the varieties of Ludwigia leptocarpa (Nutt.) Hara are discussed by the authors. Thís species occurs from the North to the South of Brazil, in totally different habitat. Populations from the Restinga de Jacarepaguá (sea levei) and from Serra dos Órgãos (about lOOOm altitude) were selected in order to apply the experimental tests. Both populations were transplanted to the experimental gardens at the Museu Nacio- nal (RJ) and mantained under the same experimental environment. The two phenotypes retained their original characteristics. The number of chromoso- mes is n=16 for both populations. Ludwigia leptocarpa (Nutt.) Hara is autogamic, autocompatible and crossed. Fruits obtained through autogamic present a smaller capsule than those obtained by Crossing. Pedicel range from 3 to 8mm in lenght. , The no fertilization of the ovules situated in the lower regions of the ovary leadsdo a lower development of the fruits, and gives to them the aspect of a pedicel. Statistical methods were applied to compare the differences in development of the fruits. BIBLIOGRAFIA DAVIES, O. L., 1965. Métodos Estatísticos. Aguilar Madri. XXIII+ 423pp. HOEL, P. G., 1972. Estatística Elementar. Editora Fundo de Cultura, 311pp. KAUL, M.L.H., 1972. Studies on Argenione mexican Linn. VI Pollen Morphology. Floral Biology and Pollination Mechanism. Proc. Indian Acad. Sei. Vol. LXXV, n° 2, Sec. B: 86-93. 353 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 MUNZ, P. A., 1974 Onagraceae. Flora Brasilica, 41 (1): 1-62, 51ps. ORMOND, W. T., 1973 Contribuição ao Estudo Biossistemático e Ecológico de Ludwigia octovalvis (Jacp.) Raven. (Onagraceae) Rev. Brasil. Biol. 33 (1): 87-107. PROCTOR, M. and Yeo 1975. The Pollination of Flowers. Collins ST. James Place, Lon- don. 418pp. 132 figs. 51 pis. 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Frutos resultantes de cada tipo de polinização a) Autogamia b) polinização natural c) Cruzamento artificial d) polinização natural-controle. 357 SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 2 2.rmron f ig. 3 Ludwigia leptocarpa (Nutt.) Haia. a) Desenvolvimento do fruto obtido com proteção de saquinho onde os óvulos da parte basal não foram fecundados. b) Polinização natural - mostrando a completa fecundação dos óvulos. 359 SciELO/JBRJ FREQUÊNCIA cm AUTOGAMIA POL. NATURAL Fig. 4 _ Gráfico mostrando as diferenças de frutos resultantes de autogamla e de polinização natural. 361 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm .. TABELA I Comprimento do fruto AUTOGAMIA POLINIZAÇÃO NATURAL X 2.81 cm 3,98 cm s 0.45 0,55 s x 0.08 0,10 cv % 16 % 13,9% N 30 30 t t = 1 1,7 teste muito significativo p = 0,005 363 SciELO/JBRJ ) 11 12 13 14 CONTRIBUIÇÃO AO ESTUDO DAS PTERIDÓFITAS - I CHAVE PARA DETERMINAÇÃO DAS FAMÍLIAS ODETTE PEREIRA TRAVASSOS Jardim Botânico O presente trabalho é o início de uma série de contribuições para o conheci- mento geral das Pteridofitas. A primeira contribuição é uma chave para determinar material estéril das vinte e três famílias que ocorrem no Brasil, de acordo cóm o sistema de ENGLER (1954). Foi baseada nos seguintes caracteres: habitat, caule e folha estéril (trofó- fila) e no revestimento. Para usá-la é necessário os seguintes dados: habitat, tipo e revestimento do caule, pecíolo e limbo da folha. Pois ocorre que há famílias que sáo reconhecidas por pequenos detalhes na base do pecíolo, e outras, como no caso de Cyatheaceae e Dicksoniaceae são separadas apenas pelo revestimento. A idéia de fazer esta chave, foi porque sendo estudiosa no assunto, reco- nheço com facilidade as diferentes famílias, sem necessidade de recorrer ao es- porófito. Aprofundei-me no estudo morfológico da raiz, caule e folha das mesmas e por meio de comparação, foi possível elaborá-la. Resolvi usar o termo folha em vez de fronde no grupo das Filicineas (fetos verdadeiros) para facilitar aqueles que irão manusea-la. Espero que a mesma auxilie aos que necessitam apenas da determinação da família para seus estudos. 1 - Plantas aquáticas ou paludosas - Plantas epífitas ou terrestres . 2 - Plantas aquáticas natantes . . - Plantas aquáticas ou paludosas Rodriguésia Vol. XXX — N9 45 Rio de Janeiro 1978 365 3 5 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 3 - Plantas com folhas simples, recortadas, membra- naceas, com mais de 2cm de comprimento, com uma folha por nó. (Fig. 1) PARKER1ACEAE - Plantas com folhas simples, até 2cm de compri- mento 4 4 - Com três folhas por nó, duas folhas normais, natantes e uma submersa, com limbo reduzido aos cordões vasculares (Fig. 2) SALVINEACEAE - Com duas folhas, por nó, muito pequenas, uma natante e outra submersa AZOLLACEAE 5 - Plantas aquáticas nfo natantes 6 - Plantas paludosas 11 6 - Plantas pequenas, bulbosas, folhas assoveladas, liguladas, dispostas em roseta (Fig. 3) ISOETACEAE - Plantas com rizoma ou caule ereto 7 7 - Plantas com rizoma 8 - Plantas com caule ereto, folhas grandes, com mais de um metro de comprimento, pinadas e com pinas inteiras POLYPODIACEAE (Gen. Acrostichum) 8 - Plantas com folhas de limbo muito reduzido, fili- forme, assemelhando-se a capim (Fig. 4) P1LULARIACEAE - Plantas com folhas normais, simples ou compos- tas 9 9 - Folha simples, recortada, membranácea (Fig. 1) . PARKERIACEAE - Folha composta 10 10 - Folhas compostas de quatro folíolos, dispostos em cruz (Fig. 5) MARS1L1ACEAE - Folhas compostas de dois folíolos e com latex ^ en - Marsilia) (Fig. 6) MARSILIACEAE (Gen. Regnellidium) 1 1 - Plantas pequenas, bulbosas, com folhas assovela- das, liguladas, dispostas em roseta (Fig. 3) .... ISOETACEAE - Plantas com rizoma, e ramos eretos ou caules eretos • 12 12 — Caule ereto, com folhas grandes, eretas, pinadas e com pinas inteiras POLYPODIACEAE (gen. Acrostichum) - Plantas com rizoma ou rizoma e ramos eretos .. 13 13 - Plantas rizomáticas, com ramos aéreos, erectos, folhas verticiladas, muito pequenas, de base co- nata e formando uma bainha em volta do nó ... EQUISETACEAE 366 SciELO/ JBRJ ) 11 12 13 14 - Plantas rizomáticas, com uma única folha por nó 14 14 - Folha com limbo muito reduzido, filiforme, asse- melhando-se a capim (Fig. 4) PILULARIACEAE - Folha com limbo normal e compostas 15 15 - Folha com quatro folíolos, dispostos em cruz (Fig. 5) MARSIL1ACEAE (Gen. Marsilia) - Folha com dois folíolos e com latex MARS1LIACEAE (Gen. Regnellidium) 16 - Plantas epifitas 11 - Plantas tenestres 21 17 _ Plantas com rizoma e caules aéreos, clorofilados, folhas reduzidas a escamas PSILOTACEAE - Plantas com folhas distintas 18 18 - Folhas micrófilas (sem rastro foliar), pequenas, lanceoladas (Fig. 7), até 2cm de comprimento, com uma única nervura e sem ramificação, dis- postas helicoidalmente e revestindo densamente o caule LYCOPODIACEAE - Folhas macrófilas (com rastro foliar) (Fig. 6), ' de formas e tamanhos variados, com mais de uma nervura 19 19 - Folha de prefoliação circinada, com várias nervu- ras e com nervura principal 20 - Folha sem prefoliação circinada, diferenciada em pecíolo e limbo, com nervura reticulada e sem nervura principal (Fig. 10) e sempre com uma parte diferenciada em esporófito OPHIOGLOSSACEAE 20 - Folha com limbo foliar muito delicado, transpa- rente e com uma única camada de célula de espes- sura e sem estômatos, de lugares úmidos HYMENOPHYLLACEAE - Folha com limbo normal, com mais de uma célu- la de espessura, de formas e tamanhos variados, simples, inteiras ou recortadas ou compostas . . . POLYPODIACEAE 21 - Plantas bulbosas, com folhas assoveladas, ligula- das, dispostas em roseta (Fig. 3) 1SOETACEAE - Plantas com rizoma, de caule globoso, ereto ou arborescente 22 22 - Plantas com rizoma 23 - Plantas com caule globoso, ereto ou arborescen- te 38 23 — Plantas com rizoma e com ramos aéreos 24 - Plantas simplesmente com rizoma 27 367 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 24 - 25 - 26 - 27 - 28 - 29 - 30 - 31 - 368 2 Plantas com escamas ou folhas pequenas, escami- formes . . . ; Plantas com folhas pequenas, com uma única nervura e sem ramificação Ramos aéreos achatados, clorofiládos, com es- camas pequenas Ramos aéreos, sulcados, folhas pequenas, verti- ciladas, com basé conata e formando uma bainha em redor do nó Folhas micrófilas (sem rastro foliar), geralmente homorfas, de disposição espiralada ou em quatro fileiras, cobrindo densamente o caule, com uma única nervura lanceoladas (Fig. 7). Ramos eretos ou prostrados Folhas micrófilas (sem rastro foliar), em geral dimorfas, triangulares (Fig. 8), inseridas aos pares as maiores do lado ventral e as menores, no lado dorsal, alternando-se; com lígula na base supe- rior do limbo Plantas de folhas micrófilas (sem rastro foliar), pequenas, com uma só nervura Plantas de folhas macrófilas (com rastro foliar) (Fig. 9), de formas e tamanhos variados, com várias nervuras Folhas lanceoladas (Fig. 7), cobrindo densamen- te o caule, espiraladas ou em quatro fileiras, geral- mente homorfas Folhas aos pares, triangulares (Fig. 8), sendo as do lado ventral, maiores e as do lado dorsal, me- nores. Com lígula na base superior Plantas com rizoma curto, uma folha por nó, diferenciada em pecíolo e limbo, este sempre com uma parte diferenciada cm esporófito. Ner- vação reticulada e sem nervura principal (Fig. 10) Sem estes característicos Rizoma dorsiventral, folhas grandes, de prefolia- ção circinada, com escamas na base do pecíolo, junto ao rizoma e com intumescência próximo das pinas (Fig. 11), nervação aberta e dicotômi- ca Sem estes característicos Caule subterrâneo, devido a grande massa de raí- zes fibrosas e coberto pelas bases das folhas mor- tas; folhas grandes, pinadas ou bipinadas, pecíolo com duas raízes adventícias na base e com duas alas semelhantes e estipulas. Podendo apresentar- se totalmente vegetativa ou com a parte superior 25 26 PSILOTACEAE EQUISETACEAE LYCOPODIACEAE SELAGINELLACEAE 28 29 LYCOPODIACEAE SELAGINELLACEAE OPHIOGLOSSACEAE 30 DANAEACEAE 31 SciELO/JBRJ, 11 12 13 14 ou mediana modificada em esporófito OSMUNDACEAE - Sem estes característicos 32 32 - Folha ereta, pecíolo e limbo difícil de ser dis- tinguidos, lâmina dividida repetidamente forqui- lhada e podendo ter as partes forquilhadas liga- das por uma membrana e .a parte final dos seg- mentos transformados em porção esporófita (Fig. 12) SCHIZAEACEAE (Gen. Schizaea) - Sem estes característicos 33 33 - Rizoma piloso. Folhas de prefoliação circinada e o raquis indefinidamente longo, com crescimen- to apical indefinido e com ramos gémeos, cada um com um par de pinas e gomo vegetativo aborda- dos; as pinas podem ser palmadas ou compostas pinadas; veias geralmente livres. As folhas escan- dentes assemelham-se a um caule escandente . . . SCHIZAEACEAE (Gen. Lygodium) - Sem estes característicos 34 34 - Rizoma piloso, geralmente curto com frondes pinatifidas ou geralmente compostas pinadas, ten- do parte de segmentos distintamente separados em folha vegetativa e outros, em folhas ferteis (esporófitos) (Fig. 14), Raramente completamen- te dimorfa, Pecíolo longo SCHIZAEACEAE (Gen. Anemia) - Sem estes caracteres 35 35 - Rizoma com ramificação dicotômica. Folhas grandes, escandentes, com forma peculiar, de di- visão pseudo dicotômica, em forma de forquilha, dividindo-se, uma ou mais vezes, poderão formar folhas longas (Fig. 15) GLEICHENIACEAE - Sem estes caracteres 36 36 - Rizoma delgado, folhas transparentes, com uma só camada de células, exeto na região das veias, sem estômatos. Limbo comumente lobado, pina- do, dividido dicotomicamente ou simples HYMENOPHYLLACEAE - Sem estes característicos 37 37 - Rizoma escandente, folha grande pinada, pina longo peciolada e com a extremidade serrada ou toda ondulada ou lobada, pubescente ou glabra, subcoriácea, veias livres, rigorosamente paralelús . PROTOCYATHEACEAE ~ Rizoma de diferentes tipos, folhas de formas e tamanhos variados, simples, inteiras, pinatifidas, pinatisectas ou compostas. Veias livres ou anasto- mosadas. Porém nunca, de divisão dicotômica. Apresentando dimorfismo foliar ou não, porém nunca com parte do limbo ou de um segmento modificado POLYPODIACEAE 369 cm 1 SciELO/JBRJ, 11 12 13 14 38 - Caule globoso. Folha grande, bi ou tripinada. Pecíolo com par de estipulas na base. Nervuras livres MARATTIACEAE — Caule ereto ou arborescente 39 39 - Caule arborescente ou subarborescente 40 - Caule ereto 42 40 - Caule arborescente, com folhas grandes, bi ou tripinadas 41 - Caule subarborescente, escamoso, com várias pá- leas escuras, geralmente lineares, folhas pinas, gla- bras, coriáceas, veias livres POLYPODIACEAE (Gen. Blechnum) 41 - Ápice do caule protegido por páleas, caule com raizes adventícias na base, formando uma massa, com cicatrizes foliares e coberto de escamas. Fo- lhas coriáceas CYATHEACEAE - Caule coberto de cerdas (pelos). Folhas com pi- nas e pinúlas pediceladas, asperas. Pecíolo com escamas perto da base e espinhoso; raquis marrom claro e glabro D1CKSONIACEAE 42 - Caule curto, ereto, lenhoso, com folhas dispostas em coroa. Folhas eretas, grandes; com duas raizes adventícias na base do pecíolo e duas alas em for- ma de estipula. Podendo apresentar dimorfismo total ou parcial, no ápice ou no meio da folha . . OSMUNDACEAE — Sem estes caracteres 43 43 - Caule ereto, escamoso, folhas bi ou tripinadas finamente dissecadas, com três camadas de célu- las de espessura e sem estômatos e espaços inter- celulares HYMENOPHYLLOPSIDACEAE - Sem estes característicos 44 44 - Caule ereto, curto. F'olha com pecíolo cheio, de base triangular e com dupla fileira de protube- rância (Fig. 13). Lâmina pinada ou pinatifída. Veias livres ou furcadas PLAGIOGYRACEAE - Plantas de pequenas até de tamanho moderado. Caule ereto com páleas, pelos ou. escamas. Folhas com pecíolo curto ou longo. Lâminas simples ou compostas, inteiras ou recortadas. Veias livres ou anastomosadas \ POLYPODIACEAE SUMARY The present paper is a Key to Identification of the Pteridophyta Families that occur in Brazil, according to Engler System (1959). It was based in the following characteres: habit, steapi, and leaves; the esporophyte (fertile Ieaf) has not been used in the Key. 370 cm 1 SciELO/JBRJ 3 11 12 13 14 cm AGRADECIMENTOS Deixo aqui, os meus agradecimentos a todos aquêles que me ajudaram e estimujaram e principalmente ao Dr. CARLOS TOLEDO RIZZINI que muito me animou na elaboração desta chave. BIBLIOGRAFIA BIERHOST, DAVI D, W. - Morphology of Vascular Plants. The Macmillian Company New York. 560 pp. ill. 1971. BOWER, F. O. - The Ferns (Filicales) Volume I. Analytical Examination of the Criteria of Comparison. Cambrigge at the University Press. 360 pp. 1-309 figs. 1923. BOWER, F. O. - The Fern (Filicales) Volume II. The eusporangiatae and other relatively ferns. Cambridge at the University Press. 344 pp. fig. 310-580. 1926. BOWER, F. O. - The Ferns (Filicales) - Volume III. The Leptosporangiatae Ferns. Cambridge at the University Press. 306 pp. Fig. 581-709. 1928. BRADE, A. C. - Pteridophyta do Brasil. Rodriguesia. 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Philadelphia. University of Pennsylvania Press. 252 pp. ill. 1948. 371 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 EXPLICAÇÃO DAS FIGURAS Fig. 1 - Fig. 2 - Fig. 3 - Fig. 4 - Fig. 5 - Fig. 6 - Fig. 7 - Fig. 8 - Fig. 9 - Fig. 10 - Fig. 11 - Fig- 12 - Fig. 13 - Fig. 14 - Fig. 15 - Folha esteril de Parkeriaceae (Cerapteris pteroides (Hook.) Hieron). Seg. Smith, 1955. • Folhas de Salviniaceae (Salvinia sp.), mostrando as duas folhas natantes e a folha submersa modificada. Aspecto de lsoetaceae (Isoetes histrix Bory), seg. Vaconcellos, 1968. Aspecto de Pilularíaceae (Pilularia globulifera L.), sseg. Bower 1923. Folha de Marsiliaceae (Marsilia sp.), Bower, 1926. Folha de Marsiliaceae (Regnellidium sp.), seg. Bower, 1926. Esquema de folha de Lycopodiaceae. Esquema das folhas de Selaginellaceae. Esquema do sistema vascular do nó de um rizoma, mostrando o rastro foliar (RF), sonoletelo (SS) e a folha (F), seg. Bower, 1923. Folha de Ophioglossaceae (Ophioglossum vulgatum L.), mostrando a nervação, seg. Bower. 1923. Esquema da intumescência da base do pecíolo da folha de Danaeaceae, seg. Engler und Prantl, 1902. Esquema da folha de Schizaeaceae (Schizaea elegans Vahl.) Sw.), (A-parte fér- til), seg. Smith, 1955. Base da folha de Plagiogiraceae, mostrando as protuberâncias (P), seg. Bower, 1928. Folha de Schizaeaceae - Anemia sp., mostrando os segmentos distintos: parte esteril (FT) e parte trofofila (FF), Folha de Gleicheniaceae. Seg. Smith, 1955. 372 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 373 11 12 13 14 375 cm LEVANTAMENTO DOS TIPOS DO HERBÁRIO DO JARDIM BOTÂNICO DO RIO DE JANEIRO COMBRETACEAE R. Br. hortencia pousada b autista* CORDÉLIA LUIZA BENEVIDES DE ABREU" SINOPSE Este trabalho tem por objetivo a classificação e a divulgação dos tipos do Herbário do Jardim Botânico do Rio de Janeiro (RB), sendo ilustrado com foto- grafias das espécies. INTRODUÇÃO Em continuação ao levantamento dos tipos existentes no Herbário do Jar dim Botânico do Rio de Janeiro, apresentamos os tipos da família Combretaceae R- Br., gêneros Buchenavia Eichl., Ramatuela Kunth, Terminalia L. e Thiloa Eichl., obedecendo o critério dos trabalhos anteriores, qual seja: a) Citação da espécie, do autor e da obra original, b) Transcrição do material examinado (Tipo), tal como citado na obra original; ., , c) Citação da sigla do Herbário do Jardim Botânico, seguida do nu- mero de registro; d) Classificação do Tipo; e) Transcrição das diversas etiquetas (schedulae) encontradas nas exsicatas, sendo a primeira sempre a do Jardim Botânico do Rio de Janeiro. 0 Fotografias dos Tipos Botânico do Rio de Janeiro Jardim Botânico do Rio de Janeiro e Bolsista do CNPq. Rodriguésia Bio de Janeiro Vol. XXX-N945 1978 381 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 RELAÇÃO DOS TIPOS Buchenavia callistachya Ducke - RB: 25.021 Buchenavia congesta Ducke - RB: 59.625 Buchenavia corrugata Ducke - RB: 17.677 Buchenavia discolor Diels - RB: 17.680 Buchenavia grandis Ducke — RB: 13.582, 8.853, 17. 6 82, 17.687, 17. 6 88, 15.853, 11 .290 Buchenavia huberi Ducke — RB: 50.943, 50.942, 50.941 Buchenavia macrophylla Eichler - RB: 17.672 Buchenavia parvifolia Ducke — RB: 17.686, 13.584 Buchenavia pterocarpa Exell et Stace — RB: 88.165, 76.900, 25.018 Buchenavia sericocarpa Ducke - RB: 50.945 Buchenavia suaveolens Eichler — RB: 17.673, 1 7.674 Buchenavia viridiflora Ducke — RB: 25.022, 25.023 Ramatuela crispialata Ducke - RB: 25.024 Ramatuela maguirei Exell et Stace — RB: 34.638, 34.639, 34.640 Ramatuela virens Spruce ex Eichler - RB: 17.671 Terminalia obidensis Ducke - RB: 1 7.676, 17.675 Thiloa inundata Ducke — RB: 50.947 1 ) Buchenavia callistachya Ducke (l oto 1) Ducek, Arch. Inst. Biol. Veg., Rio de Janeiro 2 (1): 64. 1935. “Habitat porpe Manáos (civ. Amazonas) in silva non inundabili loco Estrada do Aleixo, 9-7- 1932 florif. leg. A. Ducke, H. J. B. R. n> ^ X 'ÍÈ£*T^Í- USTItüO 8E «Í0105II ftSUtl. ,. «Hf . * , W >«***-* : T-: / - w — Buchenavia pterocarpa Exell et Stace L 9cm 417 cm l SciELO/JBRJ 11 12 13 14 15 cm .. FOTO 11 Buchcnavia sericocarpa Ducke 419 SciELO/ JBRJ 11 12 13 FOTO 12 cm 1 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm .. FOTO 13 Buchenavia suaveolens Eichler 423 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 FOTO I4 cm 1 SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 cm .. SciELO/ JBRJ ) 11 12 13 14 FOTO 16 cm l SciELO/JBRJ, FOTO 17 Kamatuela maguirei Exell et Stacc L 10cm 1 FOTO 18 ' rO •9cm Ramatuela virens Sprucc cx Eichler 433 cm 2 3 4 SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 FOTO 19 Terminalia obklensis Duckc 435 m cm . 2 3 L SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 cm Thiloa inundata Ducke SciELO/ JBRJ FOTO 20 437 cm CONTRIBUIÇÃO AO CONHECIMENTO DA GERMINAÇÃO DE ALGUMAS ESSÊNCIAS FLORESTAIS APPARICIO PEREIRA DUARTE Pesquisador em Botânica do Jardim Botânico do Rio de Janeiro Bolsista do C. N. Pq A classificação das sementes de algumas essências, quanto ao processo ger- minativo em duras e moles, prende-se particularmente à origem das essências. No caso vertente, as plantas das florestas equatoriais e tropicais, em grande número apresentam esse comportamento, isto é, sementes duras, enquanto que as de ger- minação normal estão em minoria. As sementes duras são aquelas que nas condições naturais apresentam um índice baixíssimo de germinação. Quando em cultura temos que aplicar processos mecânicos para obtermos germinação uniforme. Entre nós, a família das Leguminosas é a que apresenta o maior numero de espécies com sementes duras, observando-se particularmente o maior contin- gente nas subfamílias Caesalpinioideae e Minosoideae. Entre as Caesalpinioideae mais usadas, sobressai o gênero Cassia com o subgênero Fistula (DC).Benth. .Temos como principais representantes deste grupo as espécies: Cassia grandis, C. ferragj- nea, C javanica e C. fistula. As duas ultimas são espécies exóticas, porém, muito cultivadas como plantas de jardim. C. javanica pelas suas flores róseas de belo efei- to decorativo, C. fistula pelas flores amarelas em cachos tirsiformes, pêndu os, muito decorativos (nome vulgar: chuva-de-ouro). As quatro espécies são cultiva as como plantas ornamentais. C. grandis, como o nome específico indica, é dentre as congêneres a de maior porte e a unica da flora amazônica que atinge até 30m de altura e possui flores róseas (raramente brancas) segundo Ducke. Cresce ao longo do Rio Amazonas e do Tocantins, na América Tropical em geral. Cultivada em muitos lugares, desde o Nordeste até os Estados do Sul. Empregada na arborização urbana, em parques e estradas. Esta espécie produz grandes legumes indeiscentes que só libertam as sementes pela corrupção do exocarpo; estando neste mesmo caso as três espécies precedentes, isto é, C. ferruginea, C. javanica e C. fistula. Rodriguésia Vol. XXX - N9 45 Rio de Janeiro 1978 439 SciELO/JBRJ A germinação destas quatro espéçies oferece, quando os frutos estão por demais ressecados, grande dificuldade. Para se obter uma germinação uniforme, toma-se necessária uma preparação prévia das sementes; esta preparação consiste das seguintes operações: 1) libertar as sementes dos frutos; 2) submetê-las a um tratamento que pode ser a. escarificação da testa com uma lima ou grosa fina, removendo-se a camada impermeável até atingir, sem ferir, os cotilédones; 3) fei- to isto, colocam-se estas sementes em um recipiente com água durante, 24, 48 ou 72 horas, tendo-se o cuidado de trocar a água cada 24 horas; 4) se as sementes, porém, se entumescerem durante as primeiras 24 horas, podem ser lançadas à ter- ra, mas só as que estiverem neste estado. As sementes destas Leguminosas devem ficar enterradas a uma profundidade máxima de 2cm; ao cabo de 6 a 8 dias a ger- minação estará completa e uniforme. Poinciana regia (ou Delonix regia) ou Flamboyant. O comportamento des- ta planta apresenta algumas variantes quanto ao processo germinativo. Se os frutos forem colhidos quando estiverem amárelecendo, e se libertando as sementes, estas germinam rápida e uniformemente, mas se os frutos forem colhidos depois da to- tal desidratação, a germinação só se fará com muita irregularidade. A Poinciana tem frutos deiscentes, mas esta deiscência só se dá depois de muito tempo, ou me- lhor, libertando as sementes após o apodrecimento dos legumes que apresentam um tecido lenhoso extremamente resistente. Plantas que apresentam tais frutos, em condições naturais, têm perda de sementes de mais de 70%, visto que, quando os frutos apodrecerem, já as sementes perderam naturalmente o poder germinativo pela morte do embrião. Este fica comprometido pelo atáque dos fungos saprófitos e dos insetos terrestres. O tratamento das sementes das Cassias se aplica também ao gênero Poinciana. As sementes destes dois gêneros, acima tratados, apresentam germinação com os cotilédones epigéios e providos de material de reserva. A subfamília das Mimosoideae apresenta-nos o gênero Parkia com mais de 30 espécies no equador e nos trópicos dos dois hemisférios (20 na América). Árvo- res grandes, medianas e pequenas, quase todas belíssimas. Ocupam um lugar de destaque na fitofisionomia da floresta Amazônica, segundo opinião de Ducke. A Seção Sphaeroparkia Ducke., com Parkia multijuga Benth. (nome vulgar: faveira), habita a mata grande de terra firme e de várzea alta, do estuário amazôni- co inclusive Belém (Rio Guamá) e do Rio Tocantins (Alcobaça) através o Estado do Pará e Amazonas (Solimóes) até o norte do Território do Guaporé, medrando exclusivamente em solos argilosos, etc., segundo informações de Ducke. Esta espécie se encontra cultivada no Jardim Botânico do Rio de Janeiro, representada por dois magníficos exemplares, com um porte de perto de 20 me- tros de altura, está em franca reprodução, produz frutos grandes, indeiscentes com sementes que podem atingir até 2,5cm de comprimento. As sementes deste magnífico gênero também oferecem grandes dificuldades para germinar. Para se conseguir este resultado, temos que proceder a escarifica- ção; depois desta operação imerge-se as sementes em água por período que varia entre 24 e 72 horas. As sementes assim tratadas formam na superfície uma espessa camada de mucilagem, esta substância tem por fim proteger o embrião durante a primeira fase do período germinativo; garantindo ao embrião o primeiro suprimen- to em água. Os cotilédones nesta espécie são de posição hipogéia. Ao germinar a 440 SciELO/ JBRJ, 11 12 13 14 cm plântula forma uma curvatura em crossa; quando liberta-se totalmente dos cotilé- dones, a plântula tem um comportamento de 10— 15cm, apresentando a primeira folha embrionária com toda a estrutura das folhas definitivas, a segunda folha surge imediatamente na transição do epicótilo e da folha primária. Seção Platyparkia Ducke., Parkia pendula Benth., (nome vulgar: visgueiro em Belém, jupuúba em Breves, faveira em Tocantins, pau-de-arara em Trombetas, arara-tucupi no Amazonas). O autor do presente trabalho a observou à até próxi- mo de Salvador, no Estado da Bahia, na confluência da estrada de Feira de Santa- na e Candeias, onde foram colhidas sementes em fevereiro de 1975. Depois a árvo- re foi observada em grandes exemplares ao longo da RB 101 (Sul da Bahia até pro- ximo de Porto Seguro), alí a árvore tem o nome vulgar de visgueiro e joeirana-pre- ta. É árvore que atinge grande porte na mata primária, destacando-se no meio das outras, pela forma singularíssima de sua copa que lembra um grande guarda-sol. A sua copa plana faz com que ela se destaque no meio da vegetação circundante e, quando isolada, é uma belíssima árvore, particularmente quando em flor ou em fruto, por causa dos longos pedúnculos pêndulos que podem atingir até lm, termi- nados por uma inflorescência em capítulo de coloração purpúreo-vinosa, ou pe os frutos formando fascículos. Os frutos desta espécie s5o deiscentes, medem de 1 — 15cm; quando se abrem, as sementes ficam presas à margem da sutura por uma go- ma muito adesiva; quando se tenta tirar as sementes do legume estas vem presas a goma, as quais para serem separadas da goma d 5o um grande trabalho de lavagem. Produz uma goma táo abundante que poderia ser aproveitada como cola. O nome visgueiro é muito bem dado pelo povo. As sementes sSo duríssimas, de coloraçao cinzenta com manchas escuras, esparsas, lembrando as sementes de Ricinus communis, apenas mais comprimidas. De todas as sementes que experimentei, oi uma das mais difíceis para germinar. Foram deixadas de molho pôr um período e 72 horas, continuando inalteráveis; foram fervidas por 5 minutos, dando resu ta o negativo. Só a escarificaçSo com lima é que deu resultado; assim, a germinação oi mais ou menos de 85%; com uma imersão por 24 horas se entumeceram. Cuidados que se devem ter nesta fase; as sementes no início do processo germmativo n o podem apanhar sol direto, sáo muito sensíveis, devendo-se sombreá-las durante a primeira semana após o início da germinaçSo. Depois disto o comportamento e n °rmal. . , D Seçáo Polyphosphaera Benth. Parkia gigantocarpa Ducke, visgueiro (Be- lém). Árvore muito grande de copa larga com flores em grandes capítulos brancos com estaminódios amarelos, fétidas, em inflorescências com longos pedúnculos, que a princípio saem mais ou menos eretos e mais tarde com 0 pcs° as enormes inflorescências e com as magnas vagens, que podem atingir até 70cm e mais de comprimento, se tomam pêndulas. Esta espécie ocorre em mata alta de terra ‘ ir ‘ me. Pará: arredores de Belém, Santa Isabel (Estrada de Ferro de Bragança), Ilhas Altas de Breves (Ilha de Nazaré), Ourém (Rio Guamá), baixo Rio Moju, Gurupá, Óbidos e Oriximina (baixo Trombetas). Amazonas: Maués; médio Rio Negro (Ja- camim). Território do Guaporé: Porto Velho, Santo Antonio, Teotomo. Sul da Guiana Britânica, segundo Ducke. Esta espécie como vimos àcima, tem também o nome vulgar de visgueiro, apresenta uma larga distribuição o qúe deve estar relacionado com seus grandes frutos e com seu habitat, ao longo dos vales dos rios. Seus frutos apresentam deis-, 441 SciELO/JBRJ cência difícil e só podem libertar as sementes pelo apodrecimento do exocarpo, depois de terem sido transportados pelas águas no período das cheias (hidrocória). As sementes desta espécie também apresentam grande resistência à germi- nação em cultura, exigindo o trabalho de escarificação e a consequente imersão na água, que varia de 24 até 72 horas de duração. Estas três espécies do gênero Parkia estão colocadas em Seções separadas, realmente elas na germinação têm comportamento distinto. Parkia multijuga tem germinação com os cotilédones hipogéios, enquanto que as duas últimas os apre- sentam epigéios. Este comportamento entre as espécies seria bastante para separá- las. Em seguida trataremos do gênero Enterolobium. O Enterolobium contortisiliquum (Vell.) Morong, (= E. tinbouva Mart.). Com o nome vulgar: orelha-de-negro ou orelha-de-preto (Monte Alegre), Timbaú- ba, (Santarém), tamboril, (Macapá). Árvore de tronco muito grosso e copa que po- de atingir em exemplares anosos até com 20cm de diâmetro, visto pelo autor do presente trabalho, em Pirapora às margens do Rio São Francisco, com mais de lm de diâmetro de tronco. Segundo a Flora Brasiliensis, a madeira seria esponjosa, e segundo Record utilizada na Argentina. Pará: Santarém, raiz da Serra; Monte Ale- gre, na mata de encosta de taboleiro arenoso. Território do Amapá: Macapá, fre- quente na mata marginal dos campos. Nordeste até Ceará (visto pelo autor em 1948). Centro e Sul do Brasil até Porto Alegre e o Norte da Argentina. Podemos acrescentar outros locais como no Norte de Minas Gerais, na região de Pedra Azul com vários exemplares. No Sul da Bahia, na região de Porto Seguro, aí a madeira é empregada na confecção de canoas. DUCKE cita 8 espécies, descritas todas da América Tropical. A esta espécie podemos acrescentar o E. maximum Ducke,. E. schomburgkii Benth., com o nome vulgar de timbaúba, timbó-da-mata ou tim- bó-rana (Belém); fava-de-rosca (Óbidos). É uma árvore muito grande da mata vir- gem, segundo Ducke. A árvore pode florescer em indivíduos pequenos de capoeirão. Esta espécie ocorre em quase todo o Estado do Pará; freqüente nas regiões de Belém, Gurupá, Santarém, Óbidos e Faro e no médio Tapajós. Amapá: Marzagão. Amazonas: Pa- rintins, Rio Negro e Solimões (São Paulo de Olivença). Acre, Mato Grosso central, Rio de Janeiro, Guiana, Venezuela e América central. A estas três espécies pode- mos ainda acrescentar: E. ellipticum dos cerrados mineiros, todas da subfamília Mimosoideae e com um caráter bem marcante pelo aspecto ou forma do fruto. O fruto deste gênero apresenta exocarpo plano com a superfície lisa ou verrucosa como E. schombourgkii quase sempre circular ou com as extremidades enroladas lembrando os lobos das orelhas, de coloração castanha ou preta, daí o nome,vul- gar de orelha-de-negro. Das quatro espécies mencionadas acima, só a primeira nos interessa, por- que, é a espécie com a qual trabalhamos. Trata-se de árvore muito precoce com crescimento rápido e com forma muito elegante, quando na época da brotação apresenta coloração verde-clara, destacando-se das outras árvores pela copada ampla de forma muito elegante, prestando-se para reflorestamento não só pela rapidez com que cobre o solo, mas pela plasticidade ecológica, apresentada pela grande área de sua distribuição; suporta os mais diversos climas, desde o super- úmido até o mais seco, desde o mais quente até os mais frios, como por exemplo o da Argentina. 442 SciELO/JBRJ cm Os frutos deste gênero, segundo a crença popular, apresentam qualidades negativas. São avidamente procurados pelo gado vacum, e segundo aquela crença, possuem propriedades abortivas para as vacas em gestação. Na subfamflia Caesalpinioideae temos o gênero Peltophomm, com uma única espécie. Produz frutos monospermos ou raramente dispermos, comprimi- dos, com exocarpo quase membranácco, indeiscente; sementes pequenas, lem- brando as do pepino e mais ou menos do mesmo tamanho. As sementes quando colhidas muito secas geralmente apresentam germinação lenta e irregular; mesmo se deixadas imersas na agua por tempo superior a 72 horas. Elas não são fáceis de escarificar, dada a sua pequenez, por isso temos de deixá-las na terra e aguar- dar a germinação, que se faz irregularmente por período que pode ser superior até 5 meses. Peltophorum dubium ocorre nos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo, Minas Gerais e Goiás. Trata-se de árvore de grande efeito ornamental, pelas suas grandes panículas amarelas, sobressaindo de suas grandes folhas delicadamen- te penadas, produzindo efeito decorativo extraordinário. A planta é muito precoce. Na subfamília Faboideae (Papilionatae), temos algumas árvores. Platypo- dium elegans, (jacarandá-branco, jacarandá-de-canzil, jacarandá-de-rego, em Minas Gerais). Tipuana speciosa (Tipuana tipu), com frutos samaróides cuja germinação é extremamente lenta. O único tratamento que pode ser aplicado é o da imerção na água por tempo variável que pode ir de 24—72 horas. A germinação de Platy- podium é sobremodo interessante; é hipogéia, observando-se o surgimento de uma plântula minúscula com crescimento muito lento na primeira fase da germi- nação, para depois de vários dias ou mais de 1 mês tomar o impulso normal de crescimento. Esta espécie é originária particularmente do Estado de Minas Gerais, nas terras quentes e de bom padrão de fertilidade. Tipuana speciosa apresenta mais ou menos o mesmo comportamento, sen- do, porém, esta espécie do sul do Brasil até a Argentina. Foi introduzida nas pra- ças e ruas do Rio de Janeiro, particularmente na Praia de Botafogo; quando cres- cendo sem ser mutilada pela poda, pode atingir porte grande, como os exemplares cultivados no Parque das Águas em Caxamhú, no Estado de Minas Gerais. O gênero Ormosia, das Faboideas, conta com cerca de 45 espécies descritas nos trópicos americanos e asiáticos. Árvores em geral de porte mediano, com abundante flores negro-violáceas (atro-purpúreas) ou (em poucos casos) violáceo- claras até lilases, as quais aparecem com intervalos de vários anos; bem conhecidas s3o as suas sementes duras, vermelhas (comumente com mancha preta), raras vezes ãmarelas, segundo Ducke. O gênero, cuja curta descrição foi dada por Ducke, tem pequena distribui- ção fora da Hiléia. Nós, pessoalmente, vimos na natureza exemplares deste gênero nas seguintes localidades: no Estado do Rio de Janeiro, na restinga de Jacarepaguá, representada por arbustos em formação arenosa, mas frutificando normalmente. Um outro exemplar nas matas da Tijuca, acima do Restaurante dos Esquilos, árvo- re com cerca de lOm de altura. Estes exemplares produzem sementes vermelhas eom manchas pretas, ao que tudo indica, deve ser a espécie O. arbórea. Vimos ou- tr °s exemplares em mata baixa de terreno acidentado em Friburgo, na localidade de nominada Muri; a planta desta localidade produz sementes amarelas e bem maiores do que das outras localidades citadas acima, creio tratar-se de O. fribur- 443 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 cm .. guensis. No Estado de Minas Gerais, no Município de Carandaí, localidade Hermi- lo Alves, localizei um exemplando gênero, talvez O. arbórea, com sementes verme- lhas e manchas pretas; ainda em Minas Gerais em viagem de estudos, verifiquei em 1962, a presença de exemplares do gênero, às margens do Rio Paracatu e por últi- mo um outro exemplar às margens de pequeno curso d’agua, no Horto Florestal de Brasília. Podemos concluir que o gênero, dada a dureza de suas sementes, apresenta uma distribuição extremamente irregular e paralelamente, sempre em localidades onde o índice de umidade é muito elevado. A dificuldade na germinaçào em esta- do natural mostra que a planta está sempre ou quase sempre, representada por um só indivíduo ou poucos exemplares. Concluindo a nossa exposição, verificamos que as sementes deste gênero se mostram duríssimas apresentando testa extremamente resistente à penetração da água; a germinação só se dá em cultura, mediante a escarificação da testa, e remo- ção de parte da mesma com uma lima, até atingir o albúmen, imergindo-se em se- guida em água por um espaço de tempo que medeia entre 48 e 72 horas. Só então as sementes se entumecem e inicia o processo germinativo. Sem essa prática é quase impossível, senão impossível, conseguir a germinação de tais plantas. Subfamília Caesalpinioideae. Schizolobium Vog., com 4 espécies descritas: 1 do Brasil tropical meridional, 1 da amazônia e 2 (duvidosas) da América Central. A espécie meridional é Sch. parahyba (Vell.) Black. (Sch. excelsum Vog.), bacuru- bu ou guapuruvu ou ainda birosca, nomes usados no Estado do Rio de Janeiro. É freqüentemente cultivada no Rio de Janeiro e São Paulo, como árvore ornamental. A outra espécie brasileira é Sch. amazonicum Hub. ex Ducke. Esta árvore não tem designação vulgar especial: Em Alcobaça indicaram-me para ela o nome faveira, usada para muitas Leguminosas de qualquer das três subfamílias; no Trombetas e no Madeira confundem-na com o paricá (várias mimosóideas arbóreas). Árvore grande da mata primária e secundária de terra firme e varzea alta. Floresce (ao contrário da espécie meridional) em estado afilo; destaca-se sobre o fundo da mata por sua copa de um magnífico amarelo-claro. Madeira branca, mole e leve. Limita- se ao Estado do Pará, à fértil argila compacta de certas localidades: Alcobaça no Tocantins (comum) Altamira (Xingú); Monte Alegre: colônia do Itauajuri; Rio Ta- pajós, na região das cachoeiras inferiores; Rio Branco de Óbidos; ligo Salgado (baixo Trombetas). No Amazonas, freqüentemente na mata de várzea alta do baixo Madeira e Purús e do*Solimões inteiro até a fronteira. Peru e Colômbia. Informações de Ducke que pelo seu conhecimento da Amazônia pôde delimitar a distribuição da espécie, com segurança. Em Altamira, nós tivemos ocasião (em 1973) de observar a espécie ao longo da Transamazônica, onde havia na área desmatada pelos tratores, numerosas plantinhas jovens; e também observar que o solo era de bom padrão de fertilidade, como mencionou DUCKE em linhas acima. As sementes deste gênero também devem ser escarificadas para se obter uma germinação rápida e uniforme. Aqui trataremos da espécie Sch. parahyba, que é própria dos Estados do Rio de Janeiro, São Paulo e Minas Gerais. Toma- mos esta planta por tratar-se de espécie de extrema precocidade; produz madeira branca, podendo ser empregada no reflorestamento para produção de celulose para papel, para fabrico de tamancos e caixotaria para embalagem de frutas, etc. Como árvore ornamental, é de grande efeito decorativo pelas enormes panículas amarelas, dando magnífico aspecto à paisagem, pela forma reta do fuste de cor 444 SciELO/ JBRJ 11 12 13 14 cm clara; por todas estas características, a árvore deve ser aproveitada no reíloresta- mento, não só pelo rápido crescimento, mas pela grande massa de lenho produzi- do. Acrescendo a isto a pouca exigencia no que concerne à fertilidade do solo, pois esta planta medra magnificamente bem em todo o vale do Paraíba, onde as terras primam pelo baixo teor em nutrientes, causado em parte pela exaustão con- seqüente às culturas que datam desde os tempos coloniais. Até aqui vimos as espécies de sementes duras; vamos tratar agora de semen- tes de curto período germinativo. Para exemplo vamos ver o gênero Dalbergia: Dalbergia nigra, jacarandá-da-bahia ou jacarandá-caviúna. Esta espécie produz mui- tos frutos, que nem sempre libertam as sementes, e estas quando em estado de ple- na desidratação são levadas pelos ventos à grandes distâncias; dado o pequeno peso dos frutos, estes rara ou dificilmente atingem o contacto com o solo onde se bene- ficiariam da umidade necessária à germinação e consequente excese. A germinação de Dalbergia, quando a semente permanece no fruto, é mui- to lenta e irregular, pois a penetração da água se faz muito lentamente, e por esta razão as plântulas são prejudicadas, ou pela seca ou pelos fungos saprófitos do so- lo. Em os nossos trabalhos experimentais, tivemos oportunidade de observar, quando libertamos as sementes do exocarpo, germinação rapida e uniforme, visto que Dalbergia tem sementes de testa delgada, membranácea. Dalbergia, no seu habitat, raramente ou nunca se encontra em formação, por causa do coelho do mato, o qual é ávido pelas plântulas dos gêneros Dalbergia e Machaerium. Tivemos ocasião de observar que, em viveiros onde havia sementeiras de várias essências, ele tosava as plântulas de Dalbergia e Machaerium e não tocava nas outras. A denomi- nação popular deste roedor é tapati, da família dos Leporídeos, Silvilagus minensis. Este animalzinho é o maior inimigo natural do jacarandá na fase inicial de sua vi- da, daí a raridade da espécie. É de não se encontrar mais do que 4 a 5 indivíduos por hectare. Esta espécie está a exigir o máximo cuidado no sentido de sua preser- vação, pois se encontra no limiar de extinção na natureza. Áreas de ocorrência: Estado do Espírito Santo, Bahia, Minas Gerais (nor- te) e, Rio de Janeiro em remanescentes jovens. As sementes das Leguminosas, quanto à duraçao do poder germinativo, di- videm-se em microbióticas, cujas sementes não germinam além dos três (3) anos após a colheita; mesobióticas, cujo poder germinativo dura de três (3) até quinze (15) anos, e macrobióticas, as que germinam depois de quinze (15) anos e mais, quando conservadas em boas condições. Numerosas Leguminosas são macrobióticas. A. Burkart, em sua obra Legu- minosas Argentinas, cita trabalhos de Crocker (1938 e 1948 pag. 29), que por sua vez cita os ensaios de diversos autores que obtiveram germinação de sementes de muita idade. Uma Mimosa com oitenta e um (81) anos, uma Leucaena com noven- ta e nove (99) anos; Cassia bicapsularis, cento e quinze (115) anos, Cassia multiju- ga, cento e cinquenta e oito (158) anos .... Minosa pudica, quarenta e quatro (44) anos deu em ensaio mais de 20% de germinação, etc. Por este motivo vemos as plantas tropicais e equatoriais são protegidas pela organização de suas se- mentes, que podem passar longos períodos em estado de dormência, esperando condições favoráveis, como seja luminosidade, temperatura, umidade e oxigenação. Em outro trabalho apresentaremos novas observações sobre o tema em fo- co. 445 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 BIBLIOGRAFIA CONSULTADA: 1) BURKART, ARTURO - Las Leguminosas Argentinas, Silvestres y Cultivadas (1952). 2) DUCKE, ADOLFO - Notas sobre A Flora Neotrópica, As Leguminosas da Ama- zônia Brasileira II Boletim Técnico do Instituto Agronomico do Norte n9 18 (1949). 3) GUYOT, LUCIEN - La Biologia Végétale (1962). RESUMO: O presente trabalho é uma contribuição para o melhor conhecimento sobre a germi- nação das sementes das essências florestais mais empregadas na arborização de parques, jardins e estradas e no reflorcstamento. Para tal tomamos como paradigma 4 espécies do gênero Cas- sia, Enterolobium, Poinciana, Ormosia, Peltophorum, etc. As Cassias representadas pelas se- guintes espécies: Cassia grandis, C. ferruginea, C. javanica e C. fistula. O gênero Enterolobium, com a espécie, E. contortisiliquum. Peltophorum, com a espécie, P. dubium. Ormosia, com a O. arbórea da flora das regiões centro-oeste. Tratamos também de três espécies do gênero Parkia, espécies características da hileia amazônica principalmente. 446 SciELO/JBRJ 11 12 13 14 ] Di Giorgio & Cb Itda. EDITORES «ARTES GRAFICAS* OfF-SET T»i». PABX 281-5042 e(a.r*t 0 ) 201-4495 RiO OC JANEIRO Rj cm RODRIGUÉSIA Instruções aos Autores 1 - Rodriguésia publica trabalhos em Botânica, e ciências correlatas, originais, inéditos, ou transcritos. 2 — Em casos específicos, a redação da Revista poderá sugerir ou solicitar modificações nos artigos recebidos. 3 — Informações necessárias sobre o trabalho, qualificação e endetêço profissional do (s) autor (es) devem ser colocados no rodapé da página, sob chamada de aste- rísticos. 4 — Os trabalhos devem obedecer às normas da Revista. Assim, o original será enviado datilografado cm uma só face de papel não transparente, cm espaço duplo e com não menos de 2,5 cm de margens (superior, inferior, laterais) e, sempre que possível, acom- panhado de uma cópia. 5 — As figuras e ilustrações devem apresentar, com clareza, seus textos ele legenda, sendo que gráficos, desenhos e mapas devem ser preparados em tamanho adequado para redução ao tamanho da página impressa (18 x 11,5) e elaborados com tinta nanquim preta, de preferência em papel vegetal e não devem conter letras ou números datilografados. 6 - Os trabalhos devem obedecer à seguinte ordem de elaboração: Títu- lo. Resumo. Introdução, Material e Métodos, Resultados, Conclusões, Agradecimentos, Referên- cias. Abstract. 7 - Referência: Sobrenome, inicial (is) do nome (s), título do artigo, nome da revista (ou Instituição), volume (ou número), páginas, ano da publicação Hitchcock, A.S. - The Grasses of Ecuador, Peru and Bolí- via. Contrib. V.S. Nat. Herbarium. Washington, 24 (8): 241-556. 1927. Até três autores, são citados; quatro ou mais, usa-se o primeiro e o complemento, assim: Rizzini et alii. (1973). g _ \ lista de referência deve ser ordenada alfabeticamente e com nume- ro remissivo. As abreviações dos títulos da revista devem ser as utilizadas pelos abstracting journals". Em caso de dúvida na abreviação, escrever a referência por extenso, cabendo à Comissão de Redação fazê-la. 9 - Quando da entrega do original, o autor deve indicar o número de separatas que deseja receber, pagando o que exceder das 25 separatas gratuitas que a Rodri- guésia lhe fornece. 10 - Os trabalhos que não estiverem de acordo, serão devolvidos aos seus autores para a devida correção. SciELO/JBRJ 11 12 13 14